Em reunião convocada pelo governo para discutir uma política que dê mais transparência às tarifas de energia, as principais autoridades do setor elétrico criticaram o relatório da Medida Provisória 814/2017, que eleva o nível de subsídios embutidos na conta de luz.
O relatório foi apresentado na quarta-feira, 26, pelo relator, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), e deve ser votado no dia 8 de maio, segundo o presidente da comissão especial da MP, senador Eduardo Braga (MDB-AM).
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, e o diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, deixaram claro que o relatório aumenta o custo da energia para os consumidores e vai na direção contrária do que o governo pretende, segundo anunciado nesta quinta-feira, 26, pelo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco.
O relatório propõe o aumento das tarifas de Angra 3 e do preço do gás das termelétricas contratadas durante o racionamento de energia. “Não questiono a legitimidade, mas às vezes o Congresso pontua para um caso e vai empilhando os subsídios.
O patamar dos subsídios incomoda a Aneel e tem trajetória crescente”, disse Rufino. Segundo ele, os subsídios têm hoje o mesmo peso do custo de segmento de distribuição na conta de luz.
O diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, disse concordar com a preocupação de Rufino a respeito das emendas da MP 814/2017. “Iniciativas como essa do Congresso Nacional vão na contramão da intenção do governo de obter tarifas mais módicas e preços mais baixos. A MP 814/2017 caminha para um custo maior das tarifas e preços de energia”, disse.
Sobre o atual nível das tarifas, Rufino defendeu a cobrança de um preço justo, capaz de atrair o capital privado para investir. “É legítimo cobrar um preço realista, mas temos que colocar a dimensão do preço justo. Ninguém defende preços artificiais, pois é um segmento de capital intensivo e o Estado não tem condições de investir. Temos que atrair capital e criar um ambiente de negócios para propiciar essa expansão do sistema”, afirmou o diretor-geral da Aneel.
O secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fábio Lopes, reconheceu a necessidade de rever os subsídios. “Subsídio é fácil de dar, mas muito difícil de tirar, pois os grupos se movimentam para manter os privilégios”, disse.
Diante dos discursos das autoridades, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse ter ficado surpreso. “A preocupação com as tarifas está alinhada com todas as instituições. Eu achei que era uma preocupação apenas da Aneel”, disse.
Também participaram da reunião o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Reive Barros dos Santos, e o presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rui Altieri.
Moreira Franco disse que a discussão sobre as tarifas precisa ficar clara para a sociedade, principalmente no que diz respeito aos impactos dos subsídios.
“O preço justo poderá ou não ter subsídios para atender à demanda”, disse. O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse que o governo vai criar um plano de ação para discutir a questão.
Leia mais em: https://exame.abril.com.br/economia/ons-iniciativas-do-congresso-aumentam-custo-da-energia-para-consumidores/
sexta-feira, 27 de abril de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Dados & Ideias – Empresas de energia ganham produtividade
Tecnologias que nem existiam ou eram caras demais há uma década estão elevando a produtividade nas empresas hoje. Um estudo da consultoria americana BCG mediu o impacto de diferentes avanços tecnológicos nas empresas de energia e descobriu como elas estão economizando tempo e dinheiro. Inovações como drones, realidade aumentada e inteligência artificial estão digitalizando as operações de distribuidoras e geradoras — companhias nas quais, em geral, mais da metade da força de trabalho é composta de empregados de campo, que representam cerca de 40% da folha de pagamentos.
Segundo o BCG, empresas desse setor podem economizar 50% do tempo nas atividades externas com o apoio de novas tecnologias. Um exemplo é o uso de drones para vistoria e manutenção de redes elétricas. Já o uso da realidade aumentada para assistência técnica remota gera uma oportunidade de economizar 25% no tempo da solução de falhas de equipamento — reduzindo também o prazo de resposta das companhias em caso de queda de energia.
Na prática, as novas tecnologias estão permitindo às empresas investir em times técnicos enxutos, mas altamente especializados. E ainda ajudam a resolver um problema causado pelo envelhecimento da população, especialmente nos Estados Unidos e nos países da Europa: como falta gente com capacitação, as novas tecnologias substituem os técnicos que se aposentam. As conclusões do trabalho do BCG podem ser aplicadas a outros setores que têm uso intensivo de mão de obra, como telecomunicações e transportes.
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CONSUMO
A crise econômica está ficando para trás, mas seus efeitos vão demorar a desaparecer. Um deles está no consumo: o brasileiro ficará mais comedido pelo menos até 2022. Um estudo conduzido pela consultoria britânica Euromonitor mostrou que as vendas de produtos mais caros deverão crescer a uma taxa menor nos próximos anos ou até cair, enquanto as de artigos mais baratos deverão ter um avanço significativo.
O destaque fica com os produtos de cuidado com animais de estimação, cujas vendas deverão crescer 64% no período de 2014 a 2022. Os produtos eletrônicos — em geral, mais caros — deverão ter queda de 9%. “A profundidade da recessão econômica deixou marcas no brasileiro que tornaram seu consumo mais cuidadoso, um hábito que se manterá no médio prazo”, diz Elton Morimitsu, analista de pesquisa da Euromonitor.
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GLOBALIZAÇÃO
O EFEITO DAS BARREIRAS
A onda protecionista global pode gerar um efeito indesejado: a fragmentação digital, que ocorre quando há restrições à circulação de dados, produtos, serviços e profissionais de tecnologia entre os países. O número de leis para controlar o uso de dados cresceu de 324, em 2010, para 1 263, em 2016, entre os membros do G20, que agrega países desenvolvidos e emergentes. “Essas leis são criadas para trazer privacidade ou promover a segurança”, diz Armen Ovanessoff, diretor da consultoria Accenture Research para a América Latina. “Mas elas podem ter consequências negativas não intencionais.”
Um estudo da Accenture, com 402 diretores de tecnologia de empresas com faturamento anual acima de 250 milhões de dólares de Alemanha, Brasil, Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido, mostra que, para 86% deles, o aumento de barreiras à globalização trará problemas como elevação de custos, maior complexidade operacional e comprometimento de planos de crescimento digital dos negócios. Para eles, a chance de suas empresas terem de sair de um mercado, postergar ou abandonar os planos de entrar em um novo país, por causa das barreiras, é de 74% nos próximos três anos.
INFRAESTRUTURA
A SAÍDA PELO NORTE
Porto de Santarém, no Pará: avanço no transporte de grãos até 2025 | João Luiz Bulcão/Tyba
O volume de grãos exportados pelos portos do chamado Arco Norte do país vai mais do que dobrar na próxima década, segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Bain. Os dados mostram que, em 2016, os portos do Norte e do Nordeste do país escoaram 35 milhões de toneladas, mas deverão alcançar 74 milhões de toneladas exportadas em 2025. O maior avanço será dos portos de Vila do Conde e Santarém, ambos no Pará, cuja exportação deverá crescer 23 milhões de toneladas. Apesar do avanço, a maior parte das exportações de graõs ainda será feita pelos portos das regiões Sul e Sudeste do país em 2025.
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ENERGIA RENOVÁVEL
OS QUERIDINHOS DOS INVESTIDORES
Parques eólicos no Piauí: estrangeiros querem investir no Brasil, mas só depois de ir para a China | Luis Salvatore/Pulsar Imagens
Está difícil desbancar a China, mas o Brasil está colado nela quando o assunto é o destino preferido dos investidores de energia renovável. O dado consta de estudo realizado pela consultoria KPMG com 200 executivos de empresas da Ásia, da Europa, do Oriente Médio, da África e das Américas, todas com investimentos diretos no setor de energia renovável. O resultado mostrou que 35% das empresas estão propensas a investir na China nos próximos 12 meses, enquanto 33% disseram que o destino será o Brasil.
Quando o assunto são as fusões e as aquisições no setor de energia, no entanto, o Brasil come poeira: 40% disseram que estão de olho na China, ante apenas 8% no Brasil. “A China atrai por sua boa situação financeira e pela estratégia de investir fortemente em energia renovável até 2020”, diz Franceli- Jodas, sócia do setor de energia da KPMG.
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INTERNET
NO VÁCUO DA OI
Loja da Oi: desbancada pelas menores | Germano Lüders
Um grupo chamado de “operadoras competitivas” de telecomunicações ganhou esse nome porque, apesar de formado por empresas menores e novatas, consegue concorrer num mercado dominado por gigantes. Pois bem, essas operadoras têm mostrado que juntas podem ter um impacto significativo. Dados da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços em Telecomunicações, elaborados em parceria com a consultoria Teleco, mostram que as operadoras competitivas responderam por oito em cada dez novas vendas de banda larga fixa em 2017.
Com o avanço, neste ano o grupo desbancou a posição da Oi, que está toda enrolada num processo de recuperação judicial. Juntas, as operadoras competitivas, que somam 3.500 empresas, alcançaram 22% de participação de mercado, ante 21% da Oi. Há quatro anos, as competitivas tinham apenas 12% do mercado de banda larga fixa no país, e a Oi, 27%. A liderança é da operadora Claro, com 31% de participação, seguida da Vivo, com 26%.
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ENSINO PROFISSIONAL
QUER PAGAR QUANTO?
Cursos de qualificação: os brasileiros querem que eles ofereçam recursos digitais | Fernanda Sampaio/Pulsar Imagens
Metade dos brasileiros está disposta a investir até 499 reais por mês num curso de qualificação para o mercado de trabalho, como um segundo idioma ou a programação de softwares. É o que diz uma pesquisa da Instructure, desenvolvedora americana de softwares para educação profissional, com 500 entrevistas feitas em fevereiro com adultos de todas as regiões brasileiras. Por esse valor, os entrevistados esperam que os cursos ofereçam uma gama de recursos digitais para complementar o aprendizado em sala de aula, como conteúdos online e videoconferência com os professores.
Leia mais em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/mais-produtividade-nas-operacoes/
Segundo o BCG, empresas desse setor podem economizar 50% do tempo nas atividades externas com o apoio de novas tecnologias. Um exemplo é o uso de drones para vistoria e manutenção de redes elétricas. Já o uso da realidade aumentada para assistência técnica remota gera uma oportunidade de economizar 25% no tempo da solução de falhas de equipamento — reduzindo também o prazo de resposta das companhias em caso de queda de energia.
Na prática, as novas tecnologias estão permitindo às empresas investir em times técnicos enxutos, mas altamente especializados. E ainda ajudam a resolver um problema causado pelo envelhecimento da população, especialmente nos Estados Unidos e nos países da Europa: como falta gente com capacitação, as novas tecnologias substituem os técnicos que se aposentam. As conclusões do trabalho do BCG podem ser aplicadas a outros setores que têm uso intensivo de mão de obra, como telecomunicações e transportes.
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CONSUMO
A crise econômica está ficando para trás, mas seus efeitos vão demorar a desaparecer. Um deles está no consumo: o brasileiro ficará mais comedido pelo menos até 2022. Um estudo conduzido pela consultoria britânica Euromonitor mostrou que as vendas de produtos mais caros deverão crescer a uma taxa menor nos próximos anos ou até cair, enquanto as de artigos mais baratos deverão ter um avanço significativo.
O destaque fica com os produtos de cuidado com animais de estimação, cujas vendas deverão crescer 64% no período de 2014 a 2022. Os produtos eletrônicos — em geral, mais caros — deverão ter queda de 9%. “A profundidade da recessão econômica deixou marcas no brasileiro que tornaram seu consumo mais cuidadoso, um hábito que se manterá no médio prazo”, diz Elton Morimitsu, analista de pesquisa da Euromonitor.
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GLOBALIZAÇÃO
O EFEITO DAS BARREIRAS
A onda protecionista global pode gerar um efeito indesejado: a fragmentação digital, que ocorre quando há restrições à circulação de dados, produtos, serviços e profissionais de tecnologia entre os países. O número de leis para controlar o uso de dados cresceu de 324, em 2010, para 1 263, em 2016, entre os membros do G20, que agrega países desenvolvidos e emergentes. “Essas leis são criadas para trazer privacidade ou promover a segurança”, diz Armen Ovanessoff, diretor da consultoria Accenture Research para a América Latina. “Mas elas podem ter consequências negativas não intencionais.”
Um estudo da Accenture, com 402 diretores de tecnologia de empresas com faturamento anual acima de 250 milhões de dólares de Alemanha, Brasil, Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Índia, Japão e Reino Unido, mostra que, para 86% deles, o aumento de barreiras à globalização trará problemas como elevação de custos, maior complexidade operacional e comprometimento de planos de crescimento digital dos negócios. Para eles, a chance de suas empresas terem de sair de um mercado, postergar ou abandonar os planos de entrar em um novo país, por causa das barreiras, é de 74% nos próximos três anos.
INFRAESTRUTURA
A SAÍDA PELO NORTE
Porto de Santarém, no Pará: avanço no transporte de grãos até 2025 | João Luiz Bulcão/Tyba
O volume de grãos exportados pelos portos do chamado Arco Norte do país vai mais do que dobrar na próxima década, segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Bain. Os dados mostram que, em 2016, os portos do Norte e do Nordeste do país escoaram 35 milhões de toneladas, mas deverão alcançar 74 milhões de toneladas exportadas em 2025. O maior avanço será dos portos de Vila do Conde e Santarém, ambos no Pará, cuja exportação deverá crescer 23 milhões de toneladas. Apesar do avanço, a maior parte das exportações de graõs ainda será feita pelos portos das regiões Sul e Sudeste do país em 2025.
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ENERGIA RENOVÁVEL
OS QUERIDINHOS DOS INVESTIDORES
Parques eólicos no Piauí: estrangeiros querem investir no Brasil, mas só depois de ir para a China | Luis Salvatore/Pulsar Imagens
Está difícil desbancar a China, mas o Brasil está colado nela quando o assunto é o destino preferido dos investidores de energia renovável. O dado consta de estudo realizado pela consultoria KPMG com 200 executivos de empresas da Ásia, da Europa, do Oriente Médio, da África e das Américas, todas com investimentos diretos no setor de energia renovável. O resultado mostrou que 35% das empresas estão propensas a investir na China nos próximos 12 meses, enquanto 33% disseram que o destino será o Brasil.
Quando o assunto são as fusões e as aquisições no setor de energia, no entanto, o Brasil come poeira: 40% disseram que estão de olho na China, ante apenas 8% no Brasil. “A China atrai por sua boa situação financeira e pela estratégia de investir fortemente em energia renovável até 2020”, diz Franceli- Jodas, sócia do setor de energia da KPMG.
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INTERNET
NO VÁCUO DA OI
Loja da Oi: desbancada pelas menores | Germano Lüders
Um grupo chamado de “operadoras competitivas” de telecomunicações ganhou esse nome porque, apesar de formado por empresas menores e novatas, consegue concorrer num mercado dominado por gigantes. Pois bem, essas operadoras têm mostrado que juntas podem ter um impacto significativo. Dados da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços em Telecomunicações, elaborados em parceria com a consultoria Teleco, mostram que as operadoras competitivas responderam por oito em cada dez novas vendas de banda larga fixa em 2017.
Com o avanço, neste ano o grupo desbancou a posição da Oi, que está toda enrolada num processo de recuperação judicial. Juntas, as operadoras competitivas, que somam 3.500 empresas, alcançaram 22% de participação de mercado, ante 21% da Oi. Há quatro anos, as competitivas tinham apenas 12% do mercado de banda larga fixa no país, e a Oi, 27%. A liderança é da operadora Claro, com 31% de participação, seguida da Vivo, com 26%.
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ENSINO PROFISSIONAL
QUER PAGAR QUANTO?
Cursos de qualificação: os brasileiros querem que eles ofereçam recursos digitais | Fernanda Sampaio/Pulsar Imagens
Metade dos brasileiros está disposta a investir até 499 reais por mês num curso de qualificação para o mercado de trabalho, como um segundo idioma ou a programação de softwares. É o que diz uma pesquisa da Instructure, desenvolvedora americana de softwares para educação profissional, com 500 entrevistas feitas em fevereiro com adultos de todas as regiões brasileiras. Por esse valor, os entrevistados esperam que os cursos ofereçam uma gama de recursos digitais para complementar o aprendizado em sala de aula, como conteúdos online e videoconferência com os professores.
Leia mais em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/mais-produtividade-nas-operacoes/
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Turbinas eólicas gigantes estão tornando a energia limpa algo corrente
No extremo norte da península de Jutland, na Dinamarca, o vento é tão forte que fileiras de árvores crescem em uma direção, como bandeiras dobradas.
As grandes turbinas de Osterild têm mais de 180 metros de altura e as maiores pás chegam a ter mais de 80 metros de largura, comparáveis às envergaduras de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo Foto: Rasmus Degnbol / New York
O clima implacável nesta longa faixa de terra de cultivo, pântanos e lamaçais – e o laboratório natural que oferece – deu ao país um papel de liderança na transformação da energia eólica em fonte viável de energia limpa.
Com os preços da energia disparando durante a crise do petróleo de 1973, empreendedores começaram a construir pequenas turbinas para vender aos habitantes da localidade.
“Tudo começou por causa do meu interesse em fornecer energia para a fazenda dos meus pais”, disse Henrik Stiesdal, que projetou e construiu os primeiros protótipos com um sócio ferreiro.
As primeiras turbinas geradoras de energia produzidas por pequenas empresas tinham problemas de qualidade. As pás com apenas quatro metros e meio de largura quebravam. Hoje elas são gigantescas, fabricadas por empresas globais que alcançaram enorme sucesso no campo da engenharia.
As grandes turbinas de Osterild têm mais de 180 metros de altura. As maiores pás chegam a ter mais de 80 metros de largura, comparáveis às envergaduras de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo. Seu preço de venda: até 10 milhões de euros ou mais de US$ 12 milhões.
Essa escala monstruosa ajudou a transformar o vento em uma forma corrente de eletricidade. Turbinas maiores aproveitam mais o vento e geram mais energia. As grandes turbinas modernas na costa produzem 20 vezes mais energia do que as construídas há três décadas.
Quanto maiores, menos é o custo de geração de energia. Em áreas do norte da Europa, o vento hoje é uma importante fonte de energia, representando 4% de todo o fornecimento de eletricidade global, segundo a Agência Internacional de Energia.
A partir desses primeiros inovadores dinamarqueses, o setor cresceu e foi dominado por empresas como Vestas Wind Systems e Siemens Gamesa Renewable Energy.
O centro de operações da Siemens está em Brande, uma pequena cidade de Jutland. Foi no início dos anos 1980 que um empreendedor chamado Peter Sorensen fundou ali uma companhia chamada Bonus com alguns operários da empresa de irrigação do seu pai.
A Siemens adquiriu a Bonus em 2004 e hoje Brande abriga enormes núcleos de engenharia, treinamento e manutenção.
Funcionários sentados diante de consoles monitoram os parques eólicos em todo o mundo. Com freqüência, quando um problema afeta uma turbina e ela pára de funcionar, eles conseguem reiniciá-la eletronicamente sem precisar enviar uma equipe de manutenção ao local.
Nas oficinas técnicos constroem modelos instalações e turbinas customizados para testar se os componentes são robustos o suficiente para durarem duas décadas ou mais. As torres são tão altas que elevadores transportam os engenheiros para cima e para baixo. Os passageiros têm de usar um arnês de escalada para o caso de uma queda.
Os rotores são conectados à torre da turbina por uma estrutura – um enorme recinto do tamanho de um trailer com muito espaço dentro para se movimentar. No topo, do lado de fora, estão os rotores. Quando giram toda a coluna balança como um navio no mar.
A fabricação dessas pás é difícil e exige um trabalho intensivo.
Equipes de trabalhadores gradativamente enchem uma matriz com tiras de fibra de vidro intercaladas com madeira balsa para reforçar. Depois injetam resinas e outros materiais químicos para formar uma estrutura endurecida.
Cerca de 1300 pessoas trabalham na fábrica e a produção de uma pá pode levar três dias. Para as fabricantes é difícil alcançar um equilíbrio em termos de tamanho e eficiência.
As pás maiores já pesam cerca de 30 toneladas métricas e torná-las mais largas aumenta o seu peso. E pás com excesso de peso fazem com que as turbinas se desgastem mais rapidamente e sobrecarregam os demais componentes.
O primeiro parque eólico na costa foi construído usando uma barcaça com uma grua montada em um caminhão. Hoje as empresas desenvolveram navios especializados para transportar as turbinas para suas plataformas flutuantes no mar. E enfrentam uma série de desafios, incluindo o impacto da corrosão provocada pela água salgada. Para atender aos parques eólicos longe da praia as equipes de manutenção às vezes vivem em navios especiais.
No início, a construção de uma estrutura eólica nas costas era extremamente cara e os governos ofereciam generosos subsídios para ajudar o setor a se desenvolver. Mas os preços caíram e o apoio do governo acabou, segundo Andreas Nauen, diretor executivo da divisão de energia eólica da Siemens.
Os custos menores, contudo, tornaram a energia eólica mais atraente em todas as partes. Nauen está otimista no sentido de que novos mercados surgirão na Ásia e nos Estados Unidos. “Isto é real”, disse ele. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Fonte: Estadão
Postado por: Raul Motta Junior
Leia mais em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,turbinas-eolicas-gigantes-estao-tornando-a-energia-limpa-algo-corrente,70002282113
As grandes turbinas de Osterild têm mais de 180 metros de altura e as maiores pás chegam a ter mais de 80 metros de largura, comparáveis às envergaduras de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo Foto: Rasmus Degnbol / New York
O clima implacável nesta longa faixa de terra de cultivo, pântanos e lamaçais – e o laboratório natural que oferece – deu ao país um papel de liderança na transformação da energia eólica em fonte viável de energia limpa.
Com os preços da energia disparando durante a crise do petróleo de 1973, empreendedores começaram a construir pequenas turbinas para vender aos habitantes da localidade.
“Tudo começou por causa do meu interesse em fornecer energia para a fazenda dos meus pais”, disse Henrik Stiesdal, que projetou e construiu os primeiros protótipos com um sócio ferreiro.
As primeiras turbinas geradoras de energia produzidas por pequenas empresas tinham problemas de qualidade. As pás com apenas quatro metros e meio de largura quebravam. Hoje elas são gigantescas, fabricadas por empresas globais que alcançaram enorme sucesso no campo da engenharia.
As grandes turbinas de Osterild têm mais de 180 metros de altura. As maiores pás chegam a ter mais de 80 metros de largura, comparáveis às envergaduras de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo. Seu preço de venda: até 10 milhões de euros ou mais de US$ 12 milhões.
Essa escala monstruosa ajudou a transformar o vento em uma forma corrente de eletricidade. Turbinas maiores aproveitam mais o vento e geram mais energia. As grandes turbinas modernas na costa produzem 20 vezes mais energia do que as construídas há três décadas.
Quanto maiores, menos é o custo de geração de energia. Em áreas do norte da Europa, o vento hoje é uma importante fonte de energia, representando 4% de todo o fornecimento de eletricidade global, segundo a Agência Internacional de Energia.
A partir desses primeiros inovadores dinamarqueses, o setor cresceu e foi dominado por empresas como Vestas Wind Systems e Siemens Gamesa Renewable Energy.
O centro de operações da Siemens está em Brande, uma pequena cidade de Jutland. Foi no início dos anos 1980 que um empreendedor chamado Peter Sorensen fundou ali uma companhia chamada Bonus com alguns operários da empresa de irrigação do seu pai.
A Siemens adquiriu a Bonus em 2004 e hoje Brande abriga enormes núcleos de engenharia, treinamento e manutenção.
Funcionários sentados diante de consoles monitoram os parques eólicos em todo o mundo. Com freqüência, quando um problema afeta uma turbina e ela pára de funcionar, eles conseguem reiniciá-la eletronicamente sem precisar enviar uma equipe de manutenção ao local.
Nas oficinas técnicos constroem modelos instalações e turbinas customizados para testar se os componentes são robustos o suficiente para durarem duas décadas ou mais. As torres são tão altas que elevadores transportam os engenheiros para cima e para baixo. Os passageiros têm de usar um arnês de escalada para o caso de uma queda.
Os rotores são conectados à torre da turbina por uma estrutura – um enorme recinto do tamanho de um trailer com muito espaço dentro para se movimentar. No topo, do lado de fora, estão os rotores. Quando giram toda a coluna balança como um navio no mar.
A fabricação dessas pás é difícil e exige um trabalho intensivo.
Equipes de trabalhadores gradativamente enchem uma matriz com tiras de fibra de vidro intercaladas com madeira balsa para reforçar. Depois injetam resinas e outros materiais químicos para formar uma estrutura endurecida.
Cerca de 1300 pessoas trabalham na fábrica e a produção de uma pá pode levar três dias. Para as fabricantes é difícil alcançar um equilíbrio em termos de tamanho e eficiência.
As pás maiores já pesam cerca de 30 toneladas métricas e torná-las mais largas aumenta o seu peso. E pás com excesso de peso fazem com que as turbinas se desgastem mais rapidamente e sobrecarregam os demais componentes.
O primeiro parque eólico na costa foi construído usando uma barcaça com uma grua montada em um caminhão. Hoje as empresas desenvolveram navios especializados para transportar as turbinas para suas plataformas flutuantes no mar. E enfrentam uma série de desafios, incluindo o impacto da corrosão provocada pela água salgada. Para atender aos parques eólicos longe da praia as equipes de manutenção às vezes vivem em navios especiais.
No início, a construção de uma estrutura eólica nas costas era extremamente cara e os governos ofereciam generosos subsídios para ajudar o setor a se desenvolver. Mas os preços caíram e o apoio do governo acabou, segundo Andreas Nauen, diretor executivo da divisão de energia eólica da Siemens.
Os custos menores, contudo, tornaram a energia eólica mais atraente em todas as partes. Nauen está otimista no sentido de que novos mercados surgirão na Ásia e nos Estados Unidos. “Isto é real”, disse ele. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Fonte: Estadão
Postado por: Raul Motta Junior
Leia mais em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,turbinas-eolicas-gigantes-estao-tornando-a-energia-limpa-algo-corrente,70002282113
terça-feira, 24 de abril de 2018
Um continente de energias renováveis
A Comunidade Europeia caminha para ser um continente movido a energias renováveis e não poluentes. Diferentemente do Brasil, a Europa não possui grandes rios com bons desníveis para a construção de grandes hidrelétricas. E, hoje em dia, mesmo se tivesse, a questão ambiental provocada pela inundação de grandes áreas não permitiria tais construções.
E com a superpopulação das grandes cidades, a poluição ambiental virou um tema constante. A geração de energia na Europa está baseada em gás natural, energia nuclear, solar e eólica. Cada país focou na matriz que mais lhe interessava, e as opções foram as mais distintas. Isso deveu-se a razões econômicas e geopolíticas. As discrepâncias foram grandes, e exemplificando temos a França com a opção da energia nuclear como ponto forte de sua matriz (energia limpa, mas com problemas do lixo nuclear) e a Alemanha optando pelo gás natural e as energias eólica e solar.
Portugal, foco de meus artigos, tem uma das opções mais interessantes. A matriz energética portuguesa é composta por diversas pequenas centrais hidrelétricas, centrais térmicas a gás natural e diversas plantas eólicas espalhadas pelo pais. Além destas, Portugal tem, nos últimos anos, incentivado a geração distribuída, através da energia solar ou fotovoltaica. Indo a Portugal, é interessante observar dos pontos elevados das cidades, tipo o Castelo de São Jorge, em Lisboa, a quantidade de placas solares nos telhados de edifícios comerciais e de residências. E o preço de instalação destes equipamentos nas residências vem diminuindo bastante nos últimos anos, dado que são muitos os produtores e instaladores oferecendo tais produtos e serviços, gerando economia de escala.
Outro fato interessante é que, ao contratar energia para sua residência ou negócio, o consumidor pode optar por qual tipo de fonte de energia quer receber, ou seja, de uma usina eólica ou de uma térmica a gás, por exemplo. Isto dá ao consumidor a opção de ser um consumidor mais responsável sob o ponto de vista energético. E, o sistema de energia elétrica português está integrado aos sistemas espanhol e francês. Em caso de crise de energia em algum país, o outro pode fornecer energia. E existe um órgão transnacional que regula este sistema.
No tocante à poluição atmosférica das grandes cidades, vê-se que o óleo diesel (ou gasóleo como dizem os portugueses) é o grande vilão. Por ser mais poluente do que a gasolina, grandes cidades como Madri e Paris, estão banindo os carros a diesel a partir da próxima década. Percebendo isto, as grandes fabricantes de veículos estão investindo pesado em carros elétricos e híbridos.
Portugal não está atrás nesta corrida. Os incentivos oficiais e a participação do governo português para a adoção de carros elétricos ou híbridos são grandes. Aliás, me lembro de uma palestra que assisti no Cresesb-Cepel em 2000, onde o palestrante principal era o deputado alemão Hermam Scheer, autor da lei alemã de energias renováveis. Nesta palestra, ele foi enfático ao dizer que a adoção de energias renováveis na matriz energética de um país não é uma decisão econômica e sim, de política de governo.
Portugal tem hoje 1.250 pontos públicos de carregamento, onde o proprietário de um carro elétrico ou híbrido só paga o carregamento, não o estacionamento. Estes números são do Consórcio Mobi. E, consórcio de empresas de energia e fabricantes de postos de carregamento, responsável pela instalação dos mesmos. A meta é chegar a mais de 10 mil pontos na próxima década. Além disto, ocorreu a alteração da lei de construções, que obrigará, a partir de 2019, que novas construções (prédios ou casas) possuam instalações para carregamento destes veículos.
Hoje, ao se adquirir um veículo elétrico, o governo português dá ao consumidor um subsídio de 2.250 €. A partir de 2018, por questões orçamentárias, este incentivo será dado aos primeiros 1.500 consumidores. Até o ano passado não havia tal limite. Além disso, o governo dá a isenção do ISV (o IPVA deles), e uma limitação do IUC (imposto único de circulação) a um máximo de 35,80 €. Motos elétricas têm um abatimento no seu preço de compra de 20%, limitado ao valor de 400 €.
Outro dado interessante é que Portugal está na competição para abrigar a fábrica europeia de baterias de carros elétricos da fabricante Tesla Motors.
E se você estiver em Portugal, a turismo e principalmente no verão, procure ir a uma feira ou exposição de veículos elétricos. Todas as grandes e médias cidades abrigam eventos desta natureza. Antes de viajar, faça uma pesquisa na internet, e aproveite para ver e, mesmo, fazer um test drive em alguns destes veículos. Eu fiz e gostei.
*Consultor de empresas Para maiores informações e detalhes pesquisem em www.universia.pt.
Leia mais em: http://www.jb.com.br/artigo/noticias/2018/04/23/um-continente-de-energias-renovaveis/
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Energia deve ficar mais cara
O presidente Michel Temer assinou nessa quinta-feira (19) decreto que inclui a Eletrobras no Plano Nacional de Desestatização (PND). Porém, a venda de seis distribuidoras de energia, incluída no pacote de reestruturação da estatal, preocupa o Ministério Público de Contas (MPC), que atua no Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o órgão, a operação provocará enriquecimento sem causa de agentes privados e aumento de tarifas ao consumidor.
Em relatório, o MPC questiona o modelo adotado para leiloar as empresas, o que levou a corte a adiar em pelo menos 30 dias o julgamento que vai deliberar sobre a aprovação ou não do edital.
A ideia é vender as distribuidoras, que pertencem à Eletrobras, com as respectivas concessões para a exploração do serviço público, cujos direitos são da União. Essa opção foi feita com o argumento de que ela seria menos onerosa em R$ 5,4 bilhões para a estatal.
Para a procuradora geral do Ministério Público no TCU, Cristina Machado da Costa e Silva, a “venda casada” faria a União perder, no entanto, R$ 10,27 bilhões em favor da Eletrobras. Esse valor corresponde às outorgas a serem pagas pelos novos concessionários do serviço. “A venda associada implica a apropriação indevida pela Eletrobras da outorga dos serviços. Fosse o capital social da Eletrobras estritamente da União, os problemas seriam menores. Não obstante, como informado, 36% das ações são de propriedade privada. Assim, por exemplo, uma injeção de R$ 10,27 bilhões na Eletrobras significaria a transferência indevida de R$ 3,7 bilhões para agentes privados, configurando enriquecimento sem causa desses acionistas”, escreveu.
Para ela, o aval para a privatização tem de levar em conta não só a vantagem econômica para a estatal, mas “aspectos patrimoniais da União e a adequação do serviço público ao pleno atendimento” dos cidadãos.
A reestruturação da Eletrobras é uma apostas do governo Temer para fechar as contas públicas. As distribuidoras foram incluídas no pacote porque, segundo o governo, dão prejuízo à estatal. Está previsto o leilão das companhias energéticas de Piauí (Cepisa), Alagoas (Ceal), Acre (Eletroacre) e Rondônia (Ceron), além da Boa Vista Energia e da Amazonas Distribuidora de Energia. Caso não haja compradores, a opção do governo será liquidar as empresas.
EPE. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que planeja o setor no Brasil, será presidida pelo engenheiro Reive Barros, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Rodrigo Maia vê dificuldades
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nessa quinta-feira (19) que continua trabalhando pela aprovação da privatização da Eletrobras na Casa, mas admitiu dificuldades na organização da base governista em torno da polêmica proposta do Palácio do Planalto.
“A base tem tido dificuldade para organizar sua maioria até para aprovar requerimentos”, disse o também pré-candidato do DEM à Presidência da República. “Mas tenho trabalhado a favor, acredito que é importante, que a modelagem é boa. Se a gente conseguir que o setor privado assuma o setor, temos condições de ter mais investimentos e o Estado brasileiro vai deixar de gastar da sociedade recursos para manter um sistema ineficiente”, completou.
Presidente da estatal está otimista
O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., disse nessa quinta-feira (19) que está otimista com o processo de privatização da empresa, embora tenha havido alterações de calendário. “Sou otimista. Há entendimentos nas esferas de governo e na Câmara para isso. Vamos viabilizar no mês de junho”, afirmou. Segundo o executivo,as seis distribuidoras deficitárias, que tinham leilão previsto para o fim de maio, agora deverão ser vendidas em meados de junho. A confirmação da data depende, no entanto, de parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) e de um acordo com a Petrobras sobre uma dívida de R$ 20 bilhões da Amazonas Energia, referente ao consumo de combustível por térmicas da distribuidora de eletricidade. Em relação ao TCU, Ferreira Jr. disse ainda que a companhia não teve acesso a parecer questionando o modelo para leiloar essas empresas que traria possível alta de tarifa.
Fonte: O Tempo
Leia mais em: http://www.otempo.com.br/capa/economia/energia-deve-ficar-mais-cara-1.1602080
Em relatório, o MPC questiona o modelo adotado para leiloar as empresas, o que levou a corte a adiar em pelo menos 30 dias o julgamento que vai deliberar sobre a aprovação ou não do edital.
A ideia é vender as distribuidoras, que pertencem à Eletrobras, com as respectivas concessões para a exploração do serviço público, cujos direitos são da União. Essa opção foi feita com o argumento de que ela seria menos onerosa em R$ 5,4 bilhões para a estatal.
Para a procuradora geral do Ministério Público no TCU, Cristina Machado da Costa e Silva, a “venda casada” faria a União perder, no entanto, R$ 10,27 bilhões em favor da Eletrobras. Esse valor corresponde às outorgas a serem pagas pelos novos concessionários do serviço. “A venda associada implica a apropriação indevida pela Eletrobras da outorga dos serviços. Fosse o capital social da Eletrobras estritamente da União, os problemas seriam menores. Não obstante, como informado, 36% das ações são de propriedade privada. Assim, por exemplo, uma injeção de R$ 10,27 bilhões na Eletrobras significaria a transferência indevida de R$ 3,7 bilhões para agentes privados, configurando enriquecimento sem causa desses acionistas”, escreveu.
Para ela, o aval para a privatização tem de levar em conta não só a vantagem econômica para a estatal, mas “aspectos patrimoniais da União e a adequação do serviço público ao pleno atendimento” dos cidadãos.
A reestruturação da Eletrobras é uma apostas do governo Temer para fechar as contas públicas. As distribuidoras foram incluídas no pacote porque, segundo o governo, dão prejuízo à estatal. Está previsto o leilão das companhias energéticas de Piauí (Cepisa), Alagoas (Ceal), Acre (Eletroacre) e Rondônia (Ceron), além da Boa Vista Energia e da Amazonas Distribuidora de Energia. Caso não haja compradores, a opção do governo será liquidar as empresas.
EPE. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que planeja o setor no Brasil, será presidida pelo engenheiro Reive Barros, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Rodrigo Maia vê dificuldades
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nessa quinta-feira (19) que continua trabalhando pela aprovação da privatização da Eletrobras na Casa, mas admitiu dificuldades na organização da base governista em torno da polêmica proposta do Palácio do Planalto.
“A base tem tido dificuldade para organizar sua maioria até para aprovar requerimentos”, disse o também pré-candidato do DEM à Presidência da República. “Mas tenho trabalhado a favor, acredito que é importante, que a modelagem é boa. Se a gente conseguir que o setor privado assuma o setor, temos condições de ter mais investimentos e o Estado brasileiro vai deixar de gastar da sociedade recursos para manter um sistema ineficiente”, completou.
Presidente da estatal está otimista
O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., disse nessa quinta-feira (19) que está otimista com o processo de privatização da empresa, embora tenha havido alterações de calendário. “Sou otimista. Há entendimentos nas esferas de governo e na Câmara para isso. Vamos viabilizar no mês de junho”, afirmou. Segundo o executivo,as seis distribuidoras deficitárias, que tinham leilão previsto para o fim de maio, agora deverão ser vendidas em meados de junho. A confirmação da data depende, no entanto, de parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) e de um acordo com a Petrobras sobre uma dívida de R$ 20 bilhões da Amazonas Energia, referente ao consumo de combustível por térmicas da distribuidora de eletricidade. Em relação ao TCU, Ferreira Jr. disse ainda que a companhia não teve acesso a parecer questionando o modelo para leiloar essas empresas que traria possível alta de tarifa.
Fonte: O Tempo
Leia mais em: http://www.otempo.com.br/capa/economia/energia-deve-ficar-mais-cara-1.1602080
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Cemig quer comprar energia de usinas eólicas e solares em contratos de 20 anos
A elétrica mineira Cemig quer comprar a produção futura de usinas eólicas e solares por meio de um leilão em formato inédito, que oferecerá aos empreendedores contratos para a venda da geração por um período de 20 anos a partir de 2022, disse à Reuters um executivo da companhia nesta segunda-feira.
O movimento visa ampliar o volume de energia da empresa para atender clientes no mercado livre de eletricidade, após o vencimento de concessões de quatro grandes hidrelétricas da estatal no final do ano passado e com o fim de alguns de seus contratos de compra de eletricidade nos próximos anos.
No chamado mercado livre, geradores e comercializadoras de energia negociam contratos entre si ou diretamente com grandes clientes, como indústrias e shoppings centers.
"Para construir uma usina, eu teria que fazer um investimento grande agora para ter energia disponível em 2022. Agora, se compro energia para revenda, já não preciso fazer desembolso agora, só lá na frente, e isso permite à gente manter nossa participação no mercado livre. E, dependendo do resultado do leilão, até ampliar", disse o superintendente de Compra e Venda de Energia no Atacado da Cemig, Marcos Aurélio Junior.
Agendado para 16 de maio, o leilão da Cemig terá regras parecidas com licitações promovidas pelo governo para viabilizar novos empreendimentos de geração, nas quais as compradoras da produção das usinas são o conjunto das distribuidoras de eletricidade do país.
"A gente procurou fazer algo bem parecido porque sabemos que o contrato do governo é um contrato que o empreendedor gosta... é um contrato longo, que dá o conforto necessário para o investidor recuperar seus investimentos. Porque o mercado livre, em geral, tem essa característica de que os contratos não são longos", explicou o executivo.
Ele disse que a Cemig não divulgará quanto em energia pretende comprar no leilão, o que também dependerá dos preços oferecidos pelos vendedores.
A tarifa máxima a ser praticada pelos projetos será divulgada pela empresa no dia da concorrência, apenas para os competidores habilitados.
Nos leilões do governo, os custos dos novos projetos de usinas eólicas e solares têm alcançado valores cada vez menores. O último certame, o chamado "A-4", em abril, contratou cerca de 800 megawatts em empreendimentos aos menores preços já vistos.
"Posso garantir, até pela publicidade que estamos dando a esse processo, que não será uma coisa pequena. Mas também vai depender... se os preços vierem no patamar do último A-4 pode, sim, ser um volume expressivo", disse Aurélio, ao ser questionado sobre o montante a ser negociado no leilão.
"Um leilão desse tipo no mercado livre é uma coisa até inédita... claro que isso é uma estratégia de comercialização da Cemig, mas também ajuda na expansão do sistema para atender ao crescimento do mercado livre, e com duas fontes que estão se mostrando bastante competitivas", adicionou o superintendente.
Ele disse que a Cemig possui uma participação de cerca de 20 por cento no mercado livre de eletricidade.
REGRAS
Poderão participar do leilão da Cemig apenas projetos eólicos e solares que chegaram a ser habilitados pelo governo a participar do último leilão A-4, realizado no início do mês.
A Cemig poderá comprar até 100 por cento da energia dos empreendimentos, de acordo com o perfil de produção das usinas, em contratos de 20 anos com início em janeiro de 2022 e correção pela inflação (IPCA).
Eventuais antecipações dos projetos poderão ser negociadas entre as partes, e mesmo usinas que venderam parte da produção no leilão A-4 poderão entrar na concorrência.
"Quem vendeu, mas não comprometeu toda energia da usina com o leilão do governo, pode participar também... se ele já vendeu no leilão, ou quiser vender para outro comprador, a gente dá essa flexibilidade. Não necessariamente tem que vender tudo para a Cemig", afirmou Aurélio.
Para se proteger contra eventuais riscos de os projetos que venderam energia não serem viabilizados, o leilão terá uma regra que obriga os investidores a entregar em determinado prazo uma série de documentos que atestem a viabilidade dos projetos e o andamento de sua execução.
Além disso, será pedido um aporte de garantias junto aos participantes, que poderão ser executadas pela Cemig em caso de problemas nos empreendimentos.
Leia mais em: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/04/epoca-negocios-cemig-quer-comprar-energia-de-usinas-eolicas-e-solares-em-contratos-de-20-anos.html
O movimento visa ampliar o volume de energia da empresa para atender clientes no mercado livre de eletricidade, após o vencimento de concessões de quatro grandes hidrelétricas da estatal no final do ano passado e com o fim de alguns de seus contratos de compra de eletricidade nos próximos anos.
No chamado mercado livre, geradores e comercializadoras de energia negociam contratos entre si ou diretamente com grandes clientes, como indústrias e shoppings centers.
"Para construir uma usina, eu teria que fazer um investimento grande agora para ter energia disponível em 2022. Agora, se compro energia para revenda, já não preciso fazer desembolso agora, só lá na frente, e isso permite à gente manter nossa participação no mercado livre. E, dependendo do resultado do leilão, até ampliar", disse o superintendente de Compra e Venda de Energia no Atacado da Cemig, Marcos Aurélio Junior.
Agendado para 16 de maio, o leilão da Cemig terá regras parecidas com licitações promovidas pelo governo para viabilizar novos empreendimentos de geração, nas quais as compradoras da produção das usinas são o conjunto das distribuidoras de eletricidade do país.
"A gente procurou fazer algo bem parecido porque sabemos que o contrato do governo é um contrato que o empreendedor gosta... é um contrato longo, que dá o conforto necessário para o investidor recuperar seus investimentos. Porque o mercado livre, em geral, tem essa característica de que os contratos não são longos", explicou o executivo.
Ele disse que a Cemig não divulgará quanto em energia pretende comprar no leilão, o que também dependerá dos preços oferecidos pelos vendedores.
A tarifa máxima a ser praticada pelos projetos será divulgada pela empresa no dia da concorrência, apenas para os competidores habilitados.
Nos leilões do governo, os custos dos novos projetos de usinas eólicas e solares têm alcançado valores cada vez menores. O último certame, o chamado "A-4", em abril, contratou cerca de 800 megawatts em empreendimentos aos menores preços já vistos.
"Posso garantir, até pela publicidade que estamos dando a esse processo, que não será uma coisa pequena. Mas também vai depender... se os preços vierem no patamar do último A-4 pode, sim, ser um volume expressivo", disse Aurélio, ao ser questionado sobre o montante a ser negociado no leilão.
"Um leilão desse tipo no mercado livre é uma coisa até inédita... claro que isso é uma estratégia de comercialização da Cemig, mas também ajuda na expansão do sistema para atender ao crescimento do mercado livre, e com duas fontes que estão se mostrando bastante competitivas", adicionou o superintendente.
Ele disse que a Cemig possui uma participação de cerca de 20 por cento no mercado livre de eletricidade.
REGRAS
Poderão participar do leilão da Cemig apenas projetos eólicos e solares que chegaram a ser habilitados pelo governo a participar do último leilão A-4, realizado no início do mês.
A Cemig poderá comprar até 100 por cento da energia dos empreendimentos, de acordo com o perfil de produção das usinas, em contratos de 20 anos com início em janeiro de 2022 e correção pela inflação (IPCA).
Eventuais antecipações dos projetos poderão ser negociadas entre as partes, e mesmo usinas que venderam parte da produção no leilão A-4 poderão entrar na concorrência.
"Quem vendeu, mas não comprometeu toda energia da usina com o leilão do governo, pode participar também... se ele já vendeu no leilão, ou quiser vender para outro comprador, a gente dá essa flexibilidade. Não necessariamente tem que vender tudo para a Cemig", afirmou Aurélio.
Para se proteger contra eventuais riscos de os projetos que venderam energia não serem viabilizados, o leilão terá uma regra que obriga os investidores a entregar em determinado prazo uma série de documentos que atestem a viabilidade dos projetos e o andamento de sua execução.
Além disso, será pedido um aporte de garantias junto aos participantes, que poderão ser executadas pela Cemig em caso de problemas nos empreendimentos.
Leia mais em: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/04/epoca-negocios-cemig-quer-comprar-energia-de-usinas-eolicas-e-solares-em-contratos-de-20-anos.html
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Agência Internacional de Energia Renovável prevê crescimento até 2050
Aumentar a velocidade de adoção das energias renováveis em escala global em pelo menos seis vezes é fator crítico para atender às necessidades de redução de emissões relacionadas à energia pelo Acordo de Paris e pode limitar o aumento da temperatura global a dois graus, de acordo com a última edição do cenário de energia renovável de longo prazo da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).
Transformação Energética Global: Um Roteiro para 2050, lançado hoje durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, também conclui que um aumento cumulativo do investimento no sistema energético em 30% até 2050 em favor de energia renovável e eficiência energética pode criar mais de 11 milhões de empregos no setor energético, compensando completamente as perdas no segmento de combustíveis fósseis.
A ação imediata também reduzirá a escala e o valor dos ativos ociosos relacionados à energia no futuro. O estudo prevê até US$ 11 trilhões de ativos de energia ociosos até 2050 – um valor que pode dobrar se a ação sofrer mais atrasos.
“A energia renovável e a eficiência energética formam a base da solução mundial para as emissões de CO2 relacionadas à energia e podem fornecer mais de 90% das reduções de emissão de CO2 relacionadas à energia necessárias para manter o aumento da temperatura global em dois graus”, destacou o Diretor Geral da IRENA, Adnan Z. Amin.
“Se quisermos descarbonizar a energia global com rapidez suficiente para evitar os impactos mais severos da mudança climática, as energias renováveis devem representar pelo menos dois terços da energia total até 2050. A transformação não apenas apoiará objetivos climáticos, como também resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tirando milhões da pobreza energética, aumentando a independência energética e estimulando o crescimento sustentável do emprego”, acrescentou Amin.
“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar ainda na nossa geração o paradigma de desenvolvimento global – passando de um de escassez, desigualdade e competição para um de prosperidade compartilhada. Essa é uma oportunidade que devemos aproveitar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”.
Os planos atuais dos governos ficam aquém das necessidades de redução de emissões. Na trajetória de hoje, o mundo exauriria seu “orçamento de carbono” (CO2) relacionado à energia para 2oC em menos de 20 anos, apesar do contínuo e forte crescimento nas adições de capacidade renovável.
No final de 2017, a capacidade de geração renovável global aumentou em 167 GW e atingiu 2.179 GW em todo o mundo – um crescimento anual de 8,3%. No entanto, sem um aumento de escala, os combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão continuariam a dominar o mix energético global até 2050.
A análise da IRENA delineia um sistema energético no qual as energias renováveis respondem por dois terços do consumo final total de energia e 85% da geração de energia até 2050 – acima de 18% e 25%, respectivamente hoje.
Para conseguir isso, é necessária uma aceleração de pelo menos seis vezes da energia renovável, tanto por meio do aumento da eletrificação do transporte e dos sistemas de aquecimento, quanto pelo uso mais direto de fontes renováveis.
A eletrificação e a energia renovável são os principais impulsionadores descritos no relatório, com a capacidade solar e eólica liderando a transformação de energia.
Leia mais em: https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2018/04/agencia-internacional-de-energia-renovavel-preve-crescimento-ate-2050/34004
Transformação Energética Global: Um Roteiro para 2050, lançado hoje durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, também conclui que um aumento cumulativo do investimento no sistema energético em 30% até 2050 em favor de energia renovável e eficiência energética pode criar mais de 11 milhões de empregos no setor energético, compensando completamente as perdas no segmento de combustíveis fósseis.
A ação imediata também reduzirá a escala e o valor dos ativos ociosos relacionados à energia no futuro. O estudo prevê até US$ 11 trilhões de ativos de energia ociosos até 2050 – um valor que pode dobrar se a ação sofrer mais atrasos.
“A energia renovável e a eficiência energética formam a base da solução mundial para as emissões de CO2 relacionadas à energia e podem fornecer mais de 90% das reduções de emissão de CO2 relacionadas à energia necessárias para manter o aumento da temperatura global em dois graus”, destacou o Diretor Geral da IRENA, Adnan Z. Amin.
“Se quisermos descarbonizar a energia global com rapidez suficiente para evitar os impactos mais severos da mudança climática, as energias renováveis devem representar pelo menos dois terços da energia total até 2050. A transformação não apenas apoiará objetivos climáticos, como também resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tirando milhões da pobreza energética, aumentando a independência energética e estimulando o crescimento sustentável do emprego”, acrescentou Amin.
“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar ainda na nossa geração o paradigma de desenvolvimento global – passando de um de escassez, desigualdade e competição para um de prosperidade compartilhada. Essa é uma oportunidade que devemos aproveitar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”.
Os planos atuais dos governos ficam aquém das necessidades de redução de emissões. Na trajetória de hoje, o mundo exauriria seu “orçamento de carbono” (CO2) relacionado à energia para 2oC em menos de 20 anos, apesar do contínuo e forte crescimento nas adições de capacidade renovável.
No final de 2017, a capacidade de geração renovável global aumentou em 167 GW e atingiu 2.179 GW em todo o mundo – um crescimento anual de 8,3%. No entanto, sem um aumento de escala, os combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão continuariam a dominar o mix energético global até 2050.
A análise da IRENA delineia um sistema energético no qual as energias renováveis respondem por dois terços do consumo final total de energia e 85% da geração de energia até 2050 – acima de 18% e 25%, respectivamente hoje.
Para conseguir isso, é necessária uma aceleração de pelo menos seis vezes da energia renovável, tanto por meio do aumento da eletrificação do transporte e dos sistemas de aquecimento, quanto pelo uso mais direto de fontes renováveis.
A eletrificação e a energia renovável são os principais impulsionadores descritos no relatório, com a capacidade solar e eólica liderando a transformação de energia.
Leia mais em: https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2018/04/agencia-internacional-de-energia-renovavel-preve-crescimento-ate-2050/34004
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