O Ibovespa vira para alta nesta terça-feira (31), na volta do feriado que deixou as bolsas fechadas nos Estados Unidos e em Londres. Lá fora, os índices dos EUA
operam perto da estabilidade. Enquanto isso, a Europa cai puxada por
montadoras como a Volkswagen. No cenário doméstico, o presidente
interino Michel Temer teve a sua segunda baixa em 19 dias com a saída do
ministro da Transparência, Fabiano Silveira. No entanto, o efeito dessa
nova derrota é amenizada pelo surpreendente resultado fiscal do governo
em abril.
Às 10h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha
alta de 0,31%, a 49.114 pontos. A Bolsa subiu 257 pontos em 30 minutos
da mínima do dia antes das 10h30. Já o dólar comercial apresenta alta de
0,34% a R$ 3,5902 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tem alta
de 0,38% a R$ 3,587. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de
2017 opera com valorização de 2 pontos-base a 13,66%, ao passo que o DI
para janeiro de 2021 registra ganhos de 5 pontos-base a 12,80%.
Resultado fiscalO
governo fez um superávit primário de R$ 10,2 bilhões em abril,
superando bastante a expectativa mediana dos economistas, que esperavam
um superávit de R$ 1,9 bilhão. No acumulado de 12 meses, no entanto, o déficit primário fica em 2,33% do PIB (Produto Interno Bruto). A relação dívida
PIB, apesar do superávit, cresceu de 67,2% em março para 67,5% em
abril. Em termos nominais, abril foi um mês de déficit de R$ 13,163
bilhões, ante estimativas de R$ 23,6 bilhões de resultado negativo.
Leia mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/5058178/ibovespa-sobe-mais-200-pontos-minutos-apos-superavit-primario
terça-feira, 31 de maio de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Eólica: Contratação de 2 GW traria segurança dupla ao sistema
A Associação Brasileira de Energia Eólica está preparando um estudo
que será apresentado ao governo justificando a necessidade de se
contratar os 2 GW ao ano que vem defendendo. Dentre os argumentos que
serão temas de exposição nesse documento estão a questão da segurança de
fornecimento e a manutenção da cadeia produtiva que foi estruturada nos
últimos anos.
A exportação de energia para a
Argentina, que foi noticiada esta semana, expôs a preocupação do
operador com o sistema nacional. Segundo a presidente executiva da
ABEEólica, Élbia Gannoum, em uma conversa que teve com o ONS, a saída
para que haja esse envio seria por meio de térmicas. “Isso demonstra que
temos um problema sério de segurança de fornecimento e esse ano a
previsão dos meteorologistas indica que teremos La Niña, ou seja,
deveremos ter um certo sufoco com a questão da hidrologia”, relatou a
executiva após o 5º Encontro de Negócios ABEEólica, realizado na última
quarta-feira, 25 de maio.
“Estamos batendo em 2 GW de
contratação. No mínimo, 1 GW, já daria um bom sinal de que há
perspectiva de demanda e de investimentos no Brasil, mesmo com o país em
crise. Menos que isso ou nada pode trazer risco de alguma empresa
querer deixar o Brasil. Vai e não volta mais. E esse trabalho de
estruturar toda a cadeia de fornecimento com a competência atual que
fizemos em 5 anos, em tão curto prazo quando comparamos a outros
mercados, a gente joga fora. Mas o MME está ouvindo”, comentou a
presidente executiva da ABEEólica.
De acordo com Élbia, o novo governo já
entendeu que há essa necessidade, a questão agora é ver qual é a
disposição de contratação. E a questão da mudança de cenário político
com o recente afastamento da presidente Dilma Rousseff tem trazido uma
alteração na perspectiva de retomada da economia que começa a dar sinais
de que poderá inverter a curva descendente dos últimos trimestres.
Segundo o ex-presidente do Banco
Central, Gustavo Franco, esses sinais começam a aparecer na demanda por
energia antes da percepção do crescimento econômico. Em sua avaliação o
ambiente ainda é incerto para 2017, mas a tendência é de um movimento
positivo sendo que no mês a mês se perceba a reversão da curva no
decorrer do segundo semestre. Élbia completa a afirmação do economista
ao lembrar que a percepção da melhoria da economia coloca rapidamente a
demanda por energia lá em cima.
A representante da indústria do setor
eólico ainda comentou que a mudança das pessoas em cargos chave do
governo sempre é preocupante, mas que no caso atual tem ocorrido para
melhor. Em sua avaliação, as nomeações políticas em nível ministerial
fazem sentido para que haja a governabilidade do país. Ao mesmo tempo, o
segundo escalão está sendo formado por técnicos de altíssima qualidade e
que conhecem as necessidades do setor. “Esse é o resgate da confiança
com a racionalidade de volta”, resumiu.
A entidade ainda espera concluir um
outro estudo de transmissão de energia para o curto, médio e longo
prazos que está sendo desenvolvido junto à PSR e que possui cinco
volumes. No curto prazo o tema é o critério de escoamento de energia. A
meta é de apresentá-lo ao governo daqui a cerca de 50 dias.
Na última quarta-feira, 25 de maio, a
ABBEólica apresentou o seu boletim anual com os dados consolidados do
setor. Foram 111 novas usinas instaladas, investimentos de US$ 4,93
bilhões que acrescentam 2,75 GW em nova potência instalada e
classificaram o Brasil como o quarto maior país em novos investimentos
elevando a um total de 8,75 GW em capacidade, o décimo maior do mundo.
Contudo, esse número já está em 9,5 GW o que, diz a entidade, muito
provavelmente o Brasil já ultrapassou a Itália e agora deve ocupar o 9º
lugar no ranking global apurado pelo Global Wind Energy Council (GWEC).
A perspectiva é de que ao final de
2019 o Brasil tenha pouco mais de 18,7 GW em capacidade de geração
eólica. Se esse volume fosse visto em 2015, o país estaria no 6º lugar
entre os maiores geradores eólicos do mundo.
Leia mais em: http://canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Planejamento_e_Expansao.asp?id=112097
terça-feira, 24 de maio de 2016
Investidor hesita em acreditar no Fed
É difícil culpar os
investidores por serem complacentes quando o Fed (Federal Reserve, banco
central dos EUA) diz que está prestes a elevar novamente os juros. As
autoridades monetárias têm repetido esse discurso desde o início do ano
passado, mas recuaram, quando os dados mostraram terem superestimado o
vigor da economia americana.
Esse cenário está se desenhando novamente nos mercados globais. Mesmo depois que a ata do Fed divulgada na quarta-feira representou forte sinalização de que o aumento pode vir já em junho, o mercado de títulos aponta uma probabilidade de 28% de que isso venha a se confirmar.
"O Fed e outros bancos centrais podem endurecer o discurso, tentando manipular o rumo dos juros, mas o mercado diz 'nós não acreditamos em você'", disse Steve Major, diretor de pesquisas em renda fixa na HSBC, com sede em Londres, um dos 23 dealers primários de títulos do governo americano que negociam com o Fed. "Ventos estruturais contrários ao crescimento e o cenário internacional são limitações até aonde os juros podem ir nos EUA."
Embora a ata da reunião do Fed em abril tenha indicado que as autoridades monetárias consideraram um aumento dos juros provável para o próximo mês se a economia continuar a melhorar, os investidores veem muitos obstáculos. Um referendo no Reino Unido em 23 de junho decidirá se o país continuará membro da União Europeia. A dinâmica de crescimento na China está perdendo força após uma recuperação alimentada por crédito no início deste ano e o dólar está novamente em alta.
Alguns gestores dizem que já é hora de os traders começarem a voltar a precificar decisões do Fed. Jeffrey Gundlach, da DoubleLine Capital, disse na quinta-feira que o banco central está sinalizando que os dados econômicos estão suficientemente robustos para justificar um aumento dos juros. Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global na BlackRock , disse que as autoridades provavelmente vão esperar até julho para avaliar o resultado e as implicações do referendo britânico.
té agora, os mercados têm acertado, ao apostar que o Fed está blefando. Autoridades do Fed baixaram sua previsão média para os juros do mercado interbancário de longo prazo para 3,25%, de até 4,25% em 2012.
As autoridades monetárias vêm pressionando os investidores a se prepararem para aumentos há mais de um ano, mas só os elevaram uma única vez. A 0,88%, o rendimento dos Treasuries de dois anos estão mais baixos do que em dezembro, quando os custos de empréstimos de referência foram elevados de quase zero pela primeira vez desde 2006.
Para decepção das autoridades, a economia americana está sendo incapaz de manter um ritmo de crescimento como em ciclos anteriores de aperto do juro. A economia mal cresceu no primeiro trimestre, tendo expandido a uma taxa anualizada de 0,5%. Embora a taxa de desemprego tenha caído abaixo de 5%, a inflação permanece abaixo de 2%, que é a meta do Fed.
"A economia não exibe vitalidade suficiente para que o Fed aja de forma decisiva", escreveu Christopher Low, economista-chefe da FTN Financial, em nota aos clientes quinta-feira.
Além disso, há o dólar. Com as expectativas de aumento dos juros, o dólar sobe, colocando as ações de companhias americanas sob pressão, ao corroer os lucros das multinacionais. Dólar mais forte e ações mais desvalorizadas deixam mais apertadas as condições financeiras, tirando algum vigor da economia.
O avanço de 18% do dólar contra as principais moedas ao longo dos últimos dois anos ajudou a minar as commodities, cujos preços são fixados em dólares. Uma renovada valorização reacenderá as preocupações em relação a calotes em massa no setor da energia, incentivará capitais a fugir de mercados emergentes e enfraquecerá suas moedas.
Em março, autoridades do Fed reduziram abruptamente suas expectativas para os juros, o chamado "gráfico de pontos", depois que a depreciação do yuan e saídas de capital da China impactaram os mercados globais. Economistas do Goldman Sachs qualificou-a de uma das mais moderadas decisões do Fed no século 21. Na quinta-feira, estrategistas do banco disseram que embora a possibilidade de alta em junho tenha crescido, isso está longe de garantido.
"As atas ressaltam como têm sido voláteis as comunicações do Fed", disseram Robin Brooks e Michael Cahill, do Goldman, em nota. "É difícil, para o Fed normalizar a política [monetária], pois o dólar poderia apreciar muito."
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4574953/investidor-hesita-em-acreditar-no-fed
Esse cenário está se desenhando novamente nos mercados globais. Mesmo depois que a ata do Fed divulgada na quarta-feira representou forte sinalização de que o aumento pode vir já em junho, o mercado de títulos aponta uma probabilidade de 28% de que isso venha a se confirmar.
"O Fed e outros bancos centrais podem endurecer o discurso, tentando manipular o rumo dos juros, mas o mercado diz 'nós não acreditamos em você'", disse Steve Major, diretor de pesquisas em renda fixa na HSBC, com sede em Londres, um dos 23 dealers primários de títulos do governo americano que negociam com o Fed. "Ventos estruturais contrários ao crescimento e o cenário internacional são limitações até aonde os juros podem ir nos EUA."
Embora a ata da reunião do Fed em abril tenha indicado que as autoridades monetárias consideraram um aumento dos juros provável para o próximo mês se a economia continuar a melhorar, os investidores veem muitos obstáculos. Um referendo no Reino Unido em 23 de junho decidirá se o país continuará membro da União Europeia. A dinâmica de crescimento na China está perdendo força após uma recuperação alimentada por crédito no início deste ano e o dólar está novamente em alta.
Alguns gestores dizem que já é hora de os traders começarem a voltar a precificar decisões do Fed. Jeffrey Gundlach, da DoubleLine Capital, disse na quinta-feira que o banco central está sinalizando que os dados econômicos estão suficientemente robustos para justificar um aumento dos juros. Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global na BlackRock , disse que as autoridades provavelmente vão esperar até julho para avaliar o resultado e as implicações do referendo britânico.
té agora, os mercados têm acertado, ao apostar que o Fed está blefando. Autoridades do Fed baixaram sua previsão média para os juros do mercado interbancário de longo prazo para 3,25%, de até 4,25% em 2012.
As autoridades monetárias vêm pressionando os investidores a se prepararem para aumentos há mais de um ano, mas só os elevaram uma única vez. A 0,88%, o rendimento dos Treasuries de dois anos estão mais baixos do que em dezembro, quando os custos de empréstimos de referência foram elevados de quase zero pela primeira vez desde 2006.
Para decepção das autoridades, a economia americana está sendo incapaz de manter um ritmo de crescimento como em ciclos anteriores de aperto do juro. A economia mal cresceu no primeiro trimestre, tendo expandido a uma taxa anualizada de 0,5%. Embora a taxa de desemprego tenha caído abaixo de 5%, a inflação permanece abaixo de 2%, que é a meta do Fed.
"A economia não exibe vitalidade suficiente para que o Fed aja de forma decisiva", escreveu Christopher Low, economista-chefe da FTN Financial, em nota aos clientes quinta-feira.
Além disso, há o dólar. Com as expectativas de aumento dos juros, o dólar sobe, colocando as ações de companhias americanas sob pressão, ao corroer os lucros das multinacionais. Dólar mais forte e ações mais desvalorizadas deixam mais apertadas as condições financeiras, tirando algum vigor da economia.
O avanço de 18% do dólar contra as principais moedas ao longo dos últimos dois anos ajudou a minar as commodities, cujos preços são fixados em dólares. Uma renovada valorização reacenderá as preocupações em relação a calotes em massa no setor da energia, incentivará capitais a fugir de mercados emergentes e enfraquecerá suas moedas.
Em março, autoridades do Fed reduziram abruptamente suas expectativas para os juros, o chamado "gráfico de pontos", depois que a depreciação do yuan e saídas de capital da China impactaram os mercados globais. Economistas do Goldman Sachs qualificou-a de uma das mais moderadas decisões do Fed no século 21. Na quinta-feira, estrategistas do banco disseram que embora a possibilidade de alta em junho tenha crescido, isso está longe de garantido.
"As atas ressaltam como têm sido voláteis as comunicações do Fed", disseram Robin Brooks e Michael Cahill, do Goldman, em nota. "É difícil, para o Fed normalizar a política [monetária], pois o dólar poderia apreciar muito."
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4574953/investidor-hesita-em-acreditar-no-fed
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Banco médio lucra menos e busca manter liquidez alta
Assim como os grandes bancos de varejo, as instituições financeiras
de médio porte sentiram os efeitos da crise econômica nos balanços do
primeiro trimestre. Com o aumento das despesas contra calotes, o lucro
recorrente combinado dos sete bancos de capital aberto foi de R$ 118
milhões, o que representa uma queda de 31% em relação ao mesmo período
do ano passado. Duas instituições - Banco Pan e Indusval - fecharam o
trimestre no vermelho.
Embora os problemas para todos os bancos sejam basicamente os mesmos, as instituições de médio porte são apontadas como mais vulneráveis ao atual cenário da economia, em razão da concentração maior da carteira de crédito e dos custos de captação mais altos. As dificuldades de algumas instituições, contudo, vêm de antes da crise.
O maior risco de calotes com a piora da economia levou os bancos a pisar no freio do crédito e preservar recursos em caixa. O saldo combinado da carteira de ABC Brasil, Daycoval, Indusval, Banco Pan, Paraná Banco, Pine e Sofisa encerrou março em R$ 66,4 bilhões, o que representa queda de 2,7% no trimestre e de 7,4% em 12 meses.
Apesar da redução do estoque de crédito, a alta nos "spreads" (diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas dos clientes) provocada pela escassez de recursos disponíveis na praça favoreceu o resultado de algumas instituições. O ABC Brasil registrou lucro líquido de R$ 95,5 milhões no primeiro trimestre, com alta de 19% em relação aos três primeiros meses de 2015.
Especializado no crédito a empresas, o banco controlado pelo Arab Banking Corporation atribuiu o resultado à menor concorrência, que permitiu uma melhor seleção dos clientes. "Entramos em um bom número de companhias às quais não tínhamos acesso antes", afirma o vice-presidente executivo da instituição, Sérgio Lulia Jacob.
O ABC foi o único dos bancos médios listados na bolsa a registrar alta no lucro no primeiro trimestre. Ainda assim, a margem financeira da instituição ficou mais apertada em razão do aumento nas provisões. Com a alta da inadimplência, os bancos médios reservaram um total de R$ 533,6 milhões para proteger os balanços contra calotes no primeiro trimestre, 22% acima do volume provisionado no mesmo período de 2015.
As perdas potenciais com a inadimplência e os impactos sobre a saúde financeira dos bancos de menor porte preocupam analistas. A qualidade dos ativos representa o maior risco para os bancos de médio porte no cenário atual, segundo Alexandre Albuquerque, analista da agência de classificação de risco Moody's. "A inadimplência vem subindo e não se pode descartar elevações adicionais nos próximos trimestres", afirma.
Na semana passada, outra agência de risco, a Standard & Poor's (S&P), rebaixou a classificação do Banco Pine para "B+", dois níveis abaixo da nota soberana do Brasil. Para a agência, a qualidade dos ativos do banco pode continuar a se deteriorar em razão da concentração de crédito da instituição em meio ao fraco desempenho da economia brasileira.
A maior concentração da carteira torna mais difícil a tarefa dos bancos médios de absorver potenciais perdas. No ano passado, o Indusval passou por um aumento de capital de R$ 80 milhões depois de fazer uma provisão de R$ 210 milhões para cobrir perdas com créditos a produtores rurais originados pela trading Ceagro.
Além de reduzir o crédito, os bancos têm procurado preservar a liquidez para o caso de um agravamento ainda maior do cenário. O Paraná Banco, por exemplo, encerrou o trimestre com R$ 1,7 bilhão em caixa, o equivalente a 35% da captação total.
O custo do carregamento dessa posição, porém, afeta a rentabilidade. A média do retorno sobre o patrimônio dos bancos listados no primeiro trimestre foi de 9,1%, contra 11,7% no mesmo período do ano anterior. O dado não considera os números do Pan e do Indusval, que tiveram prejuízo em ambos os trimestres.
A redução no crédito também contribuiu para que os bancos médios reforçassem a posição de capital. O índice de Basileia, que mede o quanto as instituições podem emprestar em relação a seu patrimônio, das instituições que possuem capital aberto subiu, na média, de 17,5% para 18,6% entre o primeiro trimestre de 2015 e março deste ano. O Pan possui o menor índice, de 14,5%, mas ainda assim bem acima do mínimo exigido pelo Banco Central, que neste ano é de 10,5%.
A expectativa dos executivos dos bancos é que os índices de capitalização em níveis elevados permitam uma retomada dos negócios quando a situação econômica melhorar. "Há sinais pífios de alguma recuperação à frente. São pífios, mas são sinais melhores", afirmou Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores do Daycoval. O tom de algum otimismo para a economia até o fim do ano foi compartilhado por executivos de outras instituições em teleconferências com analistas.
Embora a crise tenha afetado o resultado, os bancos médios, de uma maneira geral, já vinham entregando resultados fracos mesmo antes da piora da economia. "As instituições contam com uma estrutura de receita menos diversificada e uma estrutura de funding mais volátil", afirma o analista da Moody's.
Os investidores cobram a fatura desse desempenho. As sete instituições são negociadas hoje abaixo de seu valor patrimonial na bolsa. Os preços baixos e a falta de perspectiva de novas captações de recursos por meio de uma oferta de ações levaram alguns bancos, como Daycoval, Sofisa e Indusval, a lançar ofertas aos minoritários para fechar o capital.
Leia mais em: http://www.valor.com.br//financas/4573475/banco-medio-lucra-menos-e-busca-manter-liquidez-alta
Embora os problemas para todos os bancos sejam basicamente os mesmos, as instituições de médio porte são apontadas como mais vulneráveis ao atual cenário da economia, em razão da concentração maior da carteira de crédito e dos custos de captação mais altos. As dificuldades de algumas instituições, contudo, vêm de antes da crise.
O maior risco de calotes com a piora da economia levou os bancos a pisar no freio do crédito e preservar recursos em caixa. O saldo combinado da carteira de ABC Brasil, Daycoval, Indusval, Banco Pan, Paraná Banco, Pine e Sofisa encerrou março em R$ 66,4 bilhões, o que representa queda de 2,7% no trimestre e de 7,4% em 12 meses.
Apesar da redução do estoque de crédito, a alta nos "spreads" (diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas dos clientes) provocada pela escassez de recursos disponíveis na praça favoreceu o resultado de algumas instituições. O ABC Brasil registrou lucro líquido de R$ 95,5 milhões no primeiro trimestre, com alta de 19% em relação aos três primeiros meses de 2015.
Especializado no crédito a empresas, o banco controlado pelo Arab Banking Corporation atribuiu o resultado à menor concorrência, que permitiu uma melhor seleção dos clientes. "Entramos em um bom número de companhias às quais não tínhamos acesso antes", afirma o vice-presidente executivo da instituição, Sérgio Lulia Jacob.
O ABC foi o único dos bancos médios listados na bolsa a registrar alta no lucro no primeiro trimestre. Ainda assim, a margem financeira da instituição ficou mais apertada em razão do aumento nas provisões. Com a alta da inadimplência, os bancos médios reservaram um total de R$ 533,6 milhões para proteger os balanços contra calotes no primeiro trimestre, 22% acima do volume provisionado no mesmo período de 2015.
As perdas potenciais com a inadimplência e os impactos sobre a saúde financeira dos bancos de menor porte preocupam analistas. A qualidade dos ativos representa o maior risco para os bancos de médio porte no cenário atual, segundo Alexandre Albuquerque, analista da agência de classificação de risco Moody's. "A inadimplência vem subindo e não se pode descartar elevações adicionais nos próximos trimestres", afirma.
Na semana passada, outra agência de risco, a Standard & Poor's (S&P), rebaixou a classificação do Banco Pine para "B+", dois níveis abaixo da nota soberana do Brasil. Para a agência, a qualidade dos ativos do banco pode continuar a se deteriorar em razão da concentração de crédito da instituição em meio ao fraco desempenho da economia brasileira.
A maior concentração da carteira torna mais difícil a tarefa dos bancos médios de absorver potenciais perdas. No ano passado, o Indusval passou por um aumento de capital de R$ 80 milhões depois de fazer uma provisão de R$ 210 milhões para cobrir perdas com créditos a produtores rurais originados pela trading Ceagro.
Além de reduzir o crédito, os bancos têm procurado preservar a liquidez para o caso de um agravamento ainda maior do cenário. O Paraná Banco, por exemplo, encerrou o trimestre com R$ 1,7 bilhão em caixa, o equivalente a 35% da captação total.
O custo do carregamento dessa posição, porém, afeta a rentabilidade. A média do retorno sobre o patrimônio dos bancos listados no primeiro trimestre foi de 9,1%, contra 11,7% no mesmo período do ano anterior. O dado não considera os números do Pan e do Indusval, que tiveram prejuízo em ambos os trimestres.
A redução no crédito também contribuiu para que os bancos médios reforçassem a posição de capital. O índice de Basileia, que mede o quanto as instituições podem emprestar em relação a seu patrimônio, das instituições que possuem capital aberto subiu, na média, de 17,5% para 18,6% entre o primeiro trimestre de 2015 e março deste ano. O Pan possui o menor índice, de 14,5%, mas ainda assim bem acima do mínimo exigido pelo Banco Central, que neste ano é de 10,5%.
A expectativa dos executivos dos bancos é que os índices de capitalização em níveis elevados permitam uma retomada dos negócios quando a situação econômica melhorar. "Há sinais pífios de alguma recuperação à frente. São pífios, mas são sinais melhores", afirmou Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores do Daycoval. O tom de algum otimismo para a economia até o fim do ano foi compartilhado por executivos de outras instituições em teleconferências com analistas.
Embora a crise tenha afetado o resultado, os bancos médios, de uma maneira geral, já vinham entregando resultados fracos mesmo antes da piora da economia. "As instituições contam com uma estrutura de receita menos diversificada e uma estrutura de funding mais volátil", afirma o analista da Moody's.
Os investidores cobram a fatura desse desempenho. As sete instituições são negociadas hoje abaixo de seu valor patrimonial na bolsa. Os preços baixos e a falta de perspectiva de novas captações de recursos por meio de uma oferta de ações levaram alguns bancos, como Daycoval, Sofisa e Indusval, a lançar ofertas aos minoritários para fechar o capital.
Leia mais em: http://www.valor.com.br//financas/4573475/banco-medio-lucra-menos-e-busca-manter-liquidez-alta
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Potencial de armazenamento do país é de 95 GWh
Ainda consideradas um tabu, as
tecnologias de armazenamento de energia podem ganhar força no Brasil.
Estudo inédito sobre o tema, feito pela Associação Brasileira de
Armazenamento e Qualidade de Energia (Abaque), indica que há um
potencial de armazenamento de energia no país de 95 gigawatts (GWh) até
2024. Segundo Alexandre Bueno, diretor de Desenvolvimento e Tecnologia
de mercado da Instituição, esse volume seria suficiente para atender
toda a demanda de energia do país durante uma hora.
O estudo foi feito com base no Plano Decenal de Energia (PDE) 2024, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que traça metas para expansão das fontes eólica e solar, que possuem alto grau de integração com sistemas de armazenamento de energia.
O próximo passo da entidade é calcular os custos e o benefício econômico da aplicação do potencial. "De forma qualitativa, o primeiro benefício é deixar de consumir óleo diesel, e usar uma energia limpa e silenciosa para atender o pico de demanda", disse Bueno.
Os dois principais usos da tecnologia no Brasil são justamente o atendimento no horário de ponta, quando são acionadas usinas a óleo combustível, e a integração com fontes intermitentes de energia, como usinas eólicas e solares, em franca expansão no Nordeste.
"Quando você agrega sistemas de armazenamento, você melhora muito a qualidade da energia dessas fontes, como eólica e solar", afirmou ele. Ao acoplar projetos de armazenamento a essas usinas, o fator de capacidade desses parques - que indica o quanto de energia esses empreendimentos podem comercializar - aumenta.
Um fator de estímulo para o setor é a chamada pública que está sendo elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o desenvolvimento de um programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estratégico sobre o tema, com recursos compulsórios das empresas de energia. "Esperamos para esta segunda quinzena de maio a divulgação da Aneel da chamada pública em caráter oficial. Ela dará 15 dias para que as empresas se manifestem interessadas em participar e mais 180 dias para apresentação e formatação de projetos", explicou Bueno.
Segundo ele, a capacidade atual de projetos de armazenamento no mundo é de 180 GW. Estima-se que o mercado global de armazenamento de energia movimentará US$ 70 bilhões em 2020.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4571393/potencial-de-armazenamento-do-pais-e-de-95-gwh
O estudo foi feito com base no Plano Decenal de Energia (PDE) 2024, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que traça metas para expansão das fontes eólica e solar, que possuem alto grau de integração com sistemas de armazenamento de energia.
O próximo passo da entidade é calcular os custos e o benefício econômico da aplicação do potencial. "De forma qualitativa, o primeiro benefício é deixar de consumir óleo diesel, e usar uma energia limpa e silenciosa para atender o pico de demanda", disse Bueno.
Os dois principais usos da tecnologia no Brasil são justamente o atendimento no horário de ponta, quando são acionadas usinas a óleo combustível, e a integração com fontes intermitentes de energia, como usinas eólicas e solares, em franca expansão no Nordeste.
"Quando você agrega sistemas de armazenamento, você melhora muito a qualidade da energia dessas fontes, como eólica e solar", afirmou ele. Ao acoplar projetos de armazenamento a essas usinas, o fator de capacidade desses parques - que indica o quanto de energia esses empreendimentos podem comercializar - aumenta.
Um fator de estímulo para o setor é a chamada pública que está sendo elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o desenvolvimento de um programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estratégico sobre o tema, com recursos compulsórios das empresas de energia. "Esperamos para esta segunda quinzena de maio a divulgação da Aneel da chamada pública em caráter oficial. Ela dará 15 dias para que as empresas se manifestem interessadas em participar e mais 180 dias para apresentação e formatação de projetos", explicou Bueno.
Segundo ele, a capacidade atual de projetos de armazenamento no mundo é de 180 GW. Estima-se que o mercado global de armazenamento de energia movimentará US$ 70 bilhões em 2020.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4571393/potencial-de-armazenamento-do-pais-e-de-95-gwh
quinta-feira, 19 de maio de 2016
BCE: É essencial não deixar espaço para dúvida sobre reanimar inflação
A ata da mais recente
reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), realizada
em abril, revela que o conselho da instituição não deseja deixar dúvida
quanto ao compromisso de que conseguirá reavivar a inflação na zona do
euro, bloco integrado por 19 países.
A ata da reunião também mostrou que há um entendimento abrangente, entre os integrantes do conselho, de que a política monetária do BCE está funcionando e de que há razão para um otimismo moderado quanto à perspectiva econômica.
Na reunião de abril, o BCE decidiu manter as linhas da política monetária, mas o presidente da instituição, Mario Draghi, deixou a porta aberta para novos cortes nas taxas de juros, após as iniciativas adotadas em março.
A ata do último encontro de política monetária revela que o BCE também se mostra inclinado a reafirmar, coletivamente, a sua independência frente a pressões políticas que têm sofrido – uma referência indireta a autoridades de finanças da Alemanha, que têm criticado o efeito da adoção de taxas de juros negativas sobre os que poupam.
"Houve amplo entendimento de que há necessidade de se contrapor à percepção de que a política monetária não pode contribuir por mais tempo para o retorno da inflação” à meta, diz a ata do BCE.
"Houve o entendimento de que é muito importante reiterar o compromisso do conselho do BCE em trazer a inflação de volta à meta, sem atraso indevido, mantendo a referência futura como algo essencial à ancoragem das expectativas e ao suporte de uma transmissão efetiva da política monetária”, informa a ata.
Segundo o documento, tal aspecto é “ainda mais importante” tendo em vista que a inflação permanece há três anos abaixo da meta. “Foi então salientado que é necessário não deixar espaço para dúvida quanto ao compromisso do conselho de assegurar o retorno da taxa de inflação para sua meta de médio prazo, sem atrasos indevidos”.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4570323/bce-e-essencial-nao-deixar-espaco-para-duvida-sobre-reanimar-inflacao
A ata da reunião também mostrou que há um entendimento abrangente, entre os integrantes do conselho, de que a política monetária do BCE está funcionando e de que há razão para um otimismo moderado quanto à perspectiva econômica.
Na reunião de abril, o BCE decidiu manter as linhas da política monetária, mas o presidente da instituição, Mario Draghi, deixou a porta aberta para novos cortes nas taxas de juros, após as iniciativas adotadas em março.
A ata do último encontro de política monetária revela que o BCE também se mostra inclinado a reafirmar, coletivamente, a sua independência frente a pressões políticas que têm sofrido – uma referência indireta a autoridades de finanças da Alemanha, que têm criticado o efeito da adoção de taxas de juros negativas sobre os que poupam.
"Houve amplo entendimento de que há necessidade de se contrapor à percepção de que a política monetária não pode contribuir por mais tempo para o retorno da inflação” à meta, diz a ata do BCE.
"Houve o entendimento de que é muito importante reiterar o compromisso do conselho do BCE em trazer a inflação de volta à meta, sem atraso indevido, mantendo a referência futura como algo essencial à ancoragem das expectativas e ao suporte de uma transmissão efetiva da política monetária”, informa a ata.
Segundo o documento, tal aspecto é “ainda mais importante” tendo em vista que a inflação permanece há três anos abaixo da meta. “Foi então salientado que é necessário não deixar espaço para dúvida quanto ao compromisso do conselho de assegurar o retorno da taxa de inflação para sua meta de médio prazo, sem atrasos indevidos”.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4570323/bce-e-essencial-nao-deixar-espaco-para-duvida-sobre-reanimar-inflacao
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Educação financeira passa em teste do Banco Mundial, mas efeito é pequeno
Depois de ter seu primeiro contato com educação financeira ao longo
de seis meses, 18 mil alunos do Ensino Fundamental brasileiro foram
testados pelo Banco Mundial. Nas 112 escolas municipais de Joinville
(SC) e Manaus (AM) onde foram submetidas ao programa piloto, a nota
média foi 515, ante 508 de um grupo que não recebeu a instrução - pela
metodologia, a mesma do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) que
considera o desempenho global do grupo, a régua vai de 370 a 793. Os
resultados, divulgados com exclusividade para o Valor,
serão apresentados hoje na Semana Nacional de Educação Financeira. Os
números vão servir de base à decisão de incluir ou não a educação
financeira no currículo das escolas públicas de Ensino Fundamental.
Os números não brilham aos olhos. Além do diferencial de somente sete pontos de quem passou pelo programa, um olhar detalhado por pergunta também mostra avanços sutis. Sem ter a educação financeira incluída no cotidiano escolar, 16% dos alunos da nona série são totalmente contra gastar o troco de uma compra com algo que querem no lugar de guardar o dinheiro. Com a formação, o percentual sobe pouco, para 19%. O percentual no mesmo grupo dos que acham que fazer alguma poupança é importante para evitar problemas no futuro sobe de 37% para 38%. No quinto ano, os que dizem ter aprendido a mexer com dinheiro na escola é de 32% entre os que passaram pelo programa e de 27% entre os que não, somente para citar alguns exemplos.
"Na verdade, o efeito não é muito grande, mas é estatisticamente significativo, diferente de zero. Você pode dizer que funcionou", diz Caio Piza, economista do Banco Mundial e um dos responsáveis pela avaliação do projeto. Na análise dividida por séries, em que foram testados os terceiro, quinto, sétimo e nono anos, os resultados foram significativos do ponto de vista estatístico para os dois últimos, mas não para os dois primeiros. "Precisamos compreender um pouco melhor como incrementar o conhecimento e as atitudes dos alunos muito mais novos", diz Piza.
De forma geral, o efeito mostrado foi semelhante ao de outras intervenções na área de educação voltadas para a melhora de proficiência, como em Matemática ou Português, quando sob avaliação, segundo Piza. Ou seja, o diferencial pequeno das intervenções não é exclusividade da educação financeira. Além disso, defende, a pesquisa mostrou algum aumento de proficiência por conta da instrução, o que não apareceu em estudos similares, como o de um programa com estudantes entre 6 e 14 anos em Gana, na África, em que o incremento foi nulo. As pesquisas para essa faixa etária são escassas.
O Banco Mundial já tinha aprovado o programa brasileiro voltado para o Ensino Médio, ainda que também sem grandes margens. Os alunos que receberam as aulas tiveram nota média de 60,4, ante 56,1 do grupo de controle em um indicador de alfabetização financeira que ia de 0 a 100.
O resultado foi positivo principalmente quando se pondera que o programa durou apenas seis meses, defende Claudia Forte, superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil). Os livros chegaram às escolas no meio de 2015, não no começo do ano escolar, e ainda houve um intervalo até vencer a resistência dos 427 professores a um novo material. O programa não cria uma disciplina específica, mas indica o uso em meio a diferentes matérias. "É uma grande lição que o programa deixa: precisamos sobretudo envolver o professor", diz Claudia, que pensa em campanhas diretas e cursos de formação.
A partir do teste piloto, a ideia é disseminar o programa, segundo Claudia. Não será, entretanto, uma missão fácil. No Brasil, enquanto o Ensino Médio fica a cargo dos Estados, o Fundamental é tratado principalmente no âmbito das secretarias municipais. São cerca de 130 mil escolas, que devem ser alcançadas por meio de conversas com mais de 5 mil secretários de Educação dos municípios. "Há de se fazer uma articulação política extremamente importante", diz.
O Banco Mundial quer avaliar agora o resultado no Brasil de uma exposição à educação financeira continuada, o que pode ser feito por meio do acompanhamento de alunos da terceira série que acabaram de entrar no programa.
A especialista em psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira defende que a educação financeira comece pelas crianças na escola. "É a fase em que os comportamentos estão começando a se formar, então você tem mais chance de instalar novos hábitos. É muito mais fácil do que tentar mudar o comportamento de adulto", diz a professora, que integra o comitê de pesquisa para educação financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para obter resultados nessa faixa etária, entretanto, o método importa muito. Vera Rita, que prestou consultoria sobre aspectos psicológicos na elaboração do material brasileiro, diz que está longe de ser o caso de falar sobre investimentos para uma criança, mas sim de ensinar a se organizar, planejar, lidar com recursos escassos. E ela defende que os professores sejam muito bem capacitados.
Já William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (GVcef), diz que as pesquisas apontam para resultados mais positivos da educação financeira "just in time", ou seja, na véspera de ser colocada em prática. É por esse motivo que ele defende formatos de intervenção como listas acessíveis on-line que ofereçam o passo a passo para situações específicas, como trocar a casa dos pais pelo imóvel próprio ou planejar um mochilão, por exemplo. "Essa é a informação que importa, o restante ele não retém", defende o professor.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4567869/educacao-financeira-passa-em-teste-do-banco-mundial-mas-efeito-e-pequeno
Os números não brilham aos olhos. Além do diferencial de somente sete pontos de quem passou pelo programa, um olhar detalhado por pergunta também mostra avanços sutis. Sem ter a educação financeira incluída no cotidiano escolar, 16% dos alunos da nona série são totalmente contra gastar o troco de uma compra com algo que querem no lugar de guardar o dinheiro. Com a formação, o percentual sobe pouco, para 19%. O percentual no mesmo grupo dos que acham que fazer alguma poupança é importante para evitar problemas no futuro sobe de 37% para 38%. No quinto ano, os que dizem ter aprendido a mexer com dinheiro na escola é de 32% entre os que passaram pelo programa e de 27% entre os que não, somente para citar alguns exemplos.
"Na verdade, o efeito não é muito grande, mas é estatisticamente significativo, diferente de zero. Você pode dizer que funcionou", diz Caio Piza, economista do Banco Mundial e um dos responsáveis pela avaliação do projeto. Na análise dividida por séries, em que foram testados os terceiro, quinto, sétimo e nono anos, os resultados foram significativos do ponto de vista estatístico para os dois últimos, mas não para os dois primeiros. "Precisamos compreender um pouco melhor como incrementar o conhecimento e as atitudes dos alunos muito mais novos", diz Piza.
De forma geral, o efeito mostrado foi semelhante ao de outras intervenções na área de educação voltadas para a melhora de proficiência, como em Matemática ou Português, quando sob avaliação, segundo Piza. Ou seja, o diferencial pequeno das intervenções não é exclusividade da educação financeira. Além disso, defende, a pesquisa mostrou algum aumento de proficiência por conta da instrução, o que não apareceu em estudos similares, como o de um programa com estudantes entre 6 e 14 anos em Gana, na África, em que o incremento foi nulo. As pesquisas para essa faixa etária são escassas.
O Banco Mundial já tinha aprovado o programa brasileiro voltado para o Ensino Médio, ainda que também sem grandes margens. Os alunos que receberam as aulas tiveram nota média de 60,4, ante 56,1 do grupo de controle em um indicador de alfabetização financeira que ia de 0 a 100.
O resultado foi positivo principalmente quando se pondera que o programa durou apenas seis meses, defende Claudia Forte, superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil). Os livros chegaram às escolas no meio de 2015, não no começo do ano escolar, e ainda houve um intervalo até vencer a resistência dos 427 professores a um novo material. O programa não cria uma disciplina específica, mas indica o uso em meio a diferentes matérias. "É uma grande lição que o programa deixa: precisamos sobretudo envolver o professor", diz Claudia, que pensa em campanhas diretas e cursos de formação.
A partir do teste piloto, a ideia é disseminar o programa, segundo Claudia. Não será, entretanto, uma missão fácil. No Brasil, enquanto o Ensino Médio fica a cargo dos Estados, o Fundamental é tratado principalmente no âmbito das secretarias municipais. São cerca de 130 mil escolas, que devem ser alcançadas por meio de conversas com mais de 5 mil secretários de Educação dos municípios. "Há de se fazer uma articulação política extremamente importante", diz.
O Banco Mundial quer avaliar agora o resultado no Brasil de uma exposição à educação financeira continuada, o que pode ser feito por meio do acompanhamento de alunos da terceira série que acabaram de entrar no programa.
A especialista em psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira defende que a educação financeira comece pelas crianças na escola. "É a fase em que os comportamentos estão começando a se formar, então você tem mais chance de instalar novos hábitos. É muito mais fácil do que tentar mudar o comportamento de adulto", diz a professora, que integra o comitê de pesquisa para educação financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para obter resultados nessa faixa etária, entretanto, o método importa muito. Vera Rita, que prestou consultoria sobre aspectos psicológicos na elaboração do material brasileiro, diz que está longe de ser o caso de falar sobre investimentos para uma criança, mas sim de ensinar a se organizar, planejar, lidar com recursos escassos. E ela defende que os professores sejam muito bem capacitados.
Já William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (GVcef), diz que as pesquisas apontam para resultados mais positivos da educação financeira "just in time", ou seja, na véspera de ser colocada em prática. É por esse motivo que ele defende formatos de intervenção como listas acessíveis on-line que ofereçam o passo a passo para situações específicas, como trocar a casa dos pais pelo imóvel próprio ou planejar um mochilão, por exemplo. "Essa é a informação que importa, o restante ele não retém", defende o professor.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4567869/educacao-financeira-passa-em-teste-do-banco-mundial-mas-efeito-e-pequeno
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