Os gastos com publicidade no meio digital podem superar os anúncios
em TV nos Estados Unidos pela primeira vez na história em 2017, segundo a
empresa americana de pesquisa eMarketer. A estimativa é que os anúncios
na TV cheguem a US$ 72 bilhões, ou 35,8% do mercado, enquanto as verbas
para anúncios on-line atingirão a marca de US$ 77,37 bilhões, ou 38,4%
do total.
Segundo a eMarketer, a publicidade em TV deve crescer 2,5% em 2016,
abaixo da previsão anterior, de 4,5%. "Ainda esperamos crescimento
puxado pela propaganda política e pela Olimpíada de verão", disse o
analista Martín Utreras, da eMarketer, em relatório. "No entanto, vemos
os dólares em anúncios fluindo para o digital como forma de otimizar os
gastos em um ano que pode ser desafiador."
A projeção de investimentos em anúncios digitais nos EUA em 2016 é de
US$ 68,82 bilhões, uma alta equivalente a 15,4%, impulsionada pelo
aumento de uso de smartphones e tablets.
No Brasil, o Internet Advertising Bureau (IAB) estima que os gastos
em publicidade digital tenham um avanço nominal (sem descontar a
inflação) de 12%, para R$ 10,4 bilhões, neste ano. O percentual é o
mesmo que o registrado pelo setor em 2015.
Ano passado, o mercado brasileiro movimentou R$ 9,3 bilhões, um pouco
abaixo da projeção inicial do IAB, de R$ 9,5 bilhões. Na avaliação de
André Izay, presidente do Yahoo e do IAB, o resultado foi positivo, uma
vez que ficou acima do desempenho do mercado publicitário como um todo.
A comparação entre os dois mundos da publicidade no Brasil é difícil
de ser feita por não existirem números amplamente aceitos pelo mercado.
Até meados do ano passado, a pesquisa de referência era feita pelo
Projeto Intermeios, do grupo Meio & Mensagem. Mas a iniciativa foi
interrompida depois que algumas entidades deixaram de apoiá-lo. A
justificativa foi a falta dos números do Google e do Facebook, o que
distorcia os números da publicidade digital.
Atualmente, a Kantar Ibope Media é a principal referência. De acordo
com a empresa, o mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 132
bilhões em 2015, um crescimento nominal de 9%. Excluindo a inflação do
período, houve um recuo de 0,9%. A crítica que se faz é que o número
leva em consideração o preço cheio, praticado pelas empresas de mídia,
sem considerar os descontos oferecidos nas compras - uma prática comum
no mercado.
Pelos números de publicidade na internet do IAB - que incluem Google e
Facebook -, a maior fatia do mercado em 2015 ficou com os anúncios
exibidos em mecanismos de buscas e classificados: R$ 5,16 bilhões. Esse
segmento é liderado pelo Google, que responde por mais de 80% das buscas
na internet feitas pelos brasileiros. Na sequência, ficaram as redes
sociais e os anúncios em "banners" (também conhecidos como "display
ads"), com R$ 3,14 bilhões. Aqui, o principal nome é o Facebook, que
também é dono do aplicativo de fotos Instagram. Já a publicidade em
vídeo ficou com R$ 1,03 bilhão. Neste segmento, o Google também domina,
com o YouTube.
De acordo com Izay, ao longo de 2016, tendências que impulsionaram o
mercado em 2015 como a publicidade nos dispositivos móveis e no formato
de vídeo continuarão fortes. Em sua avaliação, a Olimpíada não terá um
impacto tão forte, por se tratar de um evento que não impacta tantos
anunciantes quanto a Copa.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4472140/publicidade-digital-vai-superar-anuncio-de-tv-nos-eua-em-2017
quarta-feira, 9 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Capacidade instalada de usinas eólicas cresce 45% em 2015
A capacidade
instalada de usinas eólicas creceu 45% ao longo de 2015 na comparação
com 2014, saltando de 5.710 MW para 8.277 MW. Entre janeiro e dezembro
do ano passado, entraram em operação 102 novos empreendimentos, somando
um total de 325 geradoras eólicas em 2015. O balanço foi divulgado pela
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica nesta segunda-feira, 7 de
março.
Segundo a CCEE, as
usinas eólicas produziram 2.971 MW médios, crescimento de 52% em
relação ao mesmo período de 2014. Vale destacar o desempenho da fonte no
mês de agosto, quando a produção alcançou seu auge e entregou ao
Sistema Interligado Nacional de 3.199 MW médios.
Na análise por estado, o Rio Grande do Norte fechou 2015 com a maior capacidade instalada em usinas eólicas, um total de 2.493 MW, aumento de 28,3%. Em seguida, aparecem Ceará com 1.573,5 MW (+22,8%), Rio Grande do Sul com 1.514 MW (+30,6%) e Bahia com 1.441 MW (+41,6%). Veja o ranking completo abaixo.
Na análise por estado, o Rio Grande do Norte fechou 2015 com a maior capacidade instalada em usinas eólicas, um total de 2.493 MW, aumento de 28,3%. Em seguida, aparecem Ceará com 1.573,5 MW (+22,8%), Rio Grande do Sul com 1.514 MW (+30,6%) e Bahia com 1.441 MW (+41,6%). Veja o ranking completo abaixo.
Os dados
consolidados do boletim InfoMercado Mensal referentes à dezembro mostram
ainda uma variação positiva no consumo e geração de energia do SIN. Na
comparação com o mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 0,5%
no consumo (61.795 MW médios ante 61.479 MW médios) e de 0,4% na
geração de energia (61.826 MW médios frente aos 61.559 MW médios).
Ranking – Os 10 maiores estados em capacidade instalada de energia eólica
Posição Estado MW
1º Rio Grande do Norte 2.493
2º Ceará 1.573,5
3º Rio Grande do Sul 1.514
4º Bahia 1.441
5º Piauí 705
6º Santa Catarina 224
7º Pernambuco 192
8º Paraíba 59,5
9º Sergipe 34,5
10º Rio de Janeiro 28
Posição Estado MW
1º Rio Grande do Norte 2.493
2º Ceará 1.573,5
3º Rio Grande do Sul 1.514
4º Bahia 1.441
5º Piauí 705
6º Santa Catarina 224
7º Pernambuco 192
8º Paraíba 59,5
9º Sergipe 34,5
10º Rio de Janeiro 28
segunda-feira, 7 de março de 2016
Apesar de recuperação, rumo de ativos é incerto
A recente mudança de maré no cenário político, que pegou investidores
desprevenidos, provocou uma forte e surpreendente recuperação nos
preços dos ativos financeiros brasileiros na semana passada. Mas tudo o
que se viu até aqui é fruto apenas de uma correção. Posições pessimistas
foram zeradas diante da percepção de que o equilíbrio de probabilidades
mudou: uma troca de governo, hipótese que parecia enterrada até o
começo deste ano, voltou a ganhar espaço nos cenários e impôs um
reposicionamento dos mercados.
"Política é fundamento na veia. E com a mudança no quadro político, houve uma corrida dos investidores para se reposicionarem", diz o diretor de uma grande gestora de São Paulo.
Esse movimento explica a queda forte do custo do "Credit Default Swap" (CDS, uma espécie de seguro contra calote), que foi de cerca de 450 pontos-base para 400 pontos na semana passada. Para especialistas, a queda pode ser ainda mais expressiva, caso esse cenário de mudança política se concretize. "Faria sentido o CDS ser negociado ao redor de 360 pontos, que é o custo pago pelos pares do Brasil, como África do Sul e Turquia", diz o gestor de um grande fundo de São Paulo.
O mesmo vale para o juro do título NTN-B 2050, importante termômetro de risco de longo prazo, que cedeu de 7,50% para 7% ao ano e, na visão desse profissional, poderia ceder para baixo de 6,50%. "O que se discute agora é qual será o tamanho do prêmio de risco do Brasil", afirma.
Na semana passada, o Ibovespa acumulou valorização de 18%, terminando aos 49.085 pontos. Essa foi a maior variação semanal desde a última semana de outubro de 2008. Já o dólar comercial fechou a sexta-feira a R$ 3,759, com depreciação de 5,96% na semana. As taxas de juros também registraram recuo.
O primeiro sinal de que o jogo político poderia mudar foi quando o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha que elegeu Dilma Rousseff, foi preso. Naquele momento, alguns relatórios de instituições financeiras já indicavam que o cerco ao governo se fechava, ampliando as chances de um impeachment. Mas foi quando o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) veio a público, pela revista "IstoÉ", na quinta, acusando a presidente de tentar interferir na Lava-Jato, é que o mercado entendeu que os preços poderiam mudar. O movimento que se exacerbou na sexta, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo levado para depor na Polícia Federal.
"Eu bobeei quando vi a prisão do Santana e não mudei minha posição", afirma o gestor de um fundo do Rio, que carregava boa parte de seus recursos aplicados em dólar. Até então, diz, o cenário que ele enxergava era de que a permanência de Dilma no cargo até 2018 agravaria a crise fiscal, diante da falta de capacidade do governo de implementar as reformas, com consequências para a sustentabilidade da dívida pública. "Se cresce a chance desse quadro mudar, então essas posições não faziam mais sentido", diz o gestor, que zerou posições em dólar e aplicou os recursos em NTN-B, numa posição mais defensiva. "Quem apostou pensando no fundamento foi 'pego de calça curta' e teve que se render a essa nova cena."
É muito cedo para confiar que o mercado ingressou em uma trajetória firme. Mas a simples dúvida de que os preços podem mudar já justifica uma espiral de ajustes. Se o dólar se acomodar perto de R$ 3,70 e não acima de R$ 4, por exemplo, pode haver uma contribuição importante à inflação, o que levaria a uma redução do prêmio exigido em títulos públicos, como a NTN-B, indexada ao IPCA. Juros mais baixos, por sua vez, beneficiam as ações, em um momento em que o alto endividamento das empresas é um problema importante nas análises de risco.
Essa mudança de percepção faz posições mais pessimistas "queimarem" nas mãos dos investidores e detonou ordens de "stop loss", quando o investidor sai da posição a qualquer preço, apenas para interromper uma perda. "Zeradas as posições, aí o investidor vai avaliar qual a chance firme de haver um impeachment", explica o sócio de um grande fundo em São Paulo. "Ainda não estamos no estágio em que o investidor está apostando numa troca de governo. Isso ainda depende do fluxo de notícias."
Analistas e profissionais de mercado atribuem diferentes níveis de probabilidade ao cenário de impeachment. Para o sociólogo e coordenador do Instituto Análise, Alberto Almeida, o noticiário da última semana elevou de 10% para 25% as chances de impedimento de Dilma. Para ele, o cenário básico ainda é a permanência da presidente até 2018 e, o que é pior, sem força política para aprovar reformas importantes. "A probabilidade era muito baixa e, de fato, cresceu. Mas ainda considero que os recentes eventos são 'soluços midiáticos', insuficientes para garantir um impeachment", afirma. Já a consultoria de risco político Eurasia Group considera que, pela primeira vez, a queda de Dilma é "provável", com mais de 50% de chance de ocorrer, ante 40% atribuídos anteriormente.
Outra dúvida é o quão melhor estará o cenário, de fato, numa situação de impeachment. Heinz Ruettimann, estrategista em mercados emergentes do banco Julius Baer, diz que o movimento do Ibovespa é um "forte rali de alívio". "Mas, francamente, como investidor, essas novidades não mudam minha visão sobre o mercado brasileiro de ações", diz. Ele afirma que, entre os emergentes, o Brasil ainda pertence aos mercados de maior risco.
"Minha visão só vai mudar se eu puder ver que as deficiências estruturais da economia estão ativamente endereçadas e resolvidas. Não é apenas sobre uma pessoa ou outra. É sobre o sistema político, como o sistema político funciona hoje e sua dinâmica", afirma.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4467936/apesar-de-recuperacao-rumo-de-ativos-e-incerto
"Política é fundamento na veia. E com a mudança no quadro político, houve uma corrida dos investidores para se reposicionarem", diz o diretor de uma grande gestora de São Paulo.
Esse movimento explica a queda forte do custo do "Credit Default Swap" (CDS, uma espécie de seguro contra calote), que foi de cerca de 450 pontos-base para 400 pontos na semana passada. Para especialistas, a queda pode ser ainda mais expressiva, caso esse cenário de mudança política se concretize. "Faria sentido o CDS ser negociado ao redor de 360 pontos, que é o custo pago pelos pares do Brasil, como África do Sul e Turquia", diz o gestor de um grande fundo de São Paulo.
O mesmo vale para o juro do título NTN-B 2050, importante termômetro de risco de longo prazo, que cedeu de 7,50% para 7% ao ano e, na visão desse profissional, poderia ceder para baixo de 6,50%. "O que se discute agora é qual será o tamanho do prêmio de risco do Brasil", afirma.
Na semana passada, o Ibovespa acumulou valorização de 18%, terminando aos 49.085 pontos. Essa foi a maior variação semanal desde a última semana de outubro de 2008. Já o dólar comercial fechou a sexta-feira a R$ 3,759, com depreciação de 5,96% na semana. As taxas de juros também registraram recuo.
O primeiro sinal de que o jogo político poderia mudar foi quando o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha que elegeu Dilma Rousseff, foi preso. Naquele momento, alguns relatórios de instituições financeiras já indicavam que o cerco ao governo se fechava, ampliando as chances de um impeachment. Mas foi quando o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) veio a público, pela revista "IstoÉ", na quinta, acusando a presidente de tentar interferir na Lava-Jato, é que o mercado entendeu que os preços poderiam mudar. O movimento que se exacerbou na sexta, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo levado para depor na Polícia Federal.
"Eu bobeei quando vi a prisão do Santana e não mudei minha posição", afirma o gestor de um fundo do Rio, que carregava boa parte de seus recursos aplicados em dólar. Até então, diz, o cenário que ele enxergava era de que a permanência de Dilma no cargo até 2018 agravaria a crise fiscal, diante da falta de capacidade do governo de implementar as reformas, com consequências para a sustentabilidade da dívida pública. "Se cresce a chance desse quadro mudar, então essas posições não faziam mais sentido", diz o gestor, que zerou posições em dólar e aplicou os recursos em NTN-B, numa posição mais defensiva. "Quem apostou pensando no fundamento foi 'pego de calça curta' e teve que se render a essa nova cena."
É muito cedo para confiar que o mercado ingressou em uma trajetória firme. Mas a simples dúvida de que os preços podem mudar já justifica uma espiral de ajustes. Se o dólar se acomodar perto de R$ 3,70 e não acima de R$ 4, por exemplo, pode haver uma contribuição importante à inflação, o que levaria a uma redução do prêmio exigido em títulos públicos, como a NTN-B, indexada ao IPCA. Juros mais baixos, por sua vez, beneficiam as ações, em um momento em que o alto endividamento das empresas é um problema importante nas análises de risco.
Essa mudança de percepção faz posições mais pessimistas "queimarem" nas mãos dos investidores e detonou ordens de "stop loss", quando o investidor sai da posição a qualquer preço, apenas para interromper uma perda. "Zeradas as posições, aí o investidor vai avaliar qual a chance firme de haver um impeachment", explica o sócio de um grande fundo em São Paulo. "Ainda não estamos no estágio em que o investidor está apostando numa troca de governo. Isso ainda depende do fluxo de notícias."
Analistas e profissionais de mercado atribuem diferentes níveis de probabilidade ao cenário de impeachment. Para o sociólogo e coordenador do Instituto Análise, Alberto Almeida, o noticiário da última semana elevou de 10% para 25% as chances de impedimento de Dilma. Para ele, o cenário básico ainda é a permanência da presidente até 2018 e, o que é pior, sem força política para aprovar reformas importantes. "A probabilidade era muito baixa e, de fato, cresceu. Mas ainda considero que os recentes eventos são 'soluços midiáticos', insuficientes para garantir um impeachment", afirma. Já a consultoria de risco político Eurasia Group considera que, pela primeira vez, a queda de Dilma é "provável", com mais de 50% de chance de ocorrer, ante 40% atribuídos anteriormente.
Outra dúvida é o quão melhor estará o cenário, de fato, numa situação de impeachment. Heinz Ruettimann, estrategista em mercados emergentes do banco Julius Baer, diz que o movimento do Ibovespa é um "forte rali de alívio". "Mas, francamente, como investidor, essas novidades não mudam minha visão sobre o mercado brasileiro de ações", diz. Ele afirma que, entre os emergentes, o Brasil ainda pertence aos mercados de maior risco.
"Minha visão só vai mudar se eu puder ver que as deficiências estruturais da economia estão ativamente endereçadas e resolvidas. Não é apenas sobre uma pessoa ou outra. É sobre o sistema político, como o sistema político funciona hoje e sua dinâmica", afirma.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/4467936/apesar-de-recuperacao-rumo-de-ativos-e-incerto
sexta-feira, 4 de março de 2016
Mercado livre atrai novos investidores
A migração em massa de consumidores de energia para o mercado livre tem despertado o interesse de empresas estrangeiras e de companhias de outros segmentos, principalmente financeiro, para investir no setor elétrico brasileiro. Segundo especialistas, um grupo de empresas está avaliando a aquisição de comercializadoras ou a criação de suas próprias companhias para vender energia no mercado livre, que tem potencial para praticamente dobrar de tamanho.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram negociados 115,3 mil gigawatts-hora (GWh) no mercado livre no ano passado, volume correspondente a 24,8% de todo o mercado de energia brasileiro. Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), existem ainda 14 mil consumidores com condições legais de migrarem para o ambiente livre, o que pode elevar essa parcela do mercado para 46%, ou 213,7 mil GWh.
Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), existem hoje pouco mais de 1,8 mil consumidores livres. Desse total, um terço é composto por grandes consumidores industriais de energia e o restante por consumidores chamados de "especiais" - pequenas e médias empresas comerciais e industriais com demanda a partir de 500 megawatts (MW) e que compram energia de fontes renováveis.
Pelo lado das comercializadoras, empresas responsáveis pelo atendimento a esses consumidores no mercado livre, o número de companhias cresceu de 154, em novembro de 2014, para 171, em igual período do ano passado, um crescimento de 11%.
"Vejo novos entrantes nesse negócio. O mercado financeiro particularmente está muito interessado. A inteligência de mercado está na comercialização de energia", afirma o presidente da Abraceel, Reginaldo Medeiros.
A opinião é compartilhada por Guilherme Schmidt, advogado especialista em energia do escritório L.O. Baptista. "Grandes empresas estrangeiras também estão olhando para esse mercado".
Há ainda quem enxergue possibilidade de consolidação no setor. "Em um mercado maior, as pequenas e médias comercializadoras vão ter mais dificuldade para competir. A tendência que estamos detectando é de consolidação de mercado, uma associação entre essas comercializadores para ter mais porte e conquistar mais clientes", diz Alexandre Pinto, advogado do Trench, Rossi e Watanabe.
Além de novos participantes, tradicionais comercializadoras também estão investindo para atender o aumento do mercado. A Comerc, uma das mais antigas empresas do setor, inaugurou escritório em Bento Gonçalves (RS) e está ampliando as unidades de São Paulo e Florianópolis. A companhia, que possuía 100 colaboradores no ano passado, prevê fechar 2016 com 180 empregados.
Segundo o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, os consumidores estão obtendo em média 30% de diminuição no custo total da energia, após migrarem para o mercado livre.
Outra empresa do setor, a Ecom Energia, também está expandindo os negócios. A comercializadora planeja inaugurar um escritório na capital do Amazonas e abriu recentemente um escritório em Florianópolis. No último trimestre, a Ecom aumentou em 46% o número de clientes e está registrando 12 novos pedidos de migração para o mercado livre por semana. A expectativa do grupo é ampliar em 25% o faturamento da área de gestão de energia este ano, ante 2015.
Outro segmento otimista com o "boom" do mercado livre é o das plataformas de comercialização de energia. É o caso do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), plataforma eletrônica de leilão contínuo para comercialização de energia, administrada por 18 comercializadoras. A BBCE fechou 2015 com a movimentação de R$ 700 milhões em negócios realizados, a partir da consolidação de 2.045 contratos, somando 3.618 megawatts (MW).
Para este ano, a empresa prevê um crescimento de 10% a 20% do volume de energia negociada, alcançando pelo menos 4 mil MW, a partir da consolidação de 2.200 a 2.300 contratos. No total, 155 empresas estão inscritas para negociar contratos na BBCE.
"Em 2015, tivemos um lucro pequeno, mas importante. Para uma startup com três anos de operação, isso é significativo, em um negócio que pouca gente acreditava", diz Victor Kodja, presidente da BBCE.
O objetivo do executivo, no longo prazo, é tornar a BBCE uma bolsa de energia. "Queremos trazer coisas novas, como derivativos financeiros. Nosso crescimento é sólido. Não estamos aqui para queimar etapas", completou.
Um ponto, no entanto, ainda preocupa a expansão do mercado livre: o travamento das liquidações do mercado de curto prazo, que está gerando uma inadimplência da ordem de 60% na liquidação desses contratos na CCEE. "Há insegurança no mercado, por causa da liquidação. Isso tem que ser decidido rapidamente, porque está afetando terceiros de boa fé", diz Schmidt, do L.O. Baptista.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4465866/mercado-livre-atrai-novos-investidores
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram negociados 115,3 mil gigawatts-hora (GWh) no mercado livre no ano passado, volume correspondente a 24,8% de todo o mercado de energia brasileiro. Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), existem ainda 14 mil consumidores com condições legais de migrarem para o ambiente livre, o que pode elevar essa parcela do mercado para 46%, ou 213,7 mil GWh.
Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), existem hoje pouco mais de 1,8 mil consumidores livres. Desse total, um terço é composto por grandes consumidores industriais de energia e o restante por consumidores chamados de "especiais" - pequenas e médias empresas comerciais e industriais com demanda a partir de 500 megawatts (MW) e que compram energia de fontes renováveis.
Pelo lado das comercializadoras, empresas responsáveis pelo atendimento a esses consumidores no mercado livre, o número de companhias cresceu de 154, em novembro de 2014, para 171, em igual período do ano passado, um crescimento de 11%.
"Vejo novos entrantes nesse negócio. O mercado financeiro particularmente está muito interessado. A inteligência de mercado está na comercialização de energia", afirma o presidente da Abraceel, Reginaldo Medeiros.
A opinião é compartilhada por Guilherme Schmidt, advogado especialista em energia do escritório L.O. Baptista. "Grandes empresas estrangeiras também estão olhando para esse mercado".
Há ainda quem enxergue possibilidade de consolidação no setor. "Em um mercado maior, as pequenas e médias comercializadoras vão ter mais dificuldade para competir. A tendência que estamos detectando é de consolidação de mercado, uma associação entre essas comercializadores para ter mais porte e conquistar mais clientes", diz Alexandre Pinto, advogado do Trench, Rossi e Watanabe.
Além de novos participantes, tradicionais comercializadoras também estão investindo para atender o aumento do mercado. A Comerc, uma das mais antigas empresas do setor, inaugurou escritório em Bento Gonçalves (RS) e está ampliando as unidades de São Paulo e Florianópolis. A companhia, que possuía 100 colaboradores no ano passado, prevê fechar 2016 com 180 empregados.
Segundo o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, os consumidores estão obtendo em média 30% de diminuição no custo total da energia, após migrarem para o mercado livre.
Outra empresa do setor, a Ecom Energia, também está expandindo os negócios. A comercializadora planeja inaugurar um escritório na capital do Amazonas e abriu recentemente um escritório em Florianópolis. No último trimestre, a Ecom aumentou em 46% o número de clientes e está registrando 12 novos pedidos de migração para o mercado livre por semana. A expectativa do grupo é ampliar em 25% o faturamento da área de gestão de energia este ano, ante 2015.
Outro segmento otimista com o "boom" do mercado livre é o das plataformas de comercialização de energia. É o caso do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), plataforma eletrônica de leilão contínuo para comercialização de energia, administrada por 18 comercializadoras. A BBCE fechou 2015 com a movimentação de R$ 700 milhões em negócios realizados, a partir da consolidação de 2.045 contratos, somando 3.618 megawatts (MW).
Para este ano, a empresa prevê um crescimento de 10% a 20% do volume de energia negociada, alcançando pelo menos 4 mil MW, a partir da consolidação de 2.200 a 2.300 contratos. No total, 155 empresas estão inscritas para negociar contratos na BBCE.
"Em 2015, tivemos um lucro pequeno, mas importante. Para uma startup com três anos de operação, isso é significativo, em um negócio que pouca gente acreditava", diz Victor Kodja, presidente da BBCE.
O objetivo do executivo, no longo prazo, é tornar a BBCE uma bolsa de energia. "Queremos trazer coisas novas, como derivativos financeiros. Nosso crescimento é sólido. Não estamos aqui para queimar etapas", completou.
Um ponto, no entanto, ainda preocupa a expansão do mercado livre: o travamento das liquidações do mercado de curto prazo, que está gerando uma inadimplência da ordem de 60% na liquidação desses contratos na CCEE. "Há insegurança no mercado, por causa da liquidação. Isso tem que ser decidido rapidamente, porque está afetando terceiros de boa fé", diz Schmidt, do L.O. Baptista.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4465866/mercado-livre-atrai-novos-investidores
quinta-feira, 3 de março de 2016
Geração eólica atrai financiamentos de bancos privados
Os financiamentos de projetos no segmento de energia devem chegar ao fim de 2016 representando 50% da carteira do Santander Brasil, afirmou Diogo Berger, chefe do setor de "project finance" do banco. Dentro dos esforços na área de energia, a fonte eólica é "o foco do foco" do banco, e deve chegar a 70% a 75% dos financiamentos previstos para o ano.
Só a Casa dos Ventos, desenvolvedora de projetos de energia eólica pertencente à família do empresário cearense Mário Araripe, deve fazer três emissões de debêntures de infraestrutura neste ano, somando R$ 500 milhões, disse Ivan Hong, diretor financeiro da empresa.
As declarações foram feitas em uma conversa com a imprensa no contexto do 2º Encontro de Energia Eólica do Santander.
"É uma fonte muito segura. O Brasil tem inclusive características melhores do que outros países, e, mesmo quando comparamos com outros negócios de infraestrutura ou outras matrizes de energia no país, vemos o risco muito mitigado na matriz eólica", disse Berger. "É uma composição que nos faz crer que é um negócio muito bom", completou.
De acordo com Lucas Araripe, diretor de novos negócios da Casa dos Ventos e filho de Mário, a empresa fez duas emissões desse tipo no ano passado, que somaram cerca de R$ 200 milhões.
Desde o fim de 2014, quando foram viabilizadas as emissões desse tipo, foram realizadas apenas quatro delas, incluindo as duas feitas pela Casa dos Ventos.
"É um mercado importante, o BNDES tem reduzido as garantias, então essa é uma fonte adicional", afirmou Berger, se referindo às emissões, que contam com benefícios como isenções fiscais.
O banco estatal de desenvolvimento reduziu o volume de crédito concedido para essas operações ao mesmo tempo em que houve um aumento do custo das emissões, afirmou Hong.
"O custo flutuou pra cima, as emissões acabaram custando mais", disse. Segundo Hong, outro fator que aumentou o preço é o interesse do mercado, pois os investidores estão mais conservadores, demandando spreads maiores. "São duas componentes que têm feito o custo das debêntures subir", afirmou Hong.
A avaliação se vale ou não a pena fazer as emissões cabe a cada projeto, disse ele. A Casa dos Ventos emitiu no volume esperado no ano passado, o que, de acordo com Araripe, aconteceu pelo fato de os projetos serem "robustos", reduzindo o risco.
Hoje, as debêntures de infraestrutura estão compondo um total de 10% a 15% do total dos investimentos da Casa dos Ventos. "De um tempo pra cá, houve uma redução do BNDES, então isso ajuda a complementar", explicou.
A questão da transmissão de energia e dos projetos em atraso é um risco para o interesse dos investidores no setor de energia eólica. "Há alguns parques eólicos afetados e tem potencial efeito nos próximos leilões", disse Berger.
Para ele, a Casa dos Ventos, por ter um volume grande de projetos, pode ser beneficiada pelo cenário. "Eventualmente os parques deles podem ter um valor ainda maior do que teriam num contexto de normalidade", disse.
"Temos projetos que conectaríamos em pontos já existentes da rede, isso foi critério para o lance. Isso também vale para o futuro, como temos opções de projetos em diferentes áreas, vamos escolher projetos que tenham esse risco mitigado", disse Araripe.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4463754/geracao-eolica-atrai-financiamentos-de-bancos-privados
Só a Casa dos Ventos, desenvolvedora de projetos de energia eólica pertencente à família do empresário cearense Mário Araripe, deve fazer três emissões de debêntures de infraestrutura neste ano, somando R$ 500 milhões, disse Ivan Hong, diretor financeiro da empresa.
As declarações foram feitas em uma conversa com a imprensa no contexto do 2º Encontro de Energia Eólica do Santander.
"É uma fonte muito segura. O Brasil tem inclusive características melhores do que outros países, e, mesmo quando comparamos com outros negócios de infraestrutura ou outras matrizes de energia no país, vemos o risco muito mitigado na matriz eólica", disse Berger. "É uma composição que nos faz crer que é um negócio muito bom", completou.
De acordo com Lucas Araripe, diretor de novos negócios da Casa dos Ventos e filho de Mário, a empresa fez duas emissões desse tipo no ano passado, que somaram cerca de R$ 200 milhões.
Desde o fim de 2014, quando foram viabilizadas as emissões desse tipo, foram realizadas apenas quatro delas, incluindo as duas feitas pela Casa dos Ventos.
"É um mercado importante, o BNDES tem reduzido as garantias, então essa é uma fonte adicional", afirmou Berger, se referindo às emissões, que contam com benefícios como isenções fiscais.
O banco estatal de desenvolvimento reduziu o volume de crédito concedido para essas operações ao mesmo tempo em que houve um aumento do custo das emissões, afirmou Hong.
"O custo flutuou pra cima, as emissões acabaram custando mais", disse. Segundo Hong, outro fator que aumentou o preço é o interesse do mercado, pois os investidores estão mais conservadores, demandando spreads maiores. "São duas componentes que têm feito o custo das debêntures subir", afirmou Hong.
A avaliação se vale ou não a pena fazer as emissões cabe a cada projeto, disse ele. A Casa dos Ventos emitiu no volume esperado no ano passado, o que, de acordo com Araripe, aconteceu pelo fato de os projetos serem "robustos", reduzindo o risco.
Hoje, as debêntures de infraestrutura estão compondo um total de 10% a 15% do total dos investimentos da Casa dos Ventos. "De um tempo pra cá, houve uma redução do BNDES, então isso ajuda a complementar", explicou.
A questão da transmissão de energia e dos projetos em atraso é um risco para o interesse dos investidores no setor de energia eólica. "Há alguns parques eólicos afetados e tem potencial efeito nos próximos leilões", disse Berger.
Para ele, a Casa dos Ventos, por ter um volume grande de projetos, pode ser beneficiada pelo cenário. "Eventualmente os parques deles podem ter um valor ainda maior do que teriam num contexto de normalidade", disse.
"Temos projetos que conectaríamos em pontos já existentes da rede, isso foi critério para o lance. Isso também vale para o futuro, como temos opções de projetos em diferentes áreas, vamos escolher projetos que tenham esse risco mitigado", disse Araripe.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/empresas/4463754/geracao-eolica-atrai-financiamentos-de-bancos-privados
quarta-feira, 2 de março de 2016
Seleção darwinista
Em meio a um ambiente econômico
de recessão, com impactos relevantes para os negócios das empresas,
evocar a teoria evolucionista tem sido o caminho de boa parte dos
analistas na hora de selecionar ações. Em lugar de focar,
principalmente, no potencial de valorização, as corretoras participantes
da Carteira Valor escolheram para março companhias com
gestão reconhecida e resultados sólidos, considerados fatores-chave
para resistir às turbulências.
"As empresas que queremos estar num momento de dificuldade como agora são aquelas com boa gestão, em primeiro lugar", afirma Ricardo Kim, chefe da área de análise da XP. Diante dessa premissa, papéis vistos como defensivos ganharam ainda mais peso nas indicações da carteira. BB Seguridade, por exemplo, "com perfil de risco baixo e alto potencial de crescimento [de resultados]", conforme avaliação de Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, desponta como grande nome da carteira, com oito votos, entre dez possíveis. Já Itaú Unibanco, Ultrapar e Klabin, que também apresentaram balanços sólidos no quarto trimestre, foram apontados por quatro casas cada.
Os quatro papéis já faziam parte do portfólio de fevereiro e ganharam reforço em número de indicações, com exceção de Itaú que manteve quatro votos. A carteira de março se completa com São Martinho, BRF, Itaúsa, Suzano Papel, Fibria e Telefônica/Vivo. Na virada do mês, saíram Cielo, Weg, Ambev e Cetip - todas com desempenho fraco em fevereiro.
Mês passado, a carteira, com alta de 0,23%, perdeu para o Ibovespa, que subiu 5,91% em meio a um rali ocasionado pela alta do petróleo e melhora do cenário externo. Em 12 meses, o portfólio ainda mantém dianteira, com recuo de 5,06% ante queda de 17,04% do principal índice da bolsa.
A estrela do portfólio de março, BB Seguridade, é vista como um papel que, além de geração de receita diversificada e distribuição atrativa de dividendos, beneficia-se, em termos de resultados, das taxas de juros elevadas. "Uma das virtudes da companhia é sua capacidade de adaptação aos diferentes cenários", afirma Ohmachi, da Guide.
Os analistas Daniel Altman, Bruno Arruda e Rafael Frade, do Bradesco, classificam, em relatório, o braço de seguros do BB como um "caso único". Conforme o trio, a empresa combina diversas características atrativas, como geração de caixa substancial, alto "dividend yield", lucros recorrentes, alto crescimento e receitas baseadas em tarifas. Kim, da XP, acrescenta ainda que o 'valuation' atual da ação, com P/L (múltiplo preço da ação sobre lucro por ação, que indica o tempo em anos necessário para se obter o retorno do investimento) de 11 vezes, abaixo da média histórica entre 14 e 16 vezes.
Para o analista da XP, o valuation de Itaú também confere "margem de segurança" para o papel. Kim destaca que a PN do banco, após as quedas recentes, alcançou um P/L de 7 vezes, ou seja, abaixo da média dos últimos cinco anos entre 8 e 10 vezes. "Itaú é um papel interessante, pois sofreu bastante no curto prazo, devido às projeções para o crédito e a inadimplência. Mas, olhando de uma maneira prática, o banco tem 'management' de alto nível e é uma empresa que queremos estar num momento de cenário desafiador."
Outro destaque do portfólio de março, Ultrapar apresentou um balanço forte no último trimestre de 2015. De acordo com a Guide, o destaque foi a divisão dos postos Ipiranga, que reportou Ebitda de R$ 13 milhões, acima do esperado pelo mercado. O chefe de análise da XP acrescenta que, embora o cenário macro seja desfavorável, a tendência de bons resultados deve se manter nos próximos trimestres. "A companhia importa derivados e está vendendo combustível com prêmio em relação aos preços internacionais. Além disso, tem 'management' reconhecido e valuation interessante", diz Kim.
Ver também: Câmbio motiva quase metade das indicações em março
"As empresas que queremos estar num momento de dificuldade como agora são aquelas com boa gestão, em primeiro lugar", afirma Ricardo Kim, chefe da área de análise da XP. Diante dessa premissa, papéis vistos como defensivos ganharam ainda mais peso nas indicações da carteira. BB Seguridade, por exemplo, "com perfil de risco baixo e alto potencial de crescimento [de resultados]", conforme avaliação de Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, desponta como grande nome da carteira, com oito votos, entre dez possíveis. Já Itaú Unibanco, Ultrapar e Klabin, que também apresentaram balanços sólidos no quarto trimestre, foram apontados por quatro casas cada.
Os quatro papéis já faziam parte do portfólio de fevereiro e ganharam reforço em número de indicações, com exceção de Itaú que manteve quatro votos. A carteira de março se completa com São Martinho, BRF, Itaúsa, Suzano Papel, Fibria e Telefônica/Vivo. Na virada do mês, saíram Cielo, Weg, Ambev e Cetip - todas com desempenho fraco em fevereiro.
Mês passado, a carteira, com alta de 0,23%, perdeu para o Ibovespa, que subiu 5,91% em meio a um rali ocasionado pela alta do petróleo e melhora do cenário externo. Em 12 meses, o portfólio ainda mantém dianteira, com recuo de 5,06% ante queda de 17,04% do principal índice da bolsa.
A estrela do portfólio de março, BB Seguridade, é vista como um papel que, além de geração de receita diversificada e distribuição atrativa de dividendos, beneficia-se, em termos de resultados, das taxas de juros elevadas. "Uma das virtudes da companhia é sua capacidade de adaptação aos diferentes cenários", afirma Ohmachi, da Guide.
Os analistas Daniel Altman, Bruno Arruda e Rafael Frade, do Bradesco, classificam, em relatório, o braço de seguros do BB como um "caso único". Conforme o trio, a empresa combina diversas características atrativas, como geração de caixa substancial, alto "dividend yield", lucros recorrentes, alto crescimento e receitas baseadas em tarifas. Kim, da XP, acrescenta ainda que o 'valuation' atual da ação, com P/L (múltiplo preço da ação sobre lucro por ação, que indica o tempo em anos necessário para se obter o retorno do investimento) de 11 vezes, abaixo da média histórica entre 14 e 16 vezes.
Para o analista da XP, o valuation de Itaú também confere "margem de segurança" para o papel. Kim destaca que a PN do banco, após as quedas recentes, alcançou um P/L de 7 vezes, ou seja, abaixo da média dos últimos cinco anos entre 8 e 10 vezes. "Itaú é um papel interessante, pois sofreu bastante no curto prazo, devido às projeções para o crédito e a inadimplência. Mas, olhando de uma maneira prática, o banco tem 'management' de alto nível e é uma empresa que queremos estar num momento de cenário desafiador."
Outro destaque do portfólio de março, Ultrapar apresentou um balanço forte no último trimestre de 2015. De acordo com a Guide, o destaque foi a divisão dos postos Ipiranga, que reportou Ebitda de R$ 13 milhões, acima do esperado pelo mercado. O chefe de análise da XP acrescenta que, embora o cenário macro seja desfavorável, a tendência de bons resultados deve se manter nos próximos trimestres. "A companhia importa derivados e está vendendo combustível com prêmio em relação aos preços internacionais. Além disso, tem 'management' reconhecido e valuation interessante", diz Kim.
Ver também: Câmbio motiva quase metade das indicações em março
Leia mais em:http://www.valor.com.br/financas/4461552/selecao-darwinista
terça-feira, 1 de março de 2016
Na Superterça, adversários tentam desconstruir Trump
Os pré-candidatos democratas e republicanos às eleições presidenciais
nos EUA vão entrar em duas disputas distintas hoje, na Superterça, dia
em que serão realizadas prévias em 13 Estados no país. Enquanto a
ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders vão
travar o que está sendo chamado de "a batalha do Sul", os republicanos
terão no Texas o confronto mais importante.
Entre os democratas são necessários 2.383 dos 4.765 delegados para obter a indicação. Ao todo, a Superterça vai decidir o destino de 865 delegados democratas. Desses, 514 ficam em seis Estados no Sul (Alabama, Arkansas, Geórgia, Tennessee, Oklahoma e Texas), onde Hillary é favorita pelo apoio das comunidades negra e latina. Apenas no Texas, onde serão definidos 222 delegados democratas à convenção de julho, 51% dos eleitores do partido são negros ou hispânicos. Na Geórgia (102 delegados), esse percentual chega a 54%, e no Alabama (53 delegados) são 52%.
Sanders é senador do pequeno Estado de Vermont, no Nordeste do país. Seus estrategistas concentraram a campanha no Colorado, Massachusetts e Minnesota para tentar garantir chances de ele continuar na disputa. O senador surpreendeu ao obter 65 delegados nas quatro primeiras prévias contra os 91 de Hillary. Mas Sanders está muito atrás da ex-secretária de Estado entre os superdelegados (deputados, senadores, governadores, membros regulares e honorários do partido, que podem escolher o candidato que preferirem).
A tendência é que Hillary se consolide como candidata democrata ainda em março. Por isso, já está concentrando forças contra o empresário Donald Trump, que lidera a corrida entre os republicanos. Ela está atacando regularmente a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México.
"Não precisamos de muros, mas de pontes no nosso país", disse Hillary em comício ontem, quando pesquisas mostraram Trump com 32 pontos de vantagem em Massachusetts (47% contra 15% dos senadores Marco Rubio e Ted Cruz), 23 pontos no Alabama (42% contra 19% de Rubio e 16% de Cruz) e 12 pontos em Oklahoma (35% contra 13% de Cruz e 12% de Rubio).
O desafio mais importante dos republicanos, no entanto, será no Texas, Estado de Cruz, onde ele lidera, na média das pesquisas, com 39%, contra 26% de Trump e 16% de Rubio, e onde há o maior número de delegados republicanos em jogo hoje - 155 dos 595. "As chances de Cruz ganhar são muito fortes no Texas", avaliou Tom Mechler, presidente do Partido Republicano no Estado. "Eu apoio Cruz", disse Dan Patrick, presidente do Comitê do Partido Republicano no Texas. "É o candidato ideal."
Mesmo atrás nas pesquisas no Texas, Trump não desistiu do Estado. "Como eu gostaria de vencer no Texas! Acho que o resultado será uma surpresa no Estado", disse.
Na tentativa de conter o avanço de Trump, Cruz fez ontem um comício em seu Estado em que acusou o empresário de contratar estrangeiros ilegais em suas empresa porque são mais baratos. O senador tenta apontar contradição no discurso do Trump de que ele defende o trabalhador americano.
Rubio também atacou contradições de Trump, dizendo que o empresário se recusa a criticar a Ku Klux Klan e movimentos que defendem a supremacia branca. O senador respondeu ofensas. Trump declarou, na Virgínia, que Rubio sua muito e, por isso, não seria capaz de negociar com líderes estrangeiros, o senador acusou o empresário de ter mãos pequenas, sugerindo que ele seria ladrão. "Vocês já viram que Trump tem mãos pequenas?", perguntou Rubio num comício no Tennessee. "E vocês sabem o que pessoas com mãos pequenas fazem?", continuou.
"Acabo de receber uma pesquisa onde apareço com 49%, enquanto o pequeno Marco Rubio tem 16% e o mentiroso Cruz tem 15%", disse Trump. "As pessoas ficarão surpresas, pois teremos resultado formidável com os afro-americanos."
"Trump tem essa imagem de ser invencível e ambos [Cruz e Rubio] estão tentando desconstruir isso", disse Brit Hume, analista político, à TV Fox. Os resultados das prévias de hoje vão mostrar se essa estratégia está dando certo ou não.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/internacional/4459934/na-superterca-adversarios-tentam-desconstruir-trump
Entre os democratas são necessários 2.383 dos 4.765 delegados para obter a indicação. Ao todo, a Superterça vai decidir o destino de 865 delegados democratas. Desses, 514 ficam em seis Estados no Sul (Alabama, Arkansas, Geórgia, Tennessee, Oklahoma e Texas), onde Hillary é favorita pelo apoio das comunidades negra e latina. Apenas no Texas, onde serão definidos 222 delegados democratas à convenção de julho, 51% dos eleitores do partido são negros ou hispânicos. Na Geórgia (102 delegados), esse percentual chega a 54%, e no Alabama (53 delegados) são 52%.
Sanders é senador do pequeno Estado de Vermont, no Nordeste do país. Seus estrategistas concentraram a campanha no Colorado, Massachusetts e Minnesota para tentar garantir chances de ele continuar na disputa. O senador surpreendeu ao obter 65 delegados nas quatro primeiras prévias contra os 91 de Hillary. Mas Sanders está muito atrás da ex-secretária de Estado entre os superdelegados (deputados, senadores, governadores, membros regulares e honorários do partido, que podem escolher o candidato que preferirem).
A tendência é que Hillary se consolide como candidata democrata ainda em março. Por isso, já está concentrando forças contra o empresário Donald Trump, que lidera a corrida entre os republicanos. Ela está atacando regularmente a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México.
"Não precisamos de muros, mas de pontes no nosso país", disse Hillary em comício ontem, quando pesquisas mostraram Trump com 32 pontos de vantagem em Massachusetts (47% contra 15% dos senadores Marco Rubio e Ted Cruz), 23 pontos no Alabama (42% contra 19% de Rubio e 16% de Cruz) e 12 pontos em Oklahoma (35% contra 13% de Cruz e 12% de Rubio).
O desafio mais importante dos republicanos, no entanto, será no Texas, Estado de Cruz, onde ele lidera, na média das pesquisas, com 39%, contra 26% de Trump e 16% de Rubio, e onde há o maior número de delegados republicanos em jogo hoje - 155 dos 595. "As chances de Cruz ganhar são muito fortes no Texas", avaliou Tom Mechler, presidente do Partido Republicano no Estado. "Eu apoio Cruz", disse Dan Patrick, presidente do Comitê do Partido Republicano no Texas. "É o candidato ideal."
Mesmo atrás nas pesquisas no Texas, Trump não desistiu do Estado. "Como eu gostaria de vencer no Texas! Acho que o resultado será uma surpresa no Estado", disse.
Na tentativa de conter o avanço de Trump, Cruz fez ontem um comício em seu Estado em que acusou o empresário de contratar estrangeiros ilegais em suas empresa porque são mais baratos. O senador tenta apontar contradição no discurso do Trump de que ele defende o trabalhador americano.
Rubio também atacou contradições de Trump, dizendo que o empresário se recusa a criticar a Ku Klux Klan e movimentos que defendem a supremacia branca. O senador respondeu ofensas. Trump declarou, na Virgínia, que Rubio sua muito e, por isso, não seria capaz de negociar com líderes estrangeiros, o senador acusou o empresário de ter mãos pequenas, sugerindo que ele seria ladrão. "Vocês já viram que Trump tem mãos pequenas?", perguntou Rubio num comício no Tennessee. "E vocês sabem o que pessoas com mãos pequenas fazem?", continuou.
"Acabo de receber uma pesquisa onde apareço com 49%, enquanto o pequeno Marco Rubio tem 16% e o mentiroso Cruz tem 15%", disse Trump. "As pessoas ficarão surpresas, pois teremos resultado formidável com os afro-americanos."
"Trump tem essa imagem de ser invencível e ambos [Cruz e Rubio] estão tentando desconstruir isso", disse Brit Hume, analista político, à TV Fox. Os resultados das prévias de hoje vão mostrar se essa estratégia está dando certo ou não.
Leia mais em: http://www.valor.com.br/internacional/4459934/na-superterca-adversarios-tentam-desconstruir-trump
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