quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Eólica: Brasil comemora a marca de 10 GW em potência instalada

O setor eólico comemorou oficialmente nesta terça-feira, 30 de agosto, a marca de 10 GW em capacidade instalada no país. Esse volume foi obtido no dia 25 de agosto quando entrou em operação comercial o 400º parque em território nacional. São quase 5,3 mil aerogeradores no país. E a fonte se prepara para chegar aos 20 GW em menos tempo, pois já há contratados até 2020 quase 9 GW, elevando a potência total do país a 18,4 GW, montante este que deverá aumentar com a realização do Leilão de Energia de Reserva, agendado para dezembro.
De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica, a fonte, que começou a ser inserida de forma mais incisiva a partir de 2009, já alcançou 7% da matriz elétrica. A presidente executiva da entidade, Élbia Gannoum, destacou durante a abertura da 7ª edição do Brasil Windpower, evento que é realizado no Rio de Janeiro até a próxima quinta-feira, 1º de setembro, os diversos números que a fonte atingiu neste período.
Entre esses está a geração de 41 mil postos de trabalho, investimentos acumulados de R$ 60 bilhões desde 1998, recordes de geração de energia como no dia 1º de agosto às 10 horas, quando a fonte representou 10% do SIN com 6.159 MW e fator de capacidade de 72%. E ainda que a perspectiva seja promissora já que é a fonte que mais tem participado da expansão o sistema e cujo potencial total do país ultrapassa os 500 GW.
“Muito em breve seremos a segunda fonte de energia da matriz elétrica nacional. Éramos chamados de fonte alternativa há pouco tempo, passamos a ser complementar e agora surgiu um novo termo que é de fonte renovável moderna. A fonte eólica traz a reposta à transformação energética pela qual o país passa e está trazendo um novo jeito de promover investimentos no setor energético nacional”, afirmou a executiva no principal evento de energia eólica da América Latina.
Os principais estados em termos de potencial instalado no Brasil são o Rio Grande do Norte com 115 parques e 3.164 MW, seguido da Bahia com 73 usinas e 1.897 MW, em terceiro está o Rio Grande do Sul com 66 parques e 1.568 MW e, bem próximo, aparece o Ceará com 50 usinas por onde se dividem 1.580 MW de potência instalada. Mas, a fonte ainda enfrenta desafios. Segundo Edgard Corrochano, diretor geral da Gamesa, em um vídeo apresentado na abertura, questões como financiabilidade de projetos, a existência de linhas de transmissão para o escoamento da energia e a previsibilidade e estabilidade na contratação de projetos nos leilões A-3, A-5 e LER são fundamentais para que o Brasil ganhe mais eficiência.
Com a marca dos 20 GW já garantidos mesmo pouco após ter alcançado os 10 GW, Élbia destacou que a terceira tranche de 10 GW é o desafio a ser enfrentado. De acordo com ela, fatores como a demanda de energia, as questões de financiamento e os critérios de margem de escoamento estarão no centro das discussões. Ainda segundo ela, no curto prazo é necessário que a demanda de energia volte com força. "Não estamos tendo crescimento que justifique a contratação. Tem que voltar a crescer para contratar", avisa.
O presidente do Global Wind Energy Council (GWEC) Steve Sawyer, por sua vez, ressaltou ainda que a América Latina será uma região onde a fonte eólica continuará sua curva de crescimento a despeito dos desafios que fazem frente ao setor. E ainda, que será o Brasil o a liderar esse desenvolvimento do mercado eólico. Tanto é assim que o país foi o quarto maior mercado de expansão eólica no mundo, atrás apenas da China, Estados Unidos e Alemanha, segundo a entidade, com 4,3% da demanda global da fonte.
Em sua participação no evento, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, ressaltou que o governo tem se esforçado em conciliar as demandas do setor elétrico, sejam estruturais ou as conjunturais no sentido de atrair a retomada dos investimentos na expansão para o país voltar a crescer. E que no contexto das metas assumidas pelo país na COP-21, de ter 23% da matriz elétrica proveniente de fontes renováveis fora a hidroeletricidade, a eólica tem papel preponderante para que seja esse índice seja alcançado. “A geração eólica e a indústria é um caso de sucesso no Brasil. Sucesso que precisa ser ampliado e mantido. Há muito a se fazer e cabe ao governo transformar os desafios em oportunidades”, acrescentou ele.
Ainda na abertura do evento foi entregue a Bento Koike, fundador da Tecsis, a Odilon Camargo, presidente da Camargo Schubert, e Mário Araripe, presidente da Casa dos Ventos, a homenagem de Embaixador do Vento pela obra dessas personalidades e sua contribuição ao desenvolvimento do setor eólico. “Se tivéssemos a olimpíada do vento, teríamos a velocidade dos jamaicanos e a regularidade dos quenianos”, comparou Araripe ao receber a honraria. Ele citou ainda a crise econômica pelo qual o Brasil passa e suas dificuldades como a redução de carga, um fato novo em meio aos últimos anos. “O vento pede cuidado, pois a eólica continuar a ser o motor de retomada do crescimento do país”, discursou.
Já Odilon Camargo lembrou que percorreu o interior dos estados brasileiros e relatou que viu muita pobreza nessas regiões. E que a eólica promoveu uma transformação por onde passou. “Tenho a certeza, depois de 40 anos, que a gente sempre deve olhar é para o futuro. E a eólica ficará mais fácil, reduzirá custos e expandirá para outros estados. As máquinas tendem a crescer. O futuro é brilhante (...)há muita coisa para acontecer para as próximas gerações”, finalizou.
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

EPE: produção de energia eólica cresce 77,1% em 2015

A produção de eletricidade a partir da fonte eólica alcançou 21.626 GWh em 2015, equivalente a um aumento de 77,1% em relação ao ano anterior, quando atingiu 12.210 GWh, superando a geração nuclear. No ano passado, a potência instalada para geração eólica expandiu 56% e a solar, 40%. Os dados constam do Balanço Energético Nacional 2016, com base em dados de 2015, divulgado nesta segunda-feira, 29 de agosto, pela Empresa de Pesquisa Energética. Segundo o documento, a capacidade total instalada de geração no Brasil alcançou 140.858 MW no período, o que revela um aumento de 6.945 MW em relação a 2014.
Na expansão da capacidade instalada, as centrais hidrelétricas contribuíram com 35,4%, enquanto as centrais térmicas responderam por 25%. As usinas eólicas e solares foram responsáveis pelos 39,6% restantes, mostrando que o Brasil está cada dia com uma matriz mais limpa. De acordo com o BEN, a oferta interna de energia a partir das fontes não renováveis representou 58,8% em 2015, abaixo dos 60,6% registrados em 2014. Por outro lado, a oferta interna de energia renovável subiu de 39,4% para 41,2% no mesmo período.
A oferta interna de energia elétrica apresentou um recuo de 1,3% em relação a 2014. Pelo quarto ano consecutivo, devido às condições hidrológicas desfavoráveis, houve redução da energia hidráulica disponibilizada. Em 2015, segundo o BEN, o decréscimo foi de 3,2% comparado ao ano anterior. Apesar da menor oferta hídrica, ocorreu um avanço da participação de renováveis na matriz elétrica de 74,6% para 75,5%, explicado pela queda da geração térmica a base de derivados de petróleo e ao incremento da geração a base de biomassa e eólica.
O consumo final energético e não energético recuou 1,9% em relação ao ano anterior, destaque para a queda significativa de 3,1% e 2,6% nos consumos dos setores industrial e de transporte, respectivamente. Pelo relatório, o consumo final de eletricidade no país em 2015 registrou queda de 1,8%. Os setores que mais contribuíram para a redução foram o residencial, com decréscimo de 0,7%, e o industrial, com retração de 5%.
O BEN incorpora a partir do ano base 2015 as estatísticas referentes à micro e minigeração distribuída. O crescimento desse tipo de geração ganhou impulso a partir das recentes ações regulatórias, com destaque para a compensação da energia excedente produzida por sistemas de menor porte. Em 2015, a potência instalada desta modalidade de geração totalizou 16,5 MW, liderada pela fonte solar fotovoltaica, que atingiu 13,3 MW. Nas edições anteriores, a energia solar estava incorporada em Outras Renováveis.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Carlos Figueiredo, da Renova: momento é de reestruturação

A Renova Energia experimentou um ciclo virtuoso de crescimento a partir do ano de 2009, embalada pela expansão do mercado eólico no Brasil. A empresa só não contava com uma mudança drástica da conjuntura econômica do país e com o fracasso em uma operação ousada com a americana SunEdison, o que a colocou em grandes dificuldades financeiras. Em sua primeira entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia, concedida na última quinta-feira, 25 de agosto, na sede da Renova, em São Paulo, o executivo Carlos Figueiredo, que assumiu a presidência da empresa há menos de três meses, detalhou, em tom franco, qual é a sua estratégia para recuperar a liquidez e retomar o ciclo de desenvolvimento de uma das maiores companhias de energia renovável do Brasil.
 
“Empresas passam por ciclos. Geralmente ciclos de crescimento são precedidos por ciclos de ajuste. Como a Renova nos últimos anos experimentou altíssimas taxas de crescimento, o momento de ajuste que estamos passando é absolutamente natural, principalmente para uma empresa de apenas 15 anos de existência. Acho o projeto da Renova muito bacana. Quando a gente olha o crescimento da matriz energética brasileira, o setor de renováveis, mais especificamente o setor eólico, onde a Renova concentra seus investimentos, é realmente um campo muito fértil para a nossa companhia continuar sua trajetória de crescimento. Para isso ela precisa vivenciar momentos de ajuste, para se fortalecer novamente”, declarou o executivo. Confira a seguir os principais trechos da conversa.
 
Prioridade - Figueiredo disse que a prioridade é recuperar a liquidez da Renova. A primeira ação foi ajustar o portfólio de projetos. “Como já divulgado ao mercado anteriormente, cancelamos PPA Cemig de 676,2 MW e não exercemos a opção de participar de 50% do LER 2015 (solar) de 59,7 MW. Postergamos parte do contrato de mercado livre Light II, de 133,6 MW de capacidade instalada, para janeiro de 2020.” Esse movimento evitará investimentos da ordem de R$ 4 bilhões. Além disso, em função da sobrecontratação das distribuidoras, foi possível postergar a entrega de aproximadamente 70 MW médios. Essa energia será vendida no ACL e os benefícios financeiros já aparecerão no balanço do terceiro trimestre. Em dezembro 2015, a equipe era formada por 300 funcionários, reduziu para 190. Também estão sendo implementadas novas técnicas de gestão, com automatização de processos e novas ferramentas de controle.
 
Endividamento - O endividamento total da Renova está em R$ 2,7 bilhões, sendo que a dívida de curto prazo, vencendo em 12 meses, é de R$ 1 bilhão. Porém, 80% dessa dívida, explicou Figueiredo, é referente ao empréstimo-ponte para a construção do Complexo Eólico Alto Sertão III (BA-411MW), que hoje encontra-se com quase 90% de sua obra concluída. O investimento no projeto total está estimado em R$ 2,5 bilhões. Assim que o BNDES liberar o empréstimo de longo-prazo, essa dívida será alongada. A expectativa é que o banco libere esses recursos até o final deste ano, mesmo cronograma para entrada em operação da Fase A do Alto Sertão III. “A importância do alto Sertão III se dá também para haver um reequilíbrio entre o fluxo financeiro de necessidade de capital e o fluxo operacional da companhia.”
 
Comprometimento dos sócios - O bloco de controle da Renova é formado pela Cemig GT, a Light e a RR Participações (dos sócios fundadores, Renato Amaral e Ricardo Delneri). No primeiro trimestre deste ano, Cemig (R$ 240 milhões) e Light (R$ 40 milhões) fizeram novos aportes, mas a RR não achou oportuno fazê-lo “e não consigo especificar as razões”, disse Figueiredo. Apesar disso, ele garantiu que todos os sócios estão comprometidos com a companhia.
 
Novos aportes - O executivo reconheceu que a empresa precisará de novos aportes de equity, dado a dificuldade e o custo do acesso ao capital. “Estamos acessando todas as fontes de financiamentos possíveis: quer através de dívida, quer através de equity.”  Ele não descartou a venda de ativos, desde que seja por um preço atrativo. “Hoje somos uma empresa completa no setor de energia renovável, o que também é um atrativo para qualquer investidor, quer para uma aquisição, quer para uma joint venture, quer para a entrada de um novo sócio. ”
 
Recuperação judicial- Figueiredo descartou essa possibilidade. “Nós temos no nosso bloco de controle empresas comprometidas com o negócio e, além disso, dispomos de ativos operacionais extremamente atrativos. A Renova dispõe de ativos e de um fluxo de caixa no médio prazo que suportam todas essas operações. O que acontece hoje é que temos uma situação de liquidez de curto prazo que precisa ser equacionada. Mas quando você olha no médio e longo prazo, ela é economicamente viável.” Ele disse que a empresa tem entre 16 GW e 17 GW em prospecção, sendo que 4,5 GW estão com processos regulatórios avançados. A companhia dispõe de 1.979 MW contratados, sendo 683 MW operacionais.
 
O que deu errado - Em sua opinião, houve uma conjunção de fatores econômicos que colocaram a companhia nessa situação. O custo e o acesso ao crédito se tornou um desafio muito maior nos últimos anos. “A conjuntura macroeconômica mudou bastante, o que dificultou a implementação daquilo que havia sido planejado há 3 ou 5 anos quando se participou do leilão.” Para ele, a empresa também foi bastante ambiciosa. “Não sei se isso é uma falha, não quero julgar, mas naquele momento o mercado induzia a companhia a fazer esse movimento. Você tinha um cenário onde as energias renováveis cresciam, tinha uma cadeia de fornecimento nacionalizada, PPAs com demanda dessa energia, um mercado financeiro e de crédito favoráveis. Talvez eu teria tomado essa decisão.”
 
Pleito na Aneel – Atualmente a Renova tenta com outros geradores postergar a implantação dos projetos solares de LER de 2014. “Dificilmente qualquer uma dessas empresas que venceram o leilão terão condições de colocar os projetos operacionais na data prevista. Tem a questão da cadeia de suprimento solar que não se desenvolveu na mesma velocidade como se desenvolveu a eólica. O próprio ministério de Minas e Energia já se manifestou favorável a essa eventual descontratação. Acho que é uma decisão bem racional do MME e da Aneel.”
 
Ambiente de negócios do setor – Para o executivo, os indicadores mostram que, logo após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, houve uma mudança positiva no humor da economia brasileira como um todo. “Por outro lado, quando se olha para a ótica do investimento, é muito difícil que o investidor de longo prazo ponha recurso em um país que não se tem a certeza de qual é o governante ou de qual é o plano de governo para os próximos anos. A definição dessa questão política vai trazer consequências para o cenário econômico. Acredito que a permanência do [Michel] Temer... trará uma confiança maior para os investidores e isso é bom para o país como um todo e é bom para o setor elétrico.”  “Vejo no contexto elétrico bastante atratividade, investidores estrangeiros aportando recursos no setor, com a energia renovável sendo o grande vetor de crescimento e a Renova com um posicionamento muito bom nesse contexto.”
 
Composição do MME- Para ele, o governo acertou na nova equipe do Ministério de Minas e Energia. “Essas pessoas são quase unanimidade no setor, não só em relação ao equilíbrio e a racionalidade, mas a competência e conhecimento. Isso traz para as empresas um conforto, sabendo que essas instituições estão sendo lideradas e geridas por pessoas com competência e com essa intenção [de racionalidade]. A própria intensão de rever o LER Solar é uma medida racional e lógica.”
 
Expansão da matriz – Para Figueiredo, há uma certa esquizofrenia no setor: por um lado, há uma sobrecontratação nas distribuidoras, onde há uma eventual necessidade de rever as sobras de energia, com as próprias geradoras aderindo a esses mecanismos; por outro, as mesmas empresas querem novos leilões e as associações, de modo legítimo, pedem por novas contratações para atender a cadeia produtiva instalada.  “Do lado da Renova, o momento é de ajuste. Entender qual é a nossa capacidade operacional e de execução. Temos um portfólio bastante bom para desenvolver, de modo que precisamos ter consciência de onde estamos para gente estudar um próximo passo de participação em PPAs”.
 
Leilões - Perguntado se a empresa participaria dos leilões deste ano, o executivo respondeu: “Esse ano, seguramente, não. A gente está descontratando alguns projetos e vai participar? Acho isso incoerente. Ainda estou nessa fase de entender qual é o tamanho do negócio, onde a gente está e para onde a gente vai”.
 
Figueiredo tem mais de 25 anos de experiência no setor de operações, suprimentos, logística, supply chain, marketing e vendas, além de larga experiência em liderança e formação de equipes. Ele é graduado em Administração de Empresas pela UNIFACS, com MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral e pós MBA em Marketing e Liderança pela Kellogg School of Management. Durante sua carreira, Figueiredo foi responsável pela unidade de cargas do Grupo Gol (Gollog), diretor-presidente da empresa Solaris e atuou mais recentemente na Alcoa Alumínio como diretor para América Latina da unidade de extrusão da Alcoa Alumínio.
 
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Geração de energia eólica no país cresce 55% no primeiro semestre

A geração de energia eólica aumentou 55% no primeiro semestre deste ano, em comparação com os mesmos meses de 2015, segundo a CCEE (câmara de comercialização de energia).
O resultado está ligado à ampliação da capacidade instalada da fonte energética no sistema nacional, que terminou o período com um crescimento de 50% em relação ao ano passado.
Atualmente, são 399 usinas geradoras, com capacidade de 9,98 GW —com a inclusão dos centros em construção, o número terá um incremento de 8,4 GW.
"Da energia contratada a partir de 2009, quando participamos do primeiro leilão, 45% veio da fonte eólica, o que representa cerca de 15 GW no total", afirma Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, entidade do setor.
Em relação ao sistema energético como um todo, a participação da geração eólica média chegou a 4,6%, contra 3% do ano anterior.
"Ainda é uma capacidade pequena frente à energia térmica e hidrelétrica, mas é uma fonte que se consolidou, comprovou que é operacional e economicamente viável", avalia Rui Altieri, presidente da câmara.
O Piauí teve a maior taxa de aumento de geração: foi de 33,46 MW médios no ano passado para 252,77 MW médios em 2016.
O Rio Grande do Norte ainda lidera entre os Estados geradores, com 911 MW médios, seguido por Bahia (599 MW), Rio Grande do Sul (479 MW) e Ceará (456 MW).
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Chamado ao novo
A Embrapii (de pesquisa e desenvolvimento) deverá anunciar em setembro sua próxima convocatória para parcerias com laboratórios de pesquisa.
Do R$ 1,5 bilhão reservado a esse tipo de convênio, R$ 300 milhões foram destinados desde 2014.
"A próxima chamada foi aprovada pelo conselho, resta apenas definir quais setores serão mais contemplados", afirma o diretor-presidente, Jorge Almeida Guimarães.
Entre eles, devem estar a indústria química, a farmacêutica e de alimentos.
Nesta sexta-feira (26), a empresa assina uma parceria desse gênero, com a Escola Politécnica da USP, onde serão investidos R$ 30 milhões em projetos de construção civil, em um prazo de seis anos.
Os recursos serão divididos com companhias do setor privado, que participarão da pesquisa.
O foco vão ser projetos de maior risco, que dificilmente as empresas bancariam sozinhas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Descontratação de energia de reserva vai contemplar todas as fontes, diz Aneel

O mecanismo de descontratação de energia de reserva, em estudo pelo governo, vai contemplar todas as fontes, explicou André Pepitone, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica. Neste momento a Empresa de Pesquisa Energética está calculando qual será o montante de energia que poderá ser descontratado.
Pepitone informou que a EPE levará em consideração o risco sistêmico de se abrir mão dessa energia versos o benefício econômico para o consumidor. Uma vez definido o volume de energia, será feita uma chamada pública para que os agentes manifestem interesse em desistir dos contratos. O MME então descontratará os contratos a partir do valor mais alto até que se atinja o limite pretendido pelo governo.
Como os projetos solares de 2014 estão entre os contratos mais caros por megawatt, espera-se que eles sejam os primeiros, disse Pepitone, o que explica a declaração dada pelo secretário de Planejamento e Políticas Energéticas, Eduardo Azevedo, na última terça-feira, 23 de agosto. Contudo, outras fontes poderão ser contempladas, dependo do preço de venda da energia.
A proposta, em fase final de elaboração, busca implementar uma regra para a energia de reserva análoga ao Mecanismos de Sobras e Déficits de Energia Nova (MCSD), onde os empreendedores que estão com dificuldade de implantar seus projetos possam ajustar seus contratos aproveitando o cenário de sobrecontratação das distribuidoras. Segundo Pepitone, as penalidades previstas em contrato serão mantidas, mas a dosimetria será mais branda. “Isso está em fase avançada de elaboração e, em breve, deve ser editada uma portaria pelo MME”, disse o diretor da Aneel, após participar de evento da indústria solar em São Paulo, nesta quarta-feira, 24 de agosto.
Realizado em 31 de outubro de 2014, o LER viabilizou 62 empreendimentos, sendo 31 usinas fotovoltaicas e 31 usinas eólicas. Em um leilão disputado, a energia solar sofreu um deságio de 17,9%. O preço da energia solar caiu de R$ 262/MWh para R$ 215/MWh. De acordo com Pepitone, 70% dos agentes que comercializaram energia no LER2014 já sinalizaram que não vão conseguir cumprir os prazos. Os pedidos partiram da Renova Energia, Canadian Solar, Lintran do Brasil, FRV Solar, Usina Fotovoltaica Inharé, Rio Alto Energia Empreendimento e Participações. Juntas essas empresas representam 64% da potência contratada naquele certame (570 MW de 890 MW).  A Enel Green Power, que conquistou 210 MW, segue desenvolvendo os seus projetos, porém a proposta a ser colocada pelo ministério também pode ser estendida à EGP.
O certame, considerado o mais disputado da história, com mais de oito horas de duração, marcou a entrada da energia solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira. Contratualmente, esses projetos precisam entregar energia em 2017.

As companhias alegam que houve alteração “imprevisível e extraordinária” das condições macroeconômicas então vigentes na época do leilão, como elevação da inflação, das taxas de juros e forte desvalorização do Real frente ao dólar. Esses fatores, somados a ausência de uma cadeia produtiva nacional voltada ao atendimento do setor fotovoltaico brasileiro, comprometeram as condições de financiamento para custear os vultuosos investimentos incorridos na implantação desses projetos.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Novo ciclo de investimento em infraestrutura demora pelo menos mais um ano

Um novo ciclo robusto de investimentos em infraestrutura no Brasil vai demorar para deslanchar no país, enquanto representantes do governo e do setor privado medem forças na tentativa de alinhavar a volta ao modelo de financiamento mais concentrado no investimento de mercado.

Dada a agenda extensa de ajustes que precisam ser feitos, há pouca expectativa no mercado de que um pacote robusto de infraestrutura chegue antes do final do ano que vem com chances reais de sucesso.

Até lá, o governo fará barulho para mostrar que está se mexendo. Na prática, porém, só haverá recursos para conclusão de obras consideradas mais prioritárias, disseram fontes do governo e de instituições financeiras que participam das discussões.

"Dificilmente algum programa mais consistente virá a público antes do segundo semestre do ano que vem", disse à Reuters um alto executivo de um grande banco estatal a par das discussões.

E o fracasso na tentativa de privatização da distribuidora de energia elétrica goiana Celg-D, controlada pela Eletrobras, na semana passada, foi um alerta para o governo interino de que o investimento em infraestrutura não é tão simples de ser retomado.

Segundo um alto executivo de um grande banco estatal, o episódio foi um sinal de que o interesse em vender vários ativos em pouco tempo com objetivo declarado de fazer caixa não foi bem recebido pelo mercado.

"A tática de colocar o Brasil em liquidação não está dando muito certo", disse a fonte, que pediu para não ser identificada. "Sob a ótica do investidor, é menos importante comprar um ativo barato do que ter confiança de que ele será rentável no longo prazo."

O fracasso da venda da Celg-D acabou respingando no leilão de linhas de transmissão de energia, previsto para 2 de setembro e que tinha como meta atrair 12,6 bilhões de reais em investimentos, afirmaram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.



E mesmo dentro do Programa de Parceria e Investimentos (PPI), na qual serão definidas as primeiras concessões e privatizações do governo Temer, há dificuldade inclusive para se agendar uma primeira reunião. O primeiro encontro estava marcado para a próxima quinta-feira, mas uma fonte do governo disse que a reunião será adiada para 12 de setembro.

Pela frente, o governo Temer tem como trabalho de casa uma série de desafios que incluem editais de melhor qualidade, com versões em inglês e mais prazo para avaliação dos investidores, que deve passar de 30 a 45 dias para 100 dias.

Além disso, fazem parte dos preparativos proposta de taxas de retorno mais condizentes com o mercado e sinalização mais clara para obtenção de licenças ambientais.

"As novas concessões devem ser precedidas de editais bem feitos e aparato regulatório que dê confiança aos investidores privados", disse recentemente a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos.

Com exceção dos editais já em andamento envolvendo quatro aeroportos e terminais em portos no Nordeste, novos leilões de estradas, ferrovias, portos e do setor do elétrico terão já na gênese um desenho totalmente distinto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que teve o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como principal financiador, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

MEIO SÉCULO

Em parte, a demora para a retomada dos investimentos em infraestrutura reflete a dificuldade de consenso sobre alguns pontos importantes para um novo modelo de leilões. Um deles é o pleito de agentes do mercado para extensão dos prazos de concessão, da média atual de 20 a 30 anos, para até 50 anos.

"Não dá pra elevar muito a taxa de retorno, porque fica muito caro, mas com os prazos atuais de concessão é muito difícil recuperar o investimento", disse um executivo de um grande banco privado brasileiro.



Mas esse é um ponto no qual não há consenso nem dentro do próprio governo.

Um dos exemplos da discussão sobre retorno dos investimentos foi o comentário do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr. Ao tomar posse no final de julho, o executivo disse que a empresa não deve mais ser confundida com órgão estatal e uma fonte do governo disse à Reuters que a empresa "vai resgatar seu papel empresarial e não vai mais assumir investimentos com baixas taxas de retorno".

Outra demanda do mercado é para que fundos de pensão tenham permissão para comprar papéis de empresas de capital fechado na área de infraestrutura, o que hoje é proibido. Mas os próprios fundos têm evitado comprar papéis mesmo de empresas de capital aberto, após perdas pesadas nos últimos anos, o que agravou o equilíbrio atuarial de diversos deles.

Na área de logística, auxiliares de Temer têm defendido que o anúncio de um novo lote de concessões seja enxuto, restrito a projetos efetivamente prontos, com editais claros e interesse efetivo de investidores.

A ideia é evitar situações como as ocorridas no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, em que o governo anunciava planos ambiciosos com dezenas de concessões em diversas áreas da logística, mas só conseguia tirar algumas do papel.

"O Brasil precisa recuperar a credibilidade. Os leilões precisam passar credibilidade. Não adianta correr e fazer as coisas no atropelo", disse uma fonte do governo envolvida diretamente nas discussões para desenho de novos editais.

Em entrevista à Reuters no mês passado, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, defendeu que o primeiro lote de concessões tenha apenas projetos prontos para serem oferecidos ao mercado, "para evitar falsas expectativas".


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

China mira setor elétrico do Brasil com cheque em branco, mas cautela oriental - Reuters

Companhias chinesas continuam com imenso apetite pelo setor elétrico do Brasil, no qual já caminham para a liderança em alguns negócios, mas o cheque em branco dado por Pequim para aquisições no país não significa que as gigantes orientais farão qualquer negócio ou pagarão preços excessivos pelos ativos. Prova disso foi o desinteresse na privatização da distribuidora goiana Celg-D --às vésperas do cancelamento do leilão nesta semana, mercado e governo especulavam se o interesse da chinesa State Grid poderia salvar um fracasso que se desenhava conforme investidores brasileiros criticavam o preço da elétrica.
Segundo as empresas e especialistas próximos, equipes da State Grid e de sua compatriota China Three Gorges (CTG) têm analisado em detalhes cada tentativa de venda de ativos no setor de energia, mas na vantajosa posição de quem tem caixa e tempo para escolher os melhores negócios. "Os chineses estão com maior apetite pelo risco-Brasil, o que não quer dizer que não olhem os riscos com muita atenção... evidente que eles aceitam um retorno um pouco mais baixo que o investidor brasileiro, mas também não estão rasgando dinheiro", disse o sócio da consultoria Upside Finance, Humberto Gargiulo, que já apoiou a State Grid antes em leilões de transmissão.
Ele comentou que a companhia faz detalhadas análises financeiras e analisa todos os riscos, principalmente o cambial, dadas as receitas em reais das concessões em energia. O avanço rumo ao exterior tem como pano de fundo o interesse em criar mercados para fabricantes de equipamentos e empresas de engenharia chinesas, além de aumentar a influência global de Pequim. No Brasil, o interesse é maior ainda devido às características do sistema, que guarda semelhança com o chinês por recorrer a grandes hidrelétricas e imensas linhas de transmissão.
"Nós temos o objetivo de ser um player relevante, mas para crescer nós precisamos que isso faça sentido, depende das oportunidades no mercado... há muitas oportunidades e potenciais compras que estamos analisando", afirmou à Reuters o presidente da CTG Brasil, Li Yinsheng. De acordo com o executivo, a companhia tem uma equipe de seis pessoas no país e mais especialistas na China que analisam negócios o tempo todo, e que não há limites ou metas pré-definidas para os investimentos no Brasil. Ele ressaltou que a preferência é por energia renovável, e estão no foco tanto compras de ativos ainda em construção quanto em operação, além de novos projetos.
"Primeiro, tem que ser sustentável. E encaixar na nossa estratégia. Aí, então, olhamos para a avaliação econômica... não descartamos qualquer possibilidade, tudo depende da criação de valor", afirmou. Ele disse também que a companhia acredita fortemente no potencial para crescimento da demanda por energia do Brasil, onde o consumo por habitante ainda é baixo comparado a outros países. "Nós estamos no mercado para o longo prazo, esse é nosso racional de investir no Brasil. Você pode imaginar que se uma companhia toma 20 anos para tomar a decisão de vir, só podemos assumir que veio para ficar por um longo tempo no mercado."
Já a State Grid estreou no Brasil em 2010 com a aquisição de 1 bilhão de dólares em ativos de transmissão e desde então entrou em gigantescos projetos no país. A CTG, por sua vez, tem contato com o país há mais de 20 anos, mas decidiu entrar de vez em 2013, desde quando soma 16 bilhões de reais em aquisições locais. Procurada, a State Grid não quis fazer comentários sobre sua estratégia.

NEGÓCIOS NO RADAR
De acordo com uma fonte que acompanha as negociações, a CTG tem uma visão de liderar o mercado de geração no médio prazo, e no momento participa da análise da eventual compra de ativos da norte-americana Duke Energy no país, da geradora de energia limpa Renova e de parques eólicos da Queiroz Galvão Energia. Já a State Grid estuda a possível compra de ativos de transmissão de energia das espanholas Abengoa [ABG.MC] e Isolux. Também foi oferecida às orientais uma fatia na hidrelétrica de Santo Antônio, que está sendo construída em Rondônia por um grupo que inclui Cemig, Odebrecht e Andrade Gutierrez, além de Furnas, da Eletrobras. "Eles olham tudo... nunca vi tanto dinheiro", brincou a fonte.
Além disso, a State Grid tem uma due dilligence em andamento para a aquisição da fatia da Camargo Corrêa na CPFL Energia, em um negócio que pode passar os 25 bilhões de reais caso os demais acionistas da empresa também vendam suas participações. Em entrevista recente à Reuters, o presidente da CPFL, André Dorf, disse que se assumirem a companhia os chineses estarão em um veículo pronto para novos investimentos ou aquisições em todos segmentos da energia --geração, transmissão, distribuição e comercialização. "Eles vão fazer bastante coisa ali", afirmou à Reuters uma fonte próxima dos chineses que vê grande espaço para consolidação na indústria de energia do Brasil. O presidente da CTG disse que não comentaria o interesse em ativos específicos.

BONS NEGÓCIOS E POLÊMICAS
O crescimento rápido das companhias chinesas pelo mundo tem inclusive gerado polêmicas, como o recente bloqueio da Austrália à aquisição de uma elétrica local pela State Grid por questões de segurança nacional. Em 2012, algo semelhante aconteceu no Brasil --a State Grid chegou a ter uma investida para entrar no setor de distribuição de energia vetada pelo governo, que ameaçou colocar a Eletrobras para bloquear o negócio. Agora, a situação é marcantemente diferente --a primeira viagem oficial do presidente interino Michel Temer ao exterior será para a China, e o Ministério de Minas e Energia já disse que não tem preconceito quanto ao capital oriental.
Afinal, o Tesouro recebeu neste ano 13,8 bilhões de reais da CTG, que arrematou em dezembro passado a concessão de duas hidrelétricas em operação em São Paulo em leilão promovido pela União. A transação, inclusive, mostrou o que pode ser o maior trunfo dos orientais no país: uma grande capacidade financeira em um momento em que elétricas locais e governo lidam com dívidas elevadas e falta de recursos. Na ocasião, a CTG venceu sem concorrência, o que o sócio da consultoria LMDM, Diogo Mac Faria, definiu como um "negócio sensacional". "Ninguém mais conseguiu levantar tanto dinheiro em tão pouco tempo", afirmou. Ele estimou uma taxa interna de retorno "da ordem de 12,5 por cento" na compra das usinas.

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