quarta-feira, 25 de julho de 2018

BNDES desembolsa R$ 4,04 bilhões para energia no primeiro semestre

Dos R$ 27,7 bilhões desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de janeiro a junho deste ano, R$ 4,08 bilhões foram para a área de energia elétrica, representando um recuo de 37%. Os desembolsos para o setor representaram 14,7% do valor total dispendido pelo banco. Nos últimos doze meses, os desembolsos para a energia chegaram a R$ 11,4 bilhões, número 1% menor que o do primeiro semestre do ano passado. A área de infraestrutura, onde energia está inserida foi a que mais teve desembolsos no semestre, com R$ 11,02 bilhões. Em doze meses, foram R$ 25,7 bilhões.

Na parte de aprovações, o setor elétrico conseguiu este ano R$ 6,24 bilhões, novamente liderando na área de infraestrutura, que teve R$ 10,7 bilhões aprovados. Houve queda de 25%. O total de aprovações chegou a R$ 30,2 bilhões, um recuo de 10% na comparação com 2017. Nos últimos dozes meses, as aprovações para energia chegaram a R$ 12,9 bilhões. Em 12 meses, as aprovações para os projetos de infraestrutura chegaram a R$ 27,2 bilhões.

Os enquadramentos do BNDES para projetos de energia no semestre chegaram a R$ 8,3 bilhões, 25% a menos que no mesmo período do ano passado. Eles representam 17,6% de um total de R$ 47,4 bilhões enquadrados pelo banco. A área de infraestrutura teve R$ 18,6 bilhões em projetos enquadrados, ficando com 39,2% do total e energia foi a área com melhor desempenho. Em 12 meses, os enquadramentos para energia somaram R$ 15,4 bilhões, uma queda de 5%, enquanto o total ficou em R$ 93,5 bilhões

Nas consultas, que somaram R$ 49,7 bilhões no semestre, R$ 8,5 bilhões vieram da área de energia, diminuindo 25% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. As consultas para infraestrutura ficaram em R$ 19,3 bilhões e energia representou 17,2% do total consultado. Em doze meses, o BNDES registrou R$ 15,7 bilhões em consultas para projetos de energia, o que significa um recuo de 8%. O total de consultas chegou a R$ 100,9 bilhões.

Leia mais em: https://www.canalenergia.com.br/noticias/53069329/bndes-desembolsa-r-404-bilhoes-para-energia-no-primeiro-semestre

terça-feira, 24 de julho de 2018

Petrobrás vai gerar energia eólica no mar

Inédita no Brasil, a geração de energia eólica no mar começa a dar seus primeiros passos no País pelas mãos da Petrobrás. O negócio promete ser tão bem sucedido quanto a geração eólica em terra, disse o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da estatal, Nelson Silva. A licitação para a instalação de uma planta-piloto da empresa no Rio Grande do Norte será feita ainda este ano, revelou o executivo, que aguarda o licenciamento do projeto no Ibama para iniciar o processo.

A ideia é instalar torres de geração eólica, ou aerogeradores no jargão do setor, ao lado de plataformas em campos rasos do Nordeste, região brasileira com maior potencial para gerar energia a partir do vento. “A vantagem no offshore (no mar) é que se espera um fator de capacidade maior do que em terra”, explicou Silva. A previsão é que a planta-piloto comece a funcionar em 2022.

O fator de capacidade do Brasil, índice que mede o grau de aproveitamento dos aerogeradores para produzir energia eólica, é um dos maiores do mundo. Em janeiro, complexo eólico no Ceará, de propriedade da Echoenergia teve média do fator de capacidade superior a 60% ante 25% da média mundial. A vantagem da geração no mar, dizem especialistas, é que os aerogeradores, ou turbinas eólicas, podem ter capacidade maior do que os instalados em terra.

O Brasil começou a gerar energia eólica em 2005 – pouco menos do que 30 megawatts (MW). Em 2009, quando ocorreu o primeiro leilão do governo incluindo a oferta de empreendimentos eólicos, o Brasil gerava 600 MW. Hoje, essa geração ultrapassa os 13 mil MW e, somente com os leilões já realizados, deve atingir 17,8 mil MW em 2023. Atualmente, a geração eólica abastece 10% da população brasileira, ou 22 milhões de pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

“A média da capacidade dos aerogeradores do Brasil em terra gira em torno de 2 megawatts, mas no mar já tem máquina operando com 8 megawatts”, informa o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, um dos primeiros defensores da inclusão da energia eólica como fonte de geração de energia no Brasil. Esta semana, ele promove no Rio Grande do Norte o 10.º Fórum Nacional Eólico, onde o tema será discutido, precedendo a maior feira do setor, a Brazil Windpower, que terá pela primeira vez um painel dedicado apenas à geração eólica offshore, com participação da Petrobrás.

Segundo o Ibama, a Petrobrás entrou com o pedido de licença ambiental para a planta-piloto de geração eólica offshore em maio e o órgão já emitiu o Termo de Referência para que a empresa elabore o Relatório Ambiental Simplificado (RAS) para obter autorização. Pelo fato de já ter um equipamento no campo (plataforma), o Ibama já possui estudo ambiental do local, informou o órgão.

Se o projeto se mostrar economicamente viável, a expectativa do diretor da Petrobrás é de que seja a primeira de uma série de unidades que irão comercializar energia elétrica no mercado brasileiro a partir da geração eólica no mar. Para acelerar os investimentos, a estatal busca a parceria de empresas com experiência no segmento, como a francesa Total e a norueguesa Equinor (ex-Statoil).

“Vamos utilizar a experiência dessas empresas e os próprios dados que temos das medições das plataformas no Nordeste e da geologia do local, da medição de ventos e das marés”, explicou Silva. Segundo ele, a Petrobrás já está mais forte financeiramente e pode começar a olhar projetos de mais longo prazo e a investir em energia renovável.

Leia mais em:https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,petrobras-vai-gerar-energia-eolica-no-mar,70002412545

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Governo deixa de economizar milhões por ano sem uso de energia solar

Com potencial de gerar 170 vezes mais eletricidade do que a atual matriz brasileira, a energia solar ainda é subaproveitada no país, contribuindo com menos de 1%. Iniciativas pontuais, no entanto, revelam que investir em geração fotovoltaica é cada vez mais necessário e providencial para o Brasil, que, além de ser um país tropical, com muita irradiação solar, precisa conter os gastos. Se o governo federal replicar em todos os prédios públicos a instalação que cobre apenas o Ministério de Minas e Energia (MME) e, bem recentemente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), poderia economizar, pelo menos, R$ 200 milhões por ano em energia.

O gasto com eletricidade da administração federal em 2017 foi de R$ 2,083 bilhões. Em 2016, foi de R$ 2,156 bilhões. O recuo de 3,5% de um ano para outro já foi reflexo de algumas medidas de eficiência energética adotadas pelo Executivo, entre elas a instalação de um miniusina fotovoltaica na cobertura do MME. O sistema foi realizado no modelo de acordo de cooperação técnica entre a pasta e Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), sem ônus para o poder público, mas com custos de cerca R$ 500 mil. A potência de geração da miniusina é de 69 quilowatts (kW) ou 60 quilowatts pico (kWp), que equivale ao consumo de 23 residências de uma família média brasileira, com três a quatro pessoas consumindo 300 kWh por mês.

O presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, explica que, na ocasião da implantação, se calculava que a usina seria capaz de gerar cerca de 7% do consumo do prédio do MME. “Um ano depois, um balanço apontou que contribuiu com 10%, porque os painéis fazem sombra, o que amenizou o calor nos andares mais altos e reduziu o consumo de ar-condicionado”, explica. “A geração solar pode garantir, pelo menos, 10% da energia nos demais prédios públicos, mas em alguns edifícios pode chegar a 90%, se for mais horizontal.”

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No caso da Aneel, que inaugurou a primeira etapa de uma usina fotovoltaica na sede em Brasília na última semana de junho, a geração solar vai garantir redução de 20% nos gastos com energia. Com investimento de R$ 1,8 milhão, a usina de microgeração distribuída, com 1.760 painéis de 1,65m² e potência de 510,40 kWp, vai gerar uma média de 710 megawatts hora (MWh) por ano. A agência também instalou um autoposto para abastecer carros elétricos. “A Absolar, recentemente, entregou ao Rodrigo Maia (deputado do DEM-RJ e presidente da Câmara dos Deputados) uma proposta de projeto técnico e econômico para instalação de energia solar nos anexos do Legislativo”, conta. Dependendo do tamanho do sistema, Sauaia estima investimento de R$ 2 milhões para economia líquida pode mais de 18 anos, uma vez que a vida útil dos equipamentos é de mais de 25 anos.

DESEMPENHO
O superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Aneel, Ailson de Souza Barbosa, explica que o projeto foi possível graças à elaboração de um contrato de desempenho, pioneiro no setor público e com potencial de expansão para outros órgãos. A obra foi incluída no Projeto de Eficiência Energética (PEE) da Companhia Energética de Brasília (CEB), que aportou os recursos para instalação do sistema. À medida que a usina gera, a fatura de energia da autarquia diminui. A agência continuará pagando o restante da fatura até amortizar o investimento e, quando o dinheiro voltar para a CEB, será aplicado em outros projetos de eficiência energética.

“O contrato é de ganha-ganha porque há o retorno do recurso, sem nenhuma gratuidade. Por enquanto, fizemos só o bloco H. Daqui a um mês devemos concluir mais dois blocos. A partir daí teremos economia de 20% em cima do consumo atual, que deve ser reduzido com outras medidas, como a otimização dos sistemas de ar-condicionado e de iluminação”, diz. Para Barbosa, a Aneel está dando o exemplo para o setor público com a instalação da usina. “O contrato de desempenho deve atrair o interesse de outros órgãos”, aposta.

Leia mais em: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2018/07/22/internas_economia,974934/governo-deixa-de-economizar-milhoes-por-ano-sem-uso-de-energia-solar.shtml

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Energia solar cresceu 9 vezes no meio rural

O meio rural atingiu 15,8 megawatts de utilização operacional de energia solar fotovoltaica. Essa marca atual significa que este tipo de fonte cresceu nove vezes em 2017 e neste ano já dobrou o uso dessa tecnologia no campo.

“Os agricultores descobriram a energia solar fotovoltaica. São eles os responsáveis por levar o alimento do campo para as áreas urbanas, e passam, agora, a também ter uma complementação de renda, gerando energia elétrica para abastecer áreas urbanas e reduzir os seus gastos especificamente”, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

Segundo o presidente, essa é uma novidade interessante, porque a demanda tem se espalhado em diversos segmentos.

“O meio rural tem açudes usando energia solar fotovoltaica flutuante em Goiás. Tem projetos mais tradicionais de bombeamento e irrigação em Minas Gerais”, contou Sauaia.

Além do custo mais baixo, outra vantagem apontada por Rodrigo Sauaia para o uso desta tecnologia no campo é a de ela ser mais limpa.

“Muitos desses produtores rurais, às vezes para levar irrigação para uma área produtiva distante da rede elétrica, tinham que levar um gerador a diesel barulhento e poluente no meio da plantação para gerar e poder irrigar. Era péssimo para o meio ambiente, caro para o produtor, mas ele precisava fazer isso. Agora, pode fazer isso com o sol, com um sistema móvel e com energia limpa e sem combustível, sem dor de cabeça para o produtor”, observou.

A energia solar também tem se mostrado um bom negócio para os produtores de agricultura familiar. O presidente da Absolar destacou as linhas de financiamento que o consumidor passou a ter para fazer a instalação do serviço.

Ele contou que, no Paraná, um produtor familiar de leite está refrigerando o produto com a energia do sol, depois de conseguir um financiamento por meio do Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf), que neste caso, tem juros variando entre 2,5% a 5,5% ao ano.

Para o período de julho de 2018 a junho de 2019, o Bndes informou que os juros são de até 4,6% e a aquisição do equipamento deve estar vinculada a uma atividade econômica.

Para as pessoas físicas e jurídicas que queiram instalar projetos de energia solar fotovoltaica, o banco abriu linhas de financiamento no Programa Fundo Clima para 80% dos itens financiáveis, podendo chegar a R$ 30 milhões a cada 12 meses por beneficiário.

Para renda anual de até R$ 90 milhões, o custo é de 0,1% ao ano com a remuneração do Bndes de 0,9% ao ano. Na renda anual acima de R$ 90 milhões, o custo tem o mesmo percentual, mas a remuneração do Bndes é de 1,4% ao ano.

Leia mais em: https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2018/07/energia-solar-cresceu-9-vezes-meio-rural/34249

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Consumo de energia sobe 2,6% em julho, afirma CCEE

O consumo de energia no Brasil subiu 2,6% na primeira quinzena de julho. É o que indica os dados preliminares de medição coletados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que também mostram crescimento de 2,4% na geração de energia elétrica no país na comparação com o mesmo período de 2017. As informações constam no boletim InfoMercado Semanal Dinâmico da CCEE, que traz dados prévios de geração e consumo de energia, além da posição contratual líquida atual dos consumidores livres e especiais.

Até o dia 15 de julho, o consumo de energia no Sistema Interligado Nacional – SIN atingiu 58.617 MWmédios, índice 2,6% superior ao montante consumido no mesmo período do ano passado. No Ambiente de Contratação Regulado – ACR (cativo) o consumo subiu 2,3%. Caso esse movimento fosse desconsiderado, o aumento seria de 3,4% no consumo. Já no Ambiente de Contratação Livre – ACL, o consumo registrou incremento de 3,5%, havendo aumento de 1% caso o movimento dos agentes fosse desconsiderado na análise.

Dentre os ramos da indústria avaliados pela Câmara, incluindo dados de autoprodutores, varejistas, consumidores livres e especiais, os setores de extração de minerais metálicos químico e de metalurgia e produtos de metal foram os únicos com incremento no consumo, quando a migração é desconsiderada, com 6,7%, 3% e 2,5% respectivamente. Por outro lado, a indústria têxtil de serviços e de manufaturados diversos apresentaram índices reduções no consumo dentro do mesmo cenário: 5,8%, 2,3% e 1,7% respectivamente.

A geração de energia no Sistema chegou a 60.726 MW médios, índice 2,4% superior à produção de energia no mesmo período de 2017. A geração hidráulica, incluindo as Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs, caiu 2,5%, enquanto a produção de eólicas e térmicas cresceu 11,1% e 10,6%, respectivamente.

O Boletim também apresenta a estimativa da produção das hidrelétricas integrantes do Mecanismo de Realocação de Energia – MRE, que em julho ficou equivalente a 61,3% de suas garantias físicas, ou 37.102 MWmédios em energia elétrica. Para fins de repactuação do risco hidrológico, o percentual é de 67,7%.



Leia mais em: https://www.canalenergia.com.br/noticias/53068699/consumo-de-energia-sobe-26-em-julho-afirma-ccee

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Investimento global em energia renovável cai 7% em 2017

 No ano passado, o investimento global em energia foi de US$ 1,8 trilhão, valor que representa uma queda de 2% em relação aos números de 2016, de acordo com o relatório World Energy Investment 2018, divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE, na sigla em inglês).

Mais de US$ 750 bilhões foram gastos no setor elétrico, enquanto US$ 716 bilhões foram investidos no fornecimento de petróleo e gás globalmente em 2017.

Os investimentos impulsionados por empresas estatais são responsáveis ​​por uma parcela crescente do investimento global em energia, que aumentou mais de 40% nos últimos cinco anos, principalmente devido a modificações e reconstruções nas redes nacionais para equilibrar demanda e oferta.

No entanto, os investimentos no setor, responsável por dois terços dos gastos com geração de energia (US$ 300 bilhões), caíram 7% em 2017. A AIE prevê que essa taxa continuará a declinar este ano, ressaltando que “a implementação de políticas de eficiência energética e a melhoria da intensidade energética global estão abrandando”.

De acordo com o relatório, esse declínio deve-se à mudança no foco de melhorias na rede de energia, bem como menores custos de capital para projetos eólicos onshore (em terra), além de uma queda no investimento em energia hidrelétrica. Veja também: 14 bilhões de aparelhos de refrigeração em 2050...e uma conta pesada 

Também pesa a redução do apoio de governos para desenvolvimento de projetos de energia solar, como a decisão da China de cortar subsídios para novos projetos, o que aumenta o risco de desaceleração dos investimentos no setor este ano.

Como a China responde por mais de 40% do investimento global em energia solar fotovoltaica, suas mudanças na política de incentivo têm implicações globais. Isso reitera a importância crítica das políticas públicas na condução do investimento em energia renovável, avalia a Agência.

O relatório revela ainda que o investimento em combustíveis fósseis aumentou no ano passado pela primeira vez desde 2014, em parte devido ao incremento do poder de compra da indústria de petróleo e gás.

A participação das empresas petrolíferas nacionais no investimento total no setor manteve-se perto de recordes, uma tendência que a AIE prevê que continue este ano.

A indústria de xisto dos EUA também está vendo uma tendência ascendente após um longo período de fragilidade financeira.  Já o investimento no setor nuclear afundou para seu nível mais baixo em cinco anos, segundo o relatório.

Leia mais em: https://exame.abril.com.br/economia/investimento-em-energia-renovavel-cai-7-em-2017/

terça-feira, 17 de julho de 2018

Geração de energia fotovoltaica já conta com indústria nacional, mas impostos tiram vantagem

O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, afirma que o maior gargalo do setor no Brasil são os impostos sobre os insumos importados usados na fabricação de painéis solares. Principal financiador dos projetos, o BNDES, exige conteúdo local. Mas os projetos vencedores nos leilões da ANEEL são os que oferecem o menor preço final ao consumidor. Por isso a geração fotovoltaica não avança no Brasil como devia, ao contrário do que acontece em países como China, Índia e Turquia.

Por muito tempo a energia solar fotovoltaica foi uma opção limpa, mas cara. Como estamos hoje?

Vemos uma grande transição energética baseada em três eixos: descentralização, que pressupõe a geração de energia junto aos centros urbanos; a digitalização, que passa pelo uso da tecnologia da informação e da internet em favor da rede elétrica; e a descarbonização, que é a geração com menor impacto ambiental, menos emissão de gases de efeito estufa.  Mas nada disso pode acontecer se as novas fontes e suas tecnologias não forem competitivas. No caso da energia solar fotovoltaica, o que a tem feito crescer não é a preocupação ambiental, que predominou nas décadas de 1970 e 1980, mas a competitividade que alcançou. Estamos falando de energia solar gerando energia elétrica mais barata do que todas as fontes fósseis, mais barata que termoelétrica biomassa, mais barata do que a energia gerada em pequenas centrais hidrelétricas. Vimos isso nos dois últimos leilões. No leilão de dezembro, o preço médio foi de R$ 145,68 por megawatt-hora (MWh). Em abril desse ano saiu por R$118,07. São preços recordes que, com pouco incentivo público, caíram quase pela metade em quatro anos. Isso foi possível graças aos ganhos de escala, melhoria da tecnologia e aumento da eficiência.

No Brasil não há iniciativas estatais nessa linha. Estamos atrasados?

Muitas empresas públicas e privadas de fontes convencionais já introjetaram a transição em seu modelo de negócio. A Engie e outras empresas francesas, italianas, espanholas, norte-americanas, holandesas e chinesas já investem em renováveis. O Brasil precisa, de fato, despertar para essa oportunidade porque temos alguns dos maiores grupos da América do Sul em suas áreas que ainda não decidiram suas estratégias de transição. Mas vejo sinais positivos, embora tímidos. A associação já conta com grandes grupos como Furnas e Chesp, e temos conversas com a Eletrobras e Petrobras. Então, acredito que é uma questão de tempo.

Em que pé está a fabricação de equipamentos fotovoltaicos no Brasil?

Já temos algumas usinas que usaram produtos nacionais porque foram financiadas pelo BNDES, que exige conteúdo local. Assim foi para uma grande usina em Minas e outra no Rio Grande do Norte. Mas é fato que existe um desafio para a cadeia produtiva nacional. Um dos gargalos mais importantes é a carga tributária injusta aplicada sobre o fabricante nacional. Ele compra matérias primas importadas, paga impostos elevadíssimos sobre esses insumos e precisa incorporar o custo no preço dos produtos. Isso faz com que o equipamento produzido no Brasil, mesmo em fábricas de grupos que detêm tecnologia de ponta e são ativas no mundo inteiro, sejam até 30% mais caros do que os fabricados no exterior. O problema é o imposto. Por isso temos conversado com o governo para que se atualize o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que hoje inclui apenas 20% dos insumos produtivos de um módulo fotovoltaico. Os ministérios envolvidos já concordaram e, agora, falta um parecer final da Fazenda.

Muitas peças vêm da China com preços bem mais competitivos... Nosso problema é o módulo fotovoltaico, que vem de lá na maioria das vezes. Mas também importamos da Malásia, Tailândia, Japão e um pouco do Vietnam, Europa e América do Norte. O Brasil já fabrica todos os componentes do sistema. Inversores, estruturas e rastreadores nacionais já estão muito competitivos.

Os investidores reclamam das exigências do BNDES para financiamento. Há uma linha tênue entre protecionismo e entrave. Como vê a questão?

O BNDES tem um plano de nacionalização progressiva para o setor. O problema é que o banco exige módulos nacionais e esse componente tem um tratamento tributário extremamente desfavorável, o que encarece os projetos. Mas,  ao nosso ver, o erro não está no BNDES e sim no imposto. Isso tem dificultado a viabilidade desse financiamento porque os empreendedores do setor concorrem em leilões muito competitivos, precisam ter preço. Cada centavo conta. Ter um preço competitivo de módulo é um fator crucial para a entrega dos projetos contratados. O imposto trava não só a cadeia produtiva, mas, indiretamente, o financiamento nacional.

Foto: José Peres/ Jornal do Brasil
"O BNDES exige módulos nacionais, mas o tratamento tributário extremamente desfavorável, encarece os projetos", afirma Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica
Qual o horizonte para os leilões de solar da Aneel?

Até hoje foram cinco leilões, com os dois primeiros em 2014. É importante dizer que estavam previstos dois leilões para 2016, mas a fonte foi retirada do primeiro com a promessa de que entraria no segundo, que acabou cancelado. Isso prejudicou muito o planejamento do setor porque haverá uma lacuna de contratação nos anos de 2019 e 2020, quando seriam entregues os projetos. Isso traz enorme preocupação ao fabricante, que tem de produzir de forma continuada. Não há previsão, mas recomendamos que o governo realize um leilão ainda esse ano para entregas em dois anos. No longo prazo, é preciso fixar um cronograma que traga mais previsibilidade. O Brasil tem, em carteira, por volta de 20 GW, que é o portfólio disponível para atender leilões do governo. É uma enormidade de potencial.

Índia e Turquia, que guardam semelhanças com o Brasil, já aparecem com destaque no cenário internacional. O que fizeram diferente de nós?

Eu também incluiria a China que, embora monumental, ainda é um país em desenvolvimento. Os chineses não começaram muito tempo antes dos outros, mas têm uma característica importante: um governo central bastante eficiente na tomada de decisão. Quando decidem, implementam rápido. Por isso se tornaram o maior mercado fotovoltaico do mundo.  Tinham 130 GW instalados até 2017 e, em breve, vão superar a meta de 200 GW. Já a matriz elétrica brasileira inteira tem 160 GW. Na Índia, o que houve de especial foi desenvolvimento de um plano nacional para energia solar fotovoltaica, com a meta de atingir 100 GW até 2022. Em 2017, instalaram 10 GW. É um programa transversal, que inclui energia solar gerada em residências, comércio, indústria, prédios públicos e grandes usinas, em grande parte contratada pelo governo, mas via mercado. A Índia levou a solar para o eixo central de seu desenvolvimento para reduzir a dependência do carvão e importação de combustíveis fósseis. Há ainda uma parcela muito grande da população sem acesso a energia elétrica. Estão instalando energia solar com baterias em todo os cantos do país. A Turquia seguiu direção parecida, mas com incentivos diretos, com prêmio em dinheiro para quem gera energia solar, um caminho que o Brasil não seguiu. Optamos por uma linha de compensação. De toda forma, até três anos atrás, ninguém falava de Turquia e agora, eles viraram um dos principais mercados da Europa expandida, atraindo empreendedores de toda a Europa e da Ásia vizinha.

Leia mais em: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2018/07/16/geracao-de-energia-fotovoltaica-ja-conta-com-industria-nacional-mas-impostos-tiram-vantagem/