segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Odilon Camargo, da Camargo-Schubert: À caça de bons ventos

O jovem Odilon Camargo ainda cursava engenharia aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica - e jura de pés juntos que também era o autor de gols de bicicleta em partidas de futebol nesse período - quando em 1976 começou a atuar no segmento de energia eólica como estagiário no Instituto de Atividades Espaciais (IAE). Desde então, não deixou mais esse segmento que recentemente comemorou os 10 GW de capacidade instalada, volume acumulado em sete anos de efetiva participação na matriz elétrica nacional.
Camargo foi um dos pioneiros no mapeamento dos ventos brasileiros que resultou, ainda em 2001 no primeiro Atlas Eólico Brasileiro, que segundo ele, tem um viés conservador e que mesmo assim apontou para a existência de um potencial de geração de 143 GW somente por meio da força dos ventos. Esse volume equivale a 10 usinas de Itaipu ou a quase a totalidade do que o país possui em capacidade instalada no acumulado de um século de setor elétrico.
Segundo ele, os problemas do setor são conjunturais e possuem solução, basta o governo não quebrar a confiabilidade nas regras que os investidores sempre aparecerão. Isso porque há vento para todos no Brasil e cada vez mais teremos novas áreas e fronteiras a serem descobertas, como ocorreu recentemente com o Piauí. Nesse sentido dos novos caminhos ele aponta o litoral do Sudeste e estados do interior do país como Goiás, bem como os mais ao norte como Roraima e Amapá. Confira a seguir os principais trechos da entrevista do executivo da Camargo-Schubert e Nabrawind (empresa sediada em Navarra, na Espanha) à Agência CanalEnergia e que foi homenageado no Brazil Windpower 2016 com o título de Embaixador do Vento ao lado de seus companheiros de ITA, Bento Koike, da Tecsis, e Mário Araripe, da Casa dos Ventos.
Agência CanalEnergia: Por que os ventos brasileiros são apontados como alguns dos melhores do mundo?
Odilon Camargo: Passados 40 anos desde que comecei a atuar nesse mercado no projeto aerodinâmico de aerogeradores e depois de correr atrás de locais para a instalação de parques eólicos enquanto não havia projetos no país ao inventariar os locais mais apropriados, vemos que o Nordeste é um local ótimo para essa fonte. Isso porque há centros de alta pressão estacionários entre o litoral nordestino e a África que influenciam diretamente os ventos alísios. Essa mesma característica poderia ser vista em seu equivalente no hemisfério Norte que abrange o México e a Flórida, mas ali há baixa pressão e acaba levando à ocorrência de furacões. Na mesma faixa mas no hemisfério sul temos a Indonesia e norte da Austrália, mas ali há tufões. Aqui, os ventos são comportados e intensos, assim como na Etiópia que vem passando pelo crescimento no uso de seus aproveitamentos eólicos.
Agência CanalEnergia: A fonte eólica alcançou a meta não oficial de 10 GW na primeira década em sete anos. A que se deve atribuir essa expansão acelerada no Brasil, somente aos ventos?
Odilon Camargo: Quando a gente observa a expansão da eólica no mundo, principalmente na Europa, o crescimento teve uma base muito forte em subsídios e incentivos para a indústria. A crise de 2008 foi boa para o setor porque a indústria teve que sair da zona de conforto e competir globalmente e para isso teve que baixar o preço e o custo de geração. Em qualquer lugar do mundo, especialmente em países em desenvolvimento a energia tem peso essencial para o crescimento econômico. E essa indústria encontrou mercado justamente na América Latina, África e Ásia. O Brasil entrou no mapa mundial do setor eólico no momento certo e os leilões consolidaram a fonte cujo modelo está sendo aplicado até mesmo pela Alemanha, o que me deixou entusiasmado. Antes a tarifa estava na casa de 90 euros, agora o preço teto por lá será de 70 euros. Isso mostra que a competição no mundo passará a ser por custo de geração. Isso traz benefícios para o setor como um todo já que os fabricantes terão que apresentar produtos novos para ser mais eficientes.
Agência CanalEnergia: Nesse sentido, quais novas tecnologias devem surgir no mundo?
Odilon Camargo: A questão é que para aumentar a capacidade de um equipamento deve-se aumentar as pás e o rotor. Só que isso traz um problema que é a logística em função das estradas. E não é somente no Brasil, e sim em todo o mundo, os parques estão localizados em regiões mais acidentadas e de difícil acesso. Começou então o movimento de dividir as pás. A Wobben Enercon já tem uma em proporções de 20% e 80%. Há outras formas de divisão como ao meio que traz benefícios no transporte. Hoje há pás na Dinamarca de 88 metros de comprimento. Outro caminho da energia eólica são as torres mais altas e de aço. Hoje as torres de concreto são até oito vezes mais pesadas que as de aço. Outra vantagem é o tempo que leva para ser construída, e ainda, com o advento do aumento dos rotores a torre acaba se elevando a mais de 120 metros. Para montá-la é necessário um guindaste especial, uma máquina rara e de 90 toneladas de peso. Isso, obviamente, traz importantes custos logísticos. Uma torre modular é a resposta para reduzir esses custos e inclusive podendo ser transportada até mesmo por caminhões comuns. Você não dispensa o uso de guindastes, mas usa os mais comuns e depois no processo de construção pode sobrepor módulos podendo aumentar a 150 metros, 200 metros... nesse modo para erguer uma torre o céu é o limite.
E ainda, há diversas ideias mirabolantes para a geração de energia eólica no mundo, mas não foge à necessidade de captação de vento por meio de pás, quanto maior a área de alcance das pás mais energia cinética é gerada pelo vento e transformada em energia elétrica. Portanto, a forma de avanço sempre se dará pela elevação das dimensões dos aerogeradores. Hoje temos máquinas de 2 MW e com 115 metros de altura com produtividade sensacional, mesmo com pouco vento. Se aumentar em 10% a 20% a dimensão da pá tem quase a mesma proporção de elevação do fator de capacidade sem o aumento significativo do capex, o que reduz o custo de geração. No geral, o horizonte que se descortina é de baixar o custo de geração em até 25%.
Agência CanalEnergia: No Brasil a energia eólica tem se concentrado no Sul do país e no Nordeste, principalmente. Há novas regiões para aproveitamento eólicos que podemos ver fora dessas áreas?
Odilon Camargo: Aqui no Brasil a tendência também é de aumentar a torre e o rotor. Com o avanço dos equipamentos, há uma boa perspectiva de que teremos energia eólica competitiva no litoral norte do Rio de Janeiro seguindo para o Espírito Santo, onde já mapeamos áreas que se mostram atraentes para novos projetos. Ali temos vantagens como capacidade de escoamento, proximidade de carga, de logística. Além dessas regiões há possibilidade de novos projetos no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Essas localidades podem se beneficiar do surgimento de máquinas mais produtivas que podem se utilizar de ventos menos intensos.
Em termos de novas fronteiras um estado que é promissor em termos de expansão eólica é Roraima. E essa região pode se beneficiar bastante uma vez que vive ciclos de crise, pois tem seu abastecimento vindo da usina venezuelana de Guri cujo reservatório vem secando, o que afeta o atendimento da demanda naquele local. E não é somente esse, vemos ainda o Amapá, o interior do Mato Grosso do Sul e Goiás como possíveis novas fronteiras do setor. Mas é preciso ressaltar que no Nordeste, como um todo, ainda possui muitas áreas a serem exploradas e que ainda não aparecem no mapa da geração eólica nacional. Algumas destas são maravilhosas em termos de expansão. Foram descobertas há 3 ou 4 anos e ainda tenho comigo que há muitas outras a serem descobertas.
CanalEnergia: O nosso potencial estimado é de 500 GW, acredita que com o avanço dos dados de medições esse numero tende a aumentar?
Odilon Camargo: Em 2001 fizemos o atlas eólico nacional de forma bem conservadora e apontamos para 143 GW, pouco mais de 10 Itaipus. Recentemente conseguimos alcançar 10 GW de potência instalada e 19 GW contratados, ou seja, pouco mais de 10% desse volume conservador. Olhando para o futuro, vemos o desenvolvimento tecnológico abrindo novas fronteiras. Há vento para todo mundo e na eólica o limite de potencial é o nosso consumo, pois com as novas máquinas se passa a aproveitar ventos 7,5 a 8 metros por segundo e se pensarmos que podemos utilizar ventos a partir de 6 metros por segundo, então, isso amplia o potencial, e ainda nessa conta devemos colocar a elevação da altura das torres em comparação com o que tivemos na elaboração do atlas de 143 GW. Cada vez mais os aerogeradores conseguem produzir com ventos menos intensos e isso com economicidade e competitividade. 
Agência CanalEnergia: Nas discussões do Brazil Windpower deste ano observamos que a transmissão é um gargalo importante para o setor. Há alguma forma de destravar essa questão?
Odilon Camargo: Essa questão apresenta duas vertentes principais. A primeira é que ainda há limitações decorrentes do mal atendimento por linhas de transmissão, principalmente no Nordeste onde temos algo entre 6 GW e 7 GW de eólicas que se somam às UHEs do São Francisco e levam a um potencial total de 10 GW, um volume que indica a necessidade de termos mais linhas para o escoamento desse potencial para outras regiões. Outra questão é a ambiental que para os parques a licença é muito mais rápida, já para as linhas os problemas são fundiários e ambientais. Mesmo com a declaração de utilidade pública por parte da Aneel, encontrar todos os proprietários das terras é complicado.
Além disso, é bom lembrar que o problema da transmissão no setor eólico deve-se a uma virtude dessa fonte, a rapidez com que fica pronta. Mas isso não é exclusividade do Brasil, há a mesma dificuldade de escoamento até mesmo na China, Estados Unidos e Índia por sua extensão territorial. Aliás, no Texas, que concentra de 80% a 90% da expansão eólica nos Estados Unidos, o governo local desenvolveu projeto de linhas para se adiantar à demanda. Ao passo que os parques vão ficando prontos já encontram a conexão disponível. E se quando esse circuito estiver saturado já há as torres para que seja colocado o segundo circuito. Aqui no Brasil o planejamento da EPE que interconecta o Nordeste com o Sudeste é positivo, pois a carga está nesse maior submercado o que dará vazão à produção eólica. O que eu tenho ouvido é que em 2019 a questão da conexão estará bem equacionada e que teremos linhas para todo mundo, uma noticia muito importante para o setor elétrico do país. 
Agência CanalEnergia: O maior problema não é técnico então, é de financiamento, como vimos na edição deste ano do Brazil Windpower?
Odilon Camargo:Todas as questões técnicas têm solução. É uma questão de tempo e recursos disponíveis e essa última questão, do financiamento, é conjuntural. O momento é preocupante já que grande parte dos financiamentos e empréstimo ponte tem o BNDES como apoiador e de repente vem e fala que deve reduzir essa participação, inclusive, retroativamente, olhando até mesmo para aqueles contratos já assinados. Isso é uma questão muito grave porque afeta diretamente a confiabilidade que é necessária para que os investidores tirem o dinheiro do bolso e apliquem em projetos. Essa sinalização do banco traz uma total falta de confiabilidade aos investidores que vão querer aumento do retorno sobre o investimento e isso afeta as tarifas, pois com o aumento do risco o custo sobe e isso, quem paga, somos nós consumidores. Mas essa situação é conjuntural, sempre há um fim do mundo chegando e o da vez é a questão do financiamento.
 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Distribuidora de energia terá de oferecer opção de tarifa menor fora do horário de pico

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira regras para a aplicação da chamada "tarifa branca", que prevê a cobrança de preços diferenciados pela energia elétrica dependendo do horário do consumo, estabelecendo a data de 1º de janeiro de 2018 para que as distribuidoras comecem a oferecer essa opção aos clientes de baixa tensão, como as residências. O princípio dessa nova tarifa, cuja adesão será opcional, é o de cobrar menos para a energia consumida fora dos chamados horários de pico, como o fim de tarde e início da noite dos dias de semana, quando a demanda diária por eletricidade atinge seus maiores níveis.

"A tarifa branca é mais um instrumento que foi colocado à disposição do consumidor para gerir o seu consumo. Ele pode migrar para a tarifa branca e pode voltar para a tarifa convencional quando quiser", disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino. Rufino explicou porém que, nas três horas do horário de pico, que varia de distribuidora para distribuidora (por exemplo, entre 19h e 21h), a cobrança para quem aderir à tarifa branca será até mais cara do que o preço convencional pago hoje em dia.

Uma hora antes e uma depois desse intervalo, cobra-se a chamada tarifa intermediária, um pouco acima da convencional, e nas demais horas do dia, fora do pico, a tarifa é inferior ao que é cobrado convencionalmente hoje em dia. "Portanto, 19 horas por dia a tarifa é mais barata do que a atual", completou o diretor da Aneel. "O consumidor pode gerenciar sua carga. Se, por exemplo, usar a máquina de lavar roupa, o ferro elétrico ou o chuveiro elétrico fora do horário de pico, ele vai baratear a conta", disse Rufino, salientando que a medida também reduz os custos do sistema por diluir o consumo no horário de pico.

A opção estará disponível automaticamente para novos clientes das distribuidoras a partir de primeiro de janeiro de 2018. Para os clientes existentes, haverá uma escala dependendo do volume de consumo. Para os clientes que tenham consumo médio acima de 500 kWh por mês, a oferta da tarifa branca será imediata a partir de 1o de janeiro de 2018. Para quem tem consumo entre 250 e 500 kWh, a tarifa branca tem de estar disponível a partir de janeiro de 2019 e, para quem tem consumo abaixo de 250 kWh mensais, a partir de janeiro de 2020.



CONCESSÕES PRORROGADAS

Na reunião desta terça-feira, a diretoria da Aneel abriu audiência pública para debater suas propostas para o cálculo de tarifas das distribuidoras de energia que tiveram seus contratos de concessão prorrogados. Segundo Rufino, uma das mudanças propostas prevê a incorporação, nos reajustes anuais, de receitas adicionais obtidas pelas distribuidoras, como com o compartilhamento de postes, por exemplo. Pelos critérios atuais, essas receitas só seriam capturadas --e revertidas em descontos na tarifa-- nos processos de revisão tarifária periódica, que ocorrem, em média, a cada quatro anos.


Leia mais em: http://www.abradee.com.br/imprensa/noticias/3120-distribuidora-de-energia-tera-de-oferecer-opcao-de-tarifa-menor-fora-do-horario-de-pico-reuters

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Economia com tarifa branca ficará entre 10% e 20%

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Romeu Rufino, explicou em conversa com jornalistas que as distribuidoras poderão antecipar o cronograma de adesão dos consumidores à tarifa branca, caso estejam preparadas para implantar a modalidade tarifária antes de janeiro de 2018. Regulamentada em 2011 pela Aneel, a tarifa branca vai possibilitar redução entre 10% e 20% no custo da energia, de acordo com a distribuidora.
No caso da Cemig, a economia será de 17%, considerando as três horas do horário de pico e duas horas do chamado horário intermediário entre a ponta e o convencional. Para os consumidores de Brasília atendidos pela CEB D, ficará em 12% em média.

A tarifa permite o desconto na tarifa de energia fora do horário de ponta, a partir de 1º de janeiro de 2018 para os consumidores com média anual de consumo superior a 500 kWh por mês; até janeiro de 2019 para aqueles com média anual superior a 250 kWh por mês e até janeiro de 2020 para as demais unidades consumidoras. A adesão é voluntária. Até agora, o Inmetro aprovou um modelo de medidor eletrônico, e a expectativa é de que outros sete estejam certificados em 12 meses.

O sistema prevê a cobrança de valores diferenciados de acordo com o horário do dia, para incentivar o consumo fora do horário de ponta. Ela é aplicada a unidades consumidoras do chamado grupo B, que inclui segmentos como comércio e residências, mas não é permitida a consumidores residenciais de baixa renda e ao subgrupo Iluminação Pública.

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ceará dá aval para complexo solar de R$ 800 milhões

Um dos maiores projetos de energia solar do Ceará foi aprovado na tarde da última quinta-feira, 1º de setembro, em reunião ordinária do Conselho Estadual do Meio Ambiente, ocorrida na sede da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará. Avaliado em R$ 800 milhões, o Complexo Fotovoltaico Apodi, que será instalado no município de Quixeré, foi deliberado por unanimidade pelo colegiado.

A usina solar será instalada entre as comunidades de Bonsucesso, Boa Esperança, Baixa do Félix e Lajedo do Mel de Quixeré, apresentando grande estrutura metálica, com sete usinas fotovoltaicas, total de 825.300 módulos fotovoltaicos de 320 Wp de potência, em área de 825 hectares. A energia elétrica produzida no Complexo Fotovoltaico será escoada através de uma linha de transmissão aérea, em 230 Kv e com apenas 215 metros de extensão, a partir da Subestação Elevadora Apodi até a conexão com a SE Quixeré. De acordo com o técnico da empresa responsável pelos estudos ambientais do projeto, José Orlando, dessas sete usinas, quatro delas já foram comercializadas em leilão de energia e as outras ficarão para o próximo leilão. O consultor também explicou os aspectos metodológicos, físicos e bióticos do Rima do complexo.

Leia mais em: http://canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Noticiario.asp?id=113710

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Agentes estão otimistas com postura do governo sobre o mercado livre

Agentes ouvidos pela Agência CanalEnergia demonstram otimismo com a decisão do governo em colocar em debate, junto à sociedade, os desafios para a expansão do mercado livre de energia elétrica. A decisão foi tomada na última quinta-feira, 1º de setembro, durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Entre as questões a serem discutidas, estão o esclarecimento dos consumidores sobre o funcionamento do mercado livre, benefícios e riscos envolvidos, e como o crescimento do mercado pode contribuir com a redução de subsídios setoriais.

Para Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, o governo tomou uma grande decisão em favor do consumidor brasileiro de energia elétrica. “A liberdade de escolha do fornecedor de energia favorece o aumento da concorrência e da eficiência setorial, reduzindo os custos. Deve, portanto, aliviar o bolso do cidadão”, disse. Segundo a Abraceel, desde 2003 os consumidores livres registraram uma economia média de 18% com energia.

O mercado livre é o modelo de contratação de energia onde o consumidor compra diretamente do fornecedor; diferente do mercado cativo, onde a energia é entregue pela distribuidora por uma tarifa estabelecida reguladoramente. Atualmente, o mercado livre responde por 27% do consumo nacional de energia elétrica do país. Devido seu potencial de redução de custos, é tradicionalmente utilizado por grandes consumidores. Esse perfil, porém, vem mudando nos últimos anos e o mercado livre passou a atrair consumidores de menor carga.

A ampliação do mercado livre, porém, esbarra no modelo de expansão do setor elétrico. Hoje a contratação de energia é feita pelo governo por meio de leilões e contratos de longo prazo lastreados pelas distribuidoras. Como a receita é garantida, os produtores de energia se sentem seguros para tomar empréstimos e em investir em projetos de geração. Porém, no mercado livre, não é possível fazer contratos de 20 anos ou 30 anos. Isso dificulta a expansão da oferta de energia nesse ambiente, consequentemente inibindo o governo a incentivar essa ampliação.

Há ainda outros desafios, mas para Reinaldo Ribas, gerente de Gestão de Clientes do Grupo Delta Energia, todos superáveis. Em sua avaliação, o maior desafio já foi vencido, que foi mudar a visão do governo em relação às oportunidades do mercado livre. Ele relatou que a liberdade de escolha do fornecedor de energia é algo já praticado em muitos países desenvolvidos. "Estamos trilhando o caminho de muitos países evoluídos”, disse Ribas.

Pedro Machado, sócio-diretor da consultoria GV Energy, disse que é importante esclarecer a população sobre as vantagens do mercado livre, mas também faz necessário alertá-los sobre os riscos desse modelo. "Qualquer aumento de mercado é bem-vista, principalmente em um momento em que o mercado cativo e as distribuidoras não conseguem ser a única mola de propulsão para trazer novos investimentos." Embora ele não acredite em mudanças no curto prazo, Machado reconheceu que ampliar o debate já é um primeiro passo importante na direção de abrir o mercado livre para todos os consumidores brasileiros.

 

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Governo vai debater ampliação do mercado livre de energia

O governo abriu um debate para avaliar a viabilidade de migração maciça dos consumidores de energia elétrica no país para o mercado livre, conforme O GLOBO antecipou no mês passado. Os integrantes do Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) deverão avaliar propostas nesse sentido nos próximos dez dias e, depois disso, apresentarão uma consulta pública à sociedade sobre o tema.


O mercado livre de energia é aquele no qual o consumidor escolhe de quem compra e pode negociar o preço e a duração do contrato.

Atualmente, apenas consumidores de grande porte — com contratos de 500 quilowatts (kW) a 3 mil kW, uma fatura de R$ 60 mil a R$ 300 mil mensais—, como indústrias e shopping centers, podem optar pelo seu fornecedor de energia elétrica e por contratos que assegurem preços no longo prazo.

Os demais consumidores, inclusive residenciais, são obrigados a contratar da única distribuidora que tenha a concessão de sua região e a pagar a tarifa definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O ministério vê com bons olhos a expansão do mercado livre, mas há dúvidas técnicas quanto às suas implicações para o sistema elétrico se isso ocorrer de forma maciça, uma vez que isso poderia comprometer o modelo de expansão das unidades geradoras e colocar em xeque a situação financeira das distribuidoras. Por isso, a decisão de ouvir a sociedade, inclusive os lobbies favoráveis e contra a tese.
DESAFIO DO AVANÇO

Nesta quinta-feira, durante reunião do CMSE em Brasília, integrantes do ministério apresentaram ao grupo, que reúne também agência reguladora e demais entidades do setor, questões preliminares para a expansão do mercado livre, “de maneira a gerar os almejados benefícios para o setor elétrico e, principalmente, para a sociedade brasileira, como um veículo de empoderamento dos consumidores e de estímulo à eficiência e à inovação”.

Como desafios para o avanço do mercado livre, o MME apontou, segundo nota oficial a respeito dos temas tratados na reunião do CMSE, o modo como esclarecer o consumidor sobre o funcionamento do mercado livre, seus benefícios e os riscos envolvidos; e como promover um crescimento do mercado livre que contribua com a redução de subsídios. A consulta pública vai envolver também o aperfeiçoamento da governança dos modelos computacionais do setor.

A reunião também tornou oficial a nova previsão do governo para expansão do consumo de energia elétrica de 2016 a 2020, em 4% ao ano. A avaliação foi feita a partir dos resultados dos últimos dois anos. Não há nenhuma previsão de déficit de energia no país neste ano.



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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

COP 21: fonte eólica será importante no cumprimento das metas do setor elétrico

A fonte eólica deve auxiliar os países a cumprirem as metas estipuladas na COP 21, em Paris. Em debate realizado nesta quarta-feira, 31 de agosto, na sétima edição do Brazil Windpower, que está sendo realizado no Rio de Janeiro, o secretário-geral do Global Wind Energy Council, Steve Sawyer, mostrou que a fonte teve um crescimento inesperado de 22% em 2015, principalmente puxado por resultados de países como China, Estados Unidos e Alemanha. De acordo com ele, houve uma proliferação de mercados na América Latina, Ásia e África e hoje mais de 26 mercados no mundo já tem mais de 1.000 MW e oito tem mais de 10.000 MW.

A fonte eólica foi responsável por aproximadamente 4% do suprimento em 2015 e deve chegar a 8% em 2020, sendo que em 2030 esse percentual deve chegar a até 20%. Em 2050, a fonte deve ser um terço do suprimento, caso os desafios do clima sejam domados. Segundo Sawyer, o avanço tecnológico registrado no setor eólico veio por meio das eólicas offshore, que estão com o seu preço em tendência de queda. Os custos das eólicas vem caindo e ela já é a fonte mais barata para adicionar capacidade em mercados em crescimento, como os da África e América Latina, assim como em algumas regiões dos Estados Unidos e Canadá.

No Brasil, a expectativa é que o cumprimento da meta seja alcançado, embora de acordo com o diretor da Empresa de Pesquisa Energética, Amílcar Guerreiro, as mudanças climáticas podem se transformar em um desafio. Nos últimos anos, houve um grande despacho térmico ocasionado por sucessivas hidrologias ruins. Ainda segundo Guerreiro, o desafio brasileiro também é diferenciado, uma vez que ele não vai ter que aumentar de modo expressivo a inserção de fontes renováveis na nossa matriz energética e sim, mantê-las nas contratações. Ele conta que a temática preço-acesso à energia ainda está presente. "Energia e acessibilidade é o dilema. Temos que fazer a energia chegar a todos e a um custo em que ela possa ser absorvida", explica.

Élbia Gannoum, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, também acredita que o país vai cumprir as metas da COP 21. Segundo ela, mesmo que se cometam erros, a abundância de fontes renováveis faz com que qualquer revés seja mitigado. Ela conta que muitos países que buscaram o investimento em renováveis o fizeram por perseguir a independência energética em relação a fontes fósseis, enquanto no Brasil, as renováveis eram o recurso que havia naturalmente disponível. A presidente da ABEEólica também relacionou o êxito da fonte eólica a competência dos seus agentes, que souberam desenvolvê-la de modo que ela se tornasse uma das mais baratas.

A relação entre o preço e o tipo de fonte, que expandiu as usinas de carvão mineral, não é mais um empecilho para a adoção de renováveis como a eólica no mundo. Segundo Sawyer, do GWEC, em países como o Brasil, a África do Sul, os Estados Unidos e a China isso já não acontece. Ainda segundo ele, a construção de uma usina a carvão hoje pode significar que ela seja desativada até 2050, uma vez que o setor de energia deverá ter emissão zero nesse ano. "O carvão já não é tão mais barato no mundo", avisa.

Leia mais em: http://canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Noticiario.asp?id=113639